Curso arte e suas linguagens


O ENSINO DA ARTE NO CICLO I



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O ENSINO DA ARTE NO CICLO I


Explorar o que pode a Arte no currículo da educação escolar básica e suas implicações na cultura da escola sintetiza inquietações, idéias e desejos.

O que pode a Arte na escola? O que podem as artes visuais, dança, teatro, música no currículo? Que relação pode estabelecer entre Arte e processo de produção de subjetividades, individuais e coletivas? O que pode o professor de arte no espaço da sala de aula? E no espaço instituído da escola? E no espaço subjetivo da produção de si? Pode a Arte desencadear entre alunos e professores experiências estéticas e culturais capazes de estimular transformações na cultura escolar? Que fatores podem ser considerados facilitadores, dificultadores ou bloqueadores de transformações na cultura escolar? Qual a natureza de tais transformações?

Com essas perguntas saio do âmbito restrito de minhas experiências para conhecer outras configurações que me possibilitem explorar condições para que a dinamização da arte possa ajudar a alcançar transformações nos modos de vida.

Para o ensinar/aprender arte nas séries iniciais do ensino fundamental requer a clareza de dois pontos fundamentais:


  • arte é área do conhecimento humano, patrimônio histórico e cultural da humanidade;




  • arte é linguagem, portanto, um sistema simbólico de representação.

A escola, local privilegiado onde os saberes acumulados pelo homem e aqueles que serão produzidos coletivamente são compartilhados na busca da construção do cidadão consciente, participativo, crítico, sensível e transformador da sociedade, não se completa se não contemplar em seu currículo o ensino competente nas linguagens artísticas.

É importante proporcionar ao aprendiz o acesso também à leitura e produção de textos não verbais, matéria-prima do universo da arte. manipular, organizar, compor, significar, decodificar, interpretar, produzir, conhecer imagens visuais, sonoras e gestuais/corporais são requisitos indispensáveis ao cidadão contemporâneo. A leitura de mundo, o letramento, vão além do texto escrito.

Como afirmam os parâmetros curriculares nacionais, a arte é um modo privilegiado de conhecimento e aproximação entre indivíduos de culturas diversas, favorece o reconhecimento de semelhanças e diferenças, num plano que vai além do discurso verbal.

O objeto de conhecimento da arte é o próprio universo da arte. Na escola fundamental o foco dos estudos artísticos está centrado em algumas de suas linguagens: música dança, teatro e as artes visuais, vistas como um tipo de conhecimento que envolve tanto a experiência de apropriação de produtos artísticos quanto o desenvolvimento da competência de configurar situações mediante a realização de formas artísticas, ou seja, entendemos que aprender artes envolve não apenas uma atividade de produção artística pelos alunos, mas também a conquista da significação do que fazem, por meio do desenvolvimento da percepção estética, alimentada pelo contato com o fenômeno artístico visto como objeto de cultura por meio da história e como conjunto organizador de relações formais

O fazer artístico é o próprio ato de criar, construir, produzir. São os momentos em que a criança desenha, pinta, escalpe, modela, recorta, cola, canta, toca instrumento, compões, atua, dança, representa, constrói personagens, simboliza.

Esse processo de pensar/construir/fazer lúdico e estético inclui atos técnicos e inventivos de transformar, de produzir formas novas a partir da matéria oferecida pelo mundo da natureza e da cultura onde vive esse aluno. É necessário pesquisar, experimentar na busca do signo que representará a sua idéia. Esse fazer é exclusivo de cada uma, por isso mesmo cada produção artística tem a marca única de quem a fez, porque é a maneira particular de cada ser humano exteriorizar sua visão de mundo, sua forma de pensar e de sentir a vida.

Arte é linguagem. a apreciação estética é o próprio ato de perceber, ler. analisar, interpretar, criticar, refletir sobre um texto sonoro, pictórico, visual, corporal. Supõe a decodificação dos signos das linguagens da arte, o estudo de seus elementos, sua composição técnica, organização formal, qualidades, etc. é uma “conversa” entre o apreciador e a obra, em que estão presentes também a intuição, a imaginação, a percepção.

Além do fazer e do apreciar arte, é de fundamental importância a contextualização da obra de arte; todo o panorama social, político, histórico cultural em que foi produzida; como ela se insere no momento de sua produção e como esse momento se reflete nela

Além do conhecimento da história das artes, obras, autores, artistas, intérpretes, dramaturgos, movimentos artísticos, estilos, gêneros, etc, essa reflexão sobre a arte inclui também o conhecimento específico de cada linguagem artística: seus elementos, regras de composição, estilos, técnicas, materiais, instrumentos.

Também é objeto de estudo a divulgação da produção artística: museus, galerias, teatros, apresentações musicais e coreográficas, a mídia, jornais, revistas emissoras de rádio, tv..., assim como as profissões relacionadas a todo o universo da arte.

Fazendo arte, expressamos quem somos como nos sentimos como pensamos; nos damos a conhecer ao outro.

Conhecendo e fruindo arte, ampliamos nossa percepção de mundo.

