Curso de psicologia Geral



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Curso de psicologia Geral

Volume 2

A presente obra compõe-se de quatro volumes, a saber:

I. Introdução Evolucionista à Psicologia

II. Sensações e Percepção

III. Atenção e Memória

IV. Linguagem e Pensamento

A, R. Luria

Curso de Psicologia Geral

Volume II 2º Edição

Sensações e Percepção

Psicologia dos Processos Cognitivos

Tradução de Paulo Bezerra

Revisão técnica de

Helmuth R. Krüger

Professor de Psicologia da



ufrj e da uerj

Sociedade Unificada Paulista de Ensino renovado Objetivo – SUPERO data 13/01/98 Nº da chamada 159.9 – 1967c – 2.ed.v.2 e.4 Nº de volume 14.019/99 registrado por LILIANE

civilização brasileira

Título do original em russo: OSCHUSCHÊNIYA I VOSPRIYÁTIE

Capa: Doünê

Revisão:

Umberto F. Pinto e Nilo Fernandes

1991


Todos qs direitos reservados pela

EDITORA CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA S.A.

Av. Rio Branco, 99 - 20° andar

20040 Rio de Janeiro, RJ.

TEL. (021) 263-2082 / TELEX (21) 33-798 / FAX (021) 263-6112

Caixa Postal n? 2356 / 20010 Rio de Janeiro, RJ.

Impresso no Brasil Printed in Brazil

SUMÁRIO


I — Sensações 1

O problema 1

A sensação como fonte de conhecimento 2

Teorias receptora e reflectora das sensações 6

Classificação das sensações 8

Classificação sistemática da sensações 9

Tipos de sensações exteroceptivas 14

Interação das sensações e o fenômeno da sinestesia 15

Níveis de organização das sensações 18

Medição das sensações. Estudos do limiar absoluto das sensações21 Estudo da sensibilidade relativa (diferencial) 27

Variação da sensibilidade (adaptação e sensibilização) 29

II — Percepção 37

A atividade perceptiva do homem. Características gerais 37 Percepção tátil 45

Formas simples de percepção tátil 45

Formas complexas de percepção tátil 49

Percepção visual 54

Estrutura do sistema visual 55

Percepção das estruturas 61

Percepção dos objetos e situações 64

Fatores determinantes da percepção de objetos complexos 68

Métodos de estudo da percepção visual falsa 72

Desenvolvimento da percepção material 75

Patologia da percepção material 77

Percepção do espaço 82

Percepção auditiva 86

Bases fisiológicas e morfológicas da audição 86

Organização psicológica da percepção auditiva 89

Patologia da percepção auditiva 93

Percepção do tempo 96

I

Sensações



O problema

As sensações constituem a fonte básica dos nossos conhecimentos atinentes ao mundo exterior e ao nosso próprio corpo, Elas representam os principais canais, por onde a informação relativa aos fenômenos do mundo exterior e ao estado do organismo chega ao cérebro, permitindo ao homem compreender o meio ambiente e o seu próprio corpo. Se esses canais estivessem fechados e os órgãos dos sentidos não fornecessem a informação necessária, nenhuma atividade consciente seria possível.

Há fatos conhecidos segundo os quais o homem, privado da afluência constante de informação, cai em estado de sonolência. Esses casos se verificam quando o homem perde subitamente a visão, a audição e o oifato e quando suas sensações táteis são limitadas por algum processo patológico.

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Obtém-se resultado semelhante quando, durante algum tempo, coloca-se o homem numa câmara à prova de som e luz, que o isola do contato com o mundo exterior e ele se mantém na mesma posição (deitado) durante certo tempo. Essa situação a princípio provocava sono, tornando-se mais tarde dificilmente suportável para os sujeitos experimentais*.

Inúmeras observações demonstraram que a interrupção da afluência de informação na tenra infância, suscitada por surdez e cegueira, provoca bruscas contenções do desenvolvimento psíquico. Se as crianças que nasceram cegas e surdas ou perderam a audição e a visão em idade tenra não receberem educação por métodos especiais, que compensem esses defeitos à custa do tato, tornar-se-á impossível seu desenvolvimento psíquico normal e elas não conseguirão desenvolver-se com autonomia.

A sensação como fonte da conhecimento

As sensações permitem ao homem perceber os sinais e refletir as propriedades e os indícios dos objetos do mundo exterior e dos estados do organismo. Elas ligam o homem ao mundo exterior e tanto representam a fonte principal do conhecimento quanto a condição fundamental do desenvolvimento psíquico do indivíduo.

No entanto, apesar da evidência dessa tese, essa afirmação fundamental foi reiteradamente posta em dúvida na história da filosofia idealista.

Os filósofos idealistas expressavam freqüentemente a idéia segundo a qual a fonte autêntica da nossa vida consciente não é constituída pelas sensações mas pelo estado interior da consciência e pela capacidade do conhecimento racional, que são dados pela natureza e independentes da afluência da informação que chega do mundo exterior.

