Curso de licenciatura em letras disciplina: literatura comparada professora: N



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ATIVIDADE ESTRUTURA

A RELAÇÃO ENTRE LITERATURA E CINEMA

CURSO DE LICENCIATURA EM LETRAS

DISCIPLINA: LITERATURA COMPARADA

PROFESSORA: NÁDIA REGINGA BARBOSA DA SILVA

PÓLO: EAD NITERÓI – RJ DATA: 13/08/2015

No livro A Hora da Estrela de Clarisse Lispector, publicado em 1977, mesmo ano da morte da autora, o narrador-personagem Rodrigo S.M conduz a história. A visão do narrador se confunde com a história da jovem nordestina Macabéa. A história se desenvolve com narrativas e alguns diálogos. Mas, o autor é o gerador do destino de Macabéa.

Sentimentos do personagem e do narrador fictício se misturam. A ideia de Deus e da morte perpassa todo o livro, mas com a visão do autor. O livro foi escrito quando Clarisse Lispector estava doente, e com certeza a morte era uma preocupação. No trecho abaixo isto fica bem claro:

“Então — ali deitada — teve uma úmida felicidade suprema, pois ela nascera para o abraço da morte. A morte que é nesta história o meu personagem predileto.”

O narrador ao longo da história faz reflexões sobre sua vida, sobre a arte da palavra e de escrever, sobre suas crenças, e principalmente sobre o nordestino deslocado no Rio de Janeiro, sofrendo a opressão das injustiças sociais. Ao narrar a pobreza de Macabéa, que só se alimentava de cachorro quente e coca cola, a sua falta de higiene, de perspectiva e de planos para o futuro, denuncia a luta pela sobrevivência dos pobres e excluídos. Macabéa não conseguia nem mesmo entender o que se passa com ela, como veremos abaixo, ao ser diagnosticada com tuberculose:

- O que é que você come?

- Cachorro-quente.

– Só?

– Às vezes como sanduíche de mortadela.



– Que é que você bebe? Leite?

– Só café e refrigerante.

– Que refrigerante? — perguntou ele sem saber o que falar. A toa indagou:

– Você às vezes tem crise de vômito?

– Ah, nunca! Exclamou muito espantada, pois não era doída de desperdiçar comida, como eu disse.

O médico olhou-a e bem sabia que ela não fazia regime para emagrecer. Mas era-lhe mais cômodo insistir em dizer que não fizesse dieta de emagrecimento. Sabia que era assim mesmo e que era médico de pobres. Foi o que disse enquanto lhe receitava um

tônico que ela depois nem comprou, achava que ir ao médico por si só já curava.

... Passara-a pelo raio X e dissera:

– Você está com começo de tuberculose pulmonar.

Ela não sabia se isso era coisa boa ou coisa ruim. Bem, como era uma pessoa muito educada, disse:

– Muito obrigada, sim?”

Percebemos também a temática do ato de escrever, através da fala do alter ego Rodrigo:

Quanto a mim, só me livro de ser apenas um acaso porque escrevo, o que é um ato que é um fato. É quando entro em contato forças interiores minhas, encontro através de mim o vosso Deus. Para que escrevo? E eu sei? Sei não. Sim, é verdade, às vezes também penso que eu não sou eu, pareço pertencer a uma galáxia longínqua de tão estranho que sou de mim. Sou eu? Espanto-me com o meu encontro.

No filme não existe a figura do narrador. Os personagens são caracterizados de acordo com a descrição do livro. O filme não é totalmente fiel ao livro, em um trecho do livro Olímpico de Jesus segura Macabéa e a deixa cair e ela se machuca. No filme a cena a mostra suspensa por Olímpico e feliz, há também outras diferenças em relação aos personagens e alguns fatos.

No filme as cenas se sucedem, e não há intromissão de um narrador, nem reflexões. A história vai acontecendo. E como sempre acontece em uma adaptação para o cinema o livro é mais completo, mais denso e mais rico, porque é muito difícil a linguagem cinematográfica expressar a linguagem literária. A diferença entre a narrativa do livro é que a matéria prima da literatura é a palavra, e através de uma série de figuras de linguagem a autora faz uma profunda análise psicológica da personagem e do narrador.

No filme, é preciso demonstrar através das imagens o que foi descrito no livro. E ao fazer uma adaptação, ou uma releitura da obra, o mesmo é reescrito com a visão do roteirista e do diretor.

No final do livro temos a narrativa do atropelamento de Macabéa ao sair da cartomante, feliz e cheia de vida e esperança. A narrativa é lenta, o narrador se nega a dizer de pronto que ela morrerá:

Macabéa por acaso vai morrer? Como posso saber? E nem as pessoas ali presentes sabiam. Embora por via das dúvidas algum vizinho tivesse pousado junto do corpo uma vela acesa. O luxo da rica flama parecia cantar glória.


Via-se perfeitamente que estava viva pelo piscar constante dos olhos grandes, pelo peito magro que se levantava e abaixava em respiração talvez difícil. Mas quem sabe se ela não estaria precisando de morrer? Pois há momentos em que a pessoa está precisando de uma pequena mortezinha e sem nem ao menos saber. Quanto a mim, substituo o ato da morte por um seu símbolo. Símbolo este que pode se resumir num profundo beijo mas não na parede áspera e sim boca-a-boca na agonia do prazer que é morte.
No término do filme, vemos as imagens retratando uma Macabéa feliz e sorridente, após a cartomante prever que sua vida iria mudar para melhor quando ela saísse dali, que ela encontraria um gringo rico que a pediria em casamento e que teria muito dinheiro. Ela solta os cabelos, entra em uma loja e compra um vestido azul. A imagem focaliza suas roupas usadas penduradas no cabide, como uma despedida da personagem da pobreza e sofrimento.

Logo após o atropelamento, vemos Macabéa no chão caída, sem um pé de sapato, e um filete de sangue a escorrer de sua boca, dando a ideia de que está morta. Depois uma cena que é comum nos filmes românticos, Macabéa e o motorista correm um em direção ao outro, na ânsia de se abraçarem, como se fossem dois apaixonados se reencontrando. A cena retrata o que está no livro, que ela só foi feliz na morte.

REFERÊNCIA:

LISPECTOR, Clarice. A hora da estrela. 23. ed. Rio de Janeiro.



Site: http://copyfight.me/Acervo/livros/LISPECTOR,%20Clarice%20-20A%20hora%20da%20Estrela.pdf ,

Filme A hora da estrela, dirigido por Suzana Amaral.

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