Curso de pedagogia adriana da silva ferreira


O DESAFIO DE MEDIAR O CONTEÚDO NO ENSINO FUNDAMENTAL II E NO ENSINO MÉDIO PARA OS ALUNOS COM DEFICIÊNCIA



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4.3 O DESAFIO DE MEDIAR O CONTEÚDO NO ENSINO FUNDAMENTAL II E NO ENSINO MÉDIO PARA OS ALUNOS COM DEFICIÊNCIA.

Durante as conversas com os professores e estagiários, eles descrevem também um tipo de dificuldade acentuada, principalmente, no Ensino Fundamental II e Ensino Médio. Trata-se da conciliação das demandas de uma sala de aula, que vai desde a quantidade de alunos que, frequentemente, é grande, passa pela exigência em ser cumprida uma lista extensa de conteúdos, até a presença de alunos que precisam de atenção especial – esses alunos acabam sem acompanhamento. É o que a professora destaca:


"A minha maior dificuldade é conciliar os conteúdos de uma sala de aula de uma turma imensa com as adaptações e atenções que precisam ser dadas aos PNEs. E onde colocar o aluno especial dentro desse tempo e espaço atividades exigidas." (Professor C)
O planejamento dos alunos com deficiência é, em algumas escolas, adaptado por um profissional. Porém, em seu trabalho na instituição, pouco e insuficiente, é o contato desses profissionais com os alunos deficientes. Os profissionais citados foram: terapeuta ocupacional e fonoaudiólogo, estes fazem a adaptação de provas e atividades da rotina semanal. E tomam como partida o planejamento dos professores das disciplinas. O que inibe o professor e tira-o a responsabilidade de participar do processo e acompanhar o desenvolvimento do educando com deficiência.

Entretanto, já em algumas escolas, diferentemente da situação acima, não existe suporte para essa adaptação do conteúdo e das atividades. Sendo assim, o professor ou estagiário, como foi falado anteriormente, é quem faz as adaptações necessárias durante as aulas, sem nenhuma orientação ou planejamento prévio. Dessa forma, evidencia o ponto em questão, que é a dificuldade de mediar o conteúdo anunciado – para o professor a dificuldade maior está em conhecer as especificidades do aluno, para o estagiário a dificuldade também está em entender o conteúdo das aulas que está mediando.

Ferreira (2009) fala sobre a importância da orientação ao professor, segundo o autor seria necessário:
Utilizar currículos e metodologias flexíveis, levando em conta a singularidade de cada aluno, respeitando seus interesses, suas ideias e desafios para novas situações. Investir na proposta de diversificação de conteúdos e práticas que possam melhorar as relações entre professor e alunos. Avaliar de forma continuada e permanente, dando ênfase na qualidade do conhecimento e não na quantidade, oportunizando a criatividade, a cooperação e a participação. (FEREIRA, 2009, p.116)
Quando o professor e o estagiário não tem formação específica – inicial ou continuada – e não tem orientação na escola, fica evidenciada a dificuldade de construir metodologias de ensino que tornem acessíveis os conteúdos aos alunos com deficiência. Os excertos a seguir exemplificam essa realidade:
"Em alguns momentos, principalmente no final do ano nas aulas de matemática, eu me via com dificuldade até maior do que a dos alunos em compreender o assunto. Mas no caso, era uma coisa pessoal, haja vista que o aluno em questão que eu acompanhava ainda estava em processo de alfabetização e apreensão de números e contagem." (Estagiário B).
"O preparo para trabalhar com esse público é limitado. O professor, nesses casos, precisar ser proativo e buscar, por si só, possibilidades para adequar suas atividades e projetos para aqueles alunos que se enquadram na condição de PNE." (Professor C)
"A principal dificuldade é a transposição didática, pois cada interpretação dos alunos são uma forma singular do aprendizado." (Estagiário C)
As falas dos professores e estagiários mostram que há dificuldade em pensar a mediação dos conteúdos e que, frequentemente, o que a turma está estudando está distante do nível de compreensão do aluno com deficiência. Nesses casos, seria necessário repensar os objetivos das tarefas propostas para a turma para que todos os alunos pudessem participar em alguma medida, sendo-lhes oferecidas as adaptações necessárias.

Outro ponto que precisa ser problematizado diz respeito ao preparo dos docentes e dos estagiários, os quais, na maior parte dos casos, não tem conhecimento para trabalhar de modo a promover a aprendizagem e o desenvolvimento das crianças com deficiência; sem conhecimento seguem aplicando métodos educacionais inadequados e projetos que destoam da verdadeira necessidade desses alunos. A fala do estagiário traz essa dificuldade que ele e o professor compartilham no que se refere a organizar a proposta pedagógica para o aluno com deficiência:


"Embora eu reconhecesse seu avanço (coisa extremamente necessária), em determinados momentos eu me via de mãos atadas, como quando estávamos trabalhando Guerra Fria, por exemplo: o que fazer? O professor imprimiu fotos dos países que participaram dela e pronto, acabou a única atividade de geografia do semestre relacionada ao assunto trabalhado em sala de aula, totalmente descontextualizada. Referente as atividades aplicadas no decorrer do ano, poucas foram feitas pelos professores. A grande maioria foi elaborada por mim, coisa que não pode acontecer em hipótese alguma na época (visto que eu estava num cargo de estagiário). Minha grande aposta no decorrer do ano para o aluno foi o seu desenvolvimento social, fomentando sua autonomia e oferecendo-lhe oportunidade de ser menos infantilizado, tanto por ele mesmo e pela mãe (várias orientações foram dadas em micro reuniões com a orientadora pedagógica) quanto pela comunidade escolar (funcionários e alunos). No final do ano foi visto tal resultado." (Estagiário B)
Muitos professores dizem que não fazem o trabalho adequado, pois em sua formação não tiveram acesso a estudos específicos da educação especial-inclusiva. Alguns estagiários estão, nos seus cursos de licenciatura, com disciplina sobre o tema, mas em estudos breves e superficiais. Ao encontrar dificuldade na mediação do conteúdo para os alunos com deficiência, tanto professores quanto os estagiários, focam no desenvolvimento de habilidades sociais (como dito no excerto acima). Ao fazê-lo estão descaracterizando a função da escola, que é de interação social, mas que é principalmente de aprendizagem dos conteúdos (SAVIANI, 1992).

Desse modo, reitera-se a importância do conhecimento. Como afirma Padilha (2011, p.313):

Pensar a educação inclusiva exige conhecer a nossa realidade social e política, bem como dominar conhecimentos teóricos com rigor epistemológico acerca do desenvolvimento humano e do papel da escola como ato educativo.

O sistema educacional brasileiro é perpassado por série de problemas. Mas até quando alguns licenciados não irão tomar atitudes e reconhecer que a nossa formação é continuada e que ela muda de acordo com as necessidades da sociedade, que as informações precisam ser buscadas?






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