Curso arte e suas linguagens


O ENSINO DE MÚSICA NA ESCOLA



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O ENSINO DE MÚSICA NA ESCOLA
A música é, sem dúvida, uma das mais valiosas formas de expressão da humanidade. Ela é um fator determinante na personalidade do indivíduo, uma forma de expressão social e cultural, contudo pouco valorizada. É sem dúvida, uma das mais valiosas formas de expressão da humanidade, portanto percebemos que vem perdendo espaço dentro da escola.  Acreditamos que é necessário fazer alguma coisa.  Mas o quê?  Como resgatar a importância da música no desenvolvimento da criança?  Por que a música não é tão valorizada nos tempos atuais?  Como despertar no aluno o gosto pela música?  Por que não utilizar a música na alfabetização?

Que é música? É uma pergunta respondida de maneira diferente a cada nova era que se inaugura na humanidade, tendo como parâmetros a experiência musical e a visão de mundo que se tem na época, e o papel que a música desempenha numa determinada sociedade.

Assim, para definirmos o que é música, precisamos definir seu material sonoro, sua forma de estrutura (organização dos sons) e seu papel no contexto sócio-cultural, o que lhe confere um sentido.

Definir seu material sonoro já é um problema, na medida em que se modifica a cada época e cultura. É essa diferença entre os materiais sonoros implica, muitas vezes, uma visão totalmente diferente do que é música. Essas diferenças gritantes implicam visões diferentes da molecai, portanto, definições diferentes. Além disso, o elenco de notas utilizado em cada tipo de música se altera de época para época.

Muitos dicionários e livros de teoria musical ainda insistem em estabelecer uma divisão entre “sons musicais” e “sons não musicais”, definindo os sons musicais como aqueles com nota definida e concederdes “agradáveis aos ouvidos”, e os sons não musicais como ruídos desagradáveis. Além disso, os dicionários dizem que a música “é a arte de combinar os sons de maneira agradável ao ouvido”, desconsiderando completamente as transformações musicais, como a incorporação do trítono, um exemplo considerado “desagradável ao ouvido” numa época ,e noutra, perfeitamente aceito e agradável; e isso se mencionar a extraordinária abertura que gerou a chamada música contemporânea, tanto no âmbito material sonora quanto no âmbito da maneira de se estruturar uma música.

Quanto ao material sonoro de que a música é feita, podemos dizer apenas que ela é feita de sons e silêncios, enchendo aí, numa definição atualizada, o famigerado ruído.

A definição dos dicionários exclui o fato de que, muitas vezes, o papel da música não é o de agradar, mas, antes, de instigar, cutucar, provocar, alterar nossos ouvidos para as peraltices sonoras que tornam a música interessante e que nos deixam curiosos. Isso significa que nem sempre uma música nos agrada à primeira vista, mas podemos aprender a gostar dela se compreendermos sua forma de organização dos sons, sua lógica, além dos outros aspectos.

É preciso dizer que, no contexto educacional, em música que causa estranheza é, muitas vezes mais interessante que uma que não provoca nenhum tipo de reação construtiva.

Assim a forma com que o compositor combina os sons resulta num determinado tipo de música e de certa forma, conduz nossa escuta.

Podemos dizer que a História da Música, é na verdade uma sucessão de definições de música, uma sempre transformando as anteriores, seja por acréscimo, seja por subtração, por ampliação ou por adaptação.

Ao longo das eras, o homem veio transformando sua maneira de encarar a arte dos sons, sua visão de música, sempre depondo novos conceitos, usos, formas, materiais sonoros e instrumentos. Mas se quisermos chegar a uma definição genérica, podemos dizer que “música se define como sons e silêncios organizados no tempo a partir de um determinado contexto e com a intenção de ser música”.

A literacia musical além de significar uma compreensão musical determinada pelo conhecimento de música, sobre música e através da música, engloba também competências da leitura e escrita musicais e organiza-se em torno de um conjunto diversificado de dimensões assentes nos seguintes pressupostos da aprendizagem musical:

1. Todas as crianças têm potencial para desenvolver as suas capacidades musicais;

2. As crianças trazem para o ambiente de aprendizagem musical os seus interesses e capacidades e os seus próprios contextos sócio-culturais;

3. Mesmo as crianças menores são capazes de desenvolver o pensamento crítico através da música;

4. As crianças devem realizar atividades musicais utilizando materiais e repertório de qualidade;

5. As crianças aprendem melhor em ambientes físicos e sociais agradáveis.

6. As experiências diversificadas de aprendizagem são fundamentais para servirem as necessidades de desenvolvimento individual das crianças;

7. As crianças necessitam de modelos eficazes de adultos. O processo de ensino e aprendizagem da educação musical consiste na interação de um conjunto de atividades relacionadas com a audição, interpretação e composição. Esta interação caracteriza-se por três aspectos essenciais:

O primeiro é que todas estas atividades são atividades criativas; o segundo, diz respeito ao fato de que as práticas musicais podem envolver mais do que uma atividade em simultâneo. O terceiro e último aspecto diz respeito ao fato de ouvir, interpretar e compor estar interligado com os contextos de criação e ação artística, sociais, culturais, históricos e estéticos através de abordagens sensoriais. Estes contextos ligam-se a áreas de saber diferenciadas nomeadamente a outras artes e áreas científicas, humanísticas e tecnológicas.