Essas concepções serviram de base à filosofia do "ra-cionalismo" (eles tiveram expressão nítida em Cristían

* Em testes psicológicos empregaremos sempre o termo "sujeito", subentendendo "sujeito experimental". (N, do T.)



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Wolf, filósofo racionalista alemão). A essência dessa filosofia consiste em que os processos psíquicos não são um produto do complexo desenvolvimento histórico e seus adeptos interpretavam erroneamente a consciência e a razão não como o resultado de uma complexa evolução histórica mas como uma propriedade primária e inexplicável do "espírito" humano. É fácil perceber que todos os dados da ciência moderna, antes referidos, rejeitam radicalmente essa tese.

Mas os filósofos idealistas e psicólogos a eles afetos tentaram reiteradamente refutar uma tese que pareceria evidente — a tese segundo a qual as sensações colocam o homem em contato com o mundo exterior— e demonstrar uma tese oposta e paradoxal, segundo a qual as sensações separam o homem do mundo exterior por serem uma muralha intransponível entre ele e esse mundo.

Essa tese partiu de filósofos idealistas como G. Ber-keley, D. Hume e E. Mach e psicólogos como H. Heimholtz e Johannes Müller, que formularam a teoria da "energia específica dos órgãos dos sentidos".

Segundo essa teoria, os órgãos dos sentidos (o olho, o ouvido, a língua e a pele) não refletem a influência do mundo exterior nem informam acerca dos processos reais que ocorrem no meio ambiente, limitando-se a receber das ações exteriores os impulsos que lhes estimulam os seus próprios processos. Para essa teoria, cada órgão dos sentidos possui sua própria "energia específica", que é estimulada por qualquer ação procedente do mundo exterior. Assim sendo, basta: pressionar o olho, agindo sobre ele através de choque elétrico, para ele ter a sensação de luz; é bastante uma ex-citação mecânica ou elétrica do ouvido para surgir a sensação do som. Logo, os órgãos dos sentidos não refletem as influências exteriores mas são apenas excitados por elas' e o homem não percebe os objetos do mundo exterior mas somente os seus próprios estados subjetivos, que refletem a atividade dos órgãos dos sentidos. Noutros termos, isto significa que os órgãos dos sentidos não põem o homem em contato com o mundo exterior mas, ao contrário, o separam deste. Percebe-se facilmente que essa teoria levou à afirmação: "o homem não pode perceber o mundo exterior e a única realidade são os processos subjetivos, que refletem a atividade dos órgãos dos sentidos, ,estes sim criadores dos 'elementos do mundo' subjetivamente perceptíveis".

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Todas essas teses foram tomadas por base da filosofia do "idealismo subjetivo", por afirmarem que o homem só pode conhecer a si mesmo e não dispõe de nenhuma prova de que existe alguma coisa além dele. Essa teoria idealista recebeu o nome de "solipsismo" (do latim solus, só, e ipse, eu próprio: existo só [um] eu próprio).

A teoria do idealismo subjetivo, inteiramente oposta às concepções materialistas da possibilidade de representação objetiva do mundo (particularmente a "teoria do reflexo" de Lênin) foi a fonte de um profundo equívoco cuja essência se torna cada vez mais evidente com as sucessivas conquistas da ciência.

O estudo atento da evolução dos órgãos dos sentidos mostra de modo convincente que, no processo de um longo desenvolvimento histórico, formaram-se órgãos especiais de percepção (órgãos dos sentidos ou receptores), que se especializaram em refletir tipos especiais de formas objetivamente existentes de movimento da matéria (ou "energias"); receptores da pele, que refletem as influências mecânicas; receptores auditivos, que refletem as oscilações sonoras; receptores visuais, que refletem certos diapasões das oscilações eletromagnéticas, etc.

Examinemos os dados atinentes à elevadíssima especialização dos órgãos receptores e aos tipos concretos de movimento da matéria que cada um deles percebe.

A tabela 1 apresenta dados gerais.

Vemos que entre todos os possíveis tipos de movimento da matéria, dispostos em ordem de redução do comprimento da onda e aumento do número de oscilações por segundo, apenas alguns são refletidos por aparelhos altamente especializados dos órgãos dos sentidos. Assim, ondas mecânicas de determinado diapasão são percebidas pela pele, provocando sensações de tato ou pressão; oscilações sonoras com onda acima de 12mm de comprimento e freqüência inferior a 20-30 oscilações por segundo e com onda de mais de 12mm de comprimento, freqüência superior a 30000 oscilações, não são percebidas, ao passo que oscilações sonoras com onda de 12-13mm de comprimento e freqüência de 20 a 20000 oscilações por segundo são percebidas pelo ouvi do humano e provocam sensações auditivas.

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TABELA 1


Característica das influências objetivas, dos aparelhos perceptivos e das sensações




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