Toda criança, antes de entrar na escola, “faz arte”... Desenha, pinta, faz esculturas de areia, canta, dança, toca instrumentos (ainda que batendo tampas de panelas ), cria personagens... São potencialidades plenas de expressão criativa, cujas possibilidades de se manifestar geralmente não ocorrem na escola.

O jogo simbólico, a percepção, a imaginação, a fantasia, a busca de um significado para o sentido da vida raramente encontram espaço nas salas de aula que, infelizmente, ainda adotam como prática a cópia, a imitação, a reprodução de modelos esteriotipados, a massificação de proposta se de resultados.

Arte se ensina e Arte se aprende, e o ensino da arte facilita a manifestação particular e secreta, tornando-a cada vez mais exposta, através da criação e construção de objetos. É a chance de projetarmos o nosso mundo de dentro, compartilhando, socializando, tornando essa singularidade escondida um patrimônio coletivo. As atividades expressivas , entendidas como agentes formadores de conhecimento e constitutivos de nosso próprio ser, acabam construindo uma ponte entre o mundo de dentro e o mundo de fora, flexibilizando e dinamizando as conexões entre o “eu” e o mundo. Como recomendamos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), as aulas de Arte devem contemplar as linguagens da Dança, Teatro, Música e Artes Visuais, dentro dos três eixos articuladores produção, fruição e reflexão (BRASIL, 1998).

As linguagens artísticas constituem-se de sistemas de signos – como as artes visuais, sonoras, corporais – que percebemos como elementos próprios das linguagens e são compreendidos nas criações simbólicas.

Em geral olha-se sem ver. O ver em sentido mais amplo requer um grau de profundidade maior, ver é atribuir significado, é compreender. Existem diversas formas de olhar uma mesma situação, não há uma verdade absoluta, porque o olhar de cada um está impregnado de experiências pessoais anteriores.


O ENSINO DE ARTES VISUAIS NA ESCOLA

Artes visuais – é o conjunto de manifestações artísticas que compreende todo o campo de linguagem e pensamento sobre o olhar e os sentidos do ser humano.

A linguagem visual envolve uma série de categorias e manifestações que sustentam em seu bojo um pensamento próprio, com seus materiais específicos, com seus fazeres singulares. O que será que estas categorias, tão diversas e particulares tais como o desenho, a pintura, o vídeo, a fotografia, a escultura, a modelagem, a cerâmica, a instalação, o cinema, bem como as artes aplicadas, têm como denominador comum, identificando-as como linguagem visual?

Todas estas categorias da linguagem visual envolvem uma maneira específica e singular do corpo – através dos sentidos, gestos, ações, sensações e imaginário, pensamentos e desejos – articular os materiais, formalizar objetos, apresentar imagens, configurar representações. É o território da imagem, capaz de congregar signos que configuram sentidos, representações simbólicas de um pensamento que olha e faz e sente, de um olhar que percebe e pensa e faz, de um fazer que pensa e olha e sente e é.

Hoje, a imagem é o componente central da comunicação, o que tem levado à falsa afirmação de que as imagens comunicam de forma direta. Na verdade, cada leitor atribui sentidos em função das informações que tem e de seus interesses.

A leitura da criança das séries iniciais enfoca o real, o concreto, o fisicamente representado na imagem. Para ela, a arte é literalmente a representação do mundo, das coisas que existem ou acontecem. O papel do artista é apenas transferir as características e as qualidades do mundo para a obra. Sendo o artista um copiador do mundo, deve submeter-se a ele tal como é. Em outras palavras, o artista não tem autonomia para 'manipular', para 'maquiar' o mundo que quer mostrar, visando à adequação às suas necessidades de expressão

Se substituirmos a palavra artista pela palavra educador, ganharemos uma dimensão mais generosa do que possa ser a tarefa de cultivar a sensibilidade e o conhecimento através das artes visuais. Cabe ao educador do Ensino de Arte, fundamentar e estimular a compreensão – sensível e inteligível – dos elementos sintáticos que compõe a linguagem visual, proporcionando vivências com vários materiais, técnicas e procedimentos, facilitar o acesso às imagens já produzidas pelos artistas de diversas épocas históricas, alimentar o repertório visual sensível, informativo sobre a Arte e seus fazeres.

O processo de aquisição da linguagem visual, alavancada pela experiência do ato criativo, promove um toque deferência no desenvolvimento humano, envolvendo todas as potencialidades. O cultivo da sensibilidade, da percepção, da experimentação caminha em conjunto com a aquisição de informações, articulação do pensamento e construção do conhecimento.

O ensino de Arte nos envolve com constantes surpresas, principalmente na maneira com que cada criança responde às proposições enunciadas pelo educador. Nada mais apropriado para o desenvolvimento integral da criança do que o cultivo de percepção estética, incentivando o florescimento de sua expressão pessoal e única.

O que se pode enfatizar, sobretudo, é o processo de aquisição do conhecimento da linguagem visual e a ativação de procedimentos criativos que são vias de mão dupla: por meio da Arte se cultivam certos valores éticos e morais, garantindo, por outro lado, a autonomia da Arte enquanto linguagem poética e expressiva, agente transformador da percepção humana.



O ensino das artes visuais deve contemplar:




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