A música no 1º ciclo desenvolve-se num quadro alargado de atividades e as crianças nesta fase de desenvolvimento, aprendem fazendo.

A aprendizagem musical centrando-se na voz e no canto interliga-se com o corpo e o movimento. A audição, análise e discussão de repertório, as práticas instrumentais diversificadas; a pesquisa, a experimentação e a criação são atividades inerentes à aprendizagem musical.

Deve ser ainda valorizado o trabalho com criadores, intérpretes, técnicos, escolas, comunidades bem como a realização e produção e participação em projetos artísticos diferenciados. Esta pluralidade, na intersecção entre os mundos do saber e os mundos da criança, assenta no alargamento dos quadros de referências conceptuais, emocionais, estéticos e organizacionais.

Nesta perspectiva, incentiva-se o desenvolvimento da criatividade e da imaginação bem como da compreensão do fenômeno artístico no passado e nas sociedades contemporâneas.

Cada um de nós tem um repertório musical especial que reúne músicas significativas referentes à nossa história de vida :as músicas para adormecer, para acordar, para dançar, celebrar,as músicas da infância, as que nos lembram alguém, as que cantávamos na escola, as que remetem a fatos alegres ou tristes.

A música na escola não pode ser simplesmente ornamental para animar as festas, mas através da vivência das dimensões estéticas, sonoras, visuais e gestuais, desenvolver a consciência crítica dos valores humanos e encontrar meios de levar os alunos atuar como cidadãos.

As formas de organização social e o papel da música em nossas sociedades modernas sofreram grandes transformações mas a linguagem musical, em sua essência, preserva seu caráter ritual e funcional, bem como, certa tradição do fazer e ensinar por imitação e “por ouvido”, misturando intuição, conhecimento prático e transmissão oral. Dessa maneira todos tem acesso à fruição e ao fazer musical, ainda que em níveis diversos, sem o conhecimento sistematizado ou a formação musical específica.

A linguagem musical faz parte, desde há muito tempo, e, em diversas culturas, da formação educacional das crianças e jovens.

A educação de um modo geral, e a artística, particularmente, deve considerar as fantasias, os sentimentos e os valores, como também as habilidades cognitivas, a pesquisa, a descoberta, a criação, a reflexão, levando o aluno a sentir em primeiro lugar, interiorizar, para depois fazer, através dos conteúdos que se pretende atingir.

Hoje os Parâmetros Curriculares Nacionais apontam para a necessidade e importância do ensino de Artes (inclusive música) na escola, como área do conhecimento e linguagem cujo conhecimento a criança constrói. A música como parte da área de Arte, entendida como linguagem e forma de conhecimento, deve realizar-se por meio:

- Fazer - tendo com produtos musicais a interpretação, a improvisação e a composição;
- Apreciar – que envolve a percepção de eventos sonoros e silêncios assim como as estruturas musicais:

- Refletir – sobre a música como objeto do conhecimento, sobre questões referentes à organização, criação, produtos e produtores musicais.

São finalidades do ensino da Música no 1º ciclo do Ensino Básico:

- Desenvolver competências de discriminação auditiva abrangendo diferentes códigos convenções e terminologias existentes nos mundos da música;

- Desenvolver competências vocais e instrumentais diversificadas, tendo em conta as diferentes épocas, estilos e culturas musicais do passado e do presente;
- Desenvolver competências criativas e de experimentação;
- Desenvolver competências transversais no âmbito da interligação da música com outras artes e áreas do saber;
- Desenvolver o pensamento musical.

São princípios orientadores das práticas musicais no 1º ciclo do Ensino Básico:


- O desenvolvimento da imaginação e da criatividade da criança, através de experiências diversificadas;
- O alargamento do quadro de referências artísticas e culturais da criança;
- O aproveitamento dos conhecimentos e competências da criança realizadas em diferentes contextos formativos, formais e não formais;
- A escolha de repertório musical de qualidade abrangendo épocas, estilos, culturas e efetivos instrumentais diversificados;
- A utilização de terminologias adequadas a épocas, estilos e contextos artísticos;
- A programação de atividades inclusivas atendendo à diversidade existente como por exemplo as questões de gênero, as questões de identidade sócio-cultural, a aptidão musical e as necessidades educativas especiais;
- A promoção de um ambiente educativo de conhecimento e de respeito pelo outro;
- A articulação do ensino da música com outras áreas do saber artístico, científico, humanístico e tecnológico;
- A valorização do patrimônio artístico , em particular, o patrimônio musical português;
- O respeito pelos direitos de autor;

- A colaboração com diferentes instituições (escolares, artísticas e outras) bem como com criadores, intérpretes, produtores e técnicos no desenvolvimento de projetos artísticos.

Na planificação das atividades musicais considera-se fundamental que o professor tenha em conta:

- o que os alunos vão aprender;


- como vão aprender;
- o repertório que vão estudar;
- as competências adquiridas e outros resultados da aprendizagem.

A música como construção social e humana interage de modos diversos não só com a construção das identidades, individuais e coletivas, como também com diferentes áreas do saber e do conhecimento artístico, humanístico, científico e tecnológico.

O desenvolvimento do trabalho artístico-educativo pode ser, por um lado, um meio aglutinador de diferentes saberes e conhecimentos e, por outro, servir para despertar a curiosidade e o conhecimento acerca dos modos como nos outros saberes se utilizam, manipulam e inventam idéias e conceitos.





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