Culto da performance e performance da cultura: os produtores culturais periféricos e seus múltiplos agenciamentos



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Culto da performance e performance da cultura: os produtores culturais periféricos e seus múltiplos agenciamentos
Livia De Tommasi

Departamento de Sociologia e Programa de Pós Graduação Cultura e Territorialidades da Universidade Federal Fluminense

Livia.detommasi@gmail.com

GT17
Resumo: O campo da cultura tornou-se, nos últimos decênios, um recurso importante tanto para o crescimento econômico como no âmbito das intervenções de requalificação urbana. Ao mesmo tempo, a figura do empreendedor alcançou centralidade no contexto das transformações ocorridas no mundo do trabalho. As favelas, historicamente consideradas territórios “da pobreza” e da violência, hoje são celebradas como “territórios das oportunidades” para jovens empreendedores da cultura. O perfil de alguns desses “empreendedores culturais” moradores de favela sugerem algumas pistas para a investigação.

Palavras chaves: empreendedorismo, cidade, favela, jovens, cultura, trabalho


  1. Introdução

Em 2007 publicamos um livrinho - “O Almanaque da Juventude e do Mundo do Trabalho” - onde apresentamos os resultados das discussões ocorridas no âmbito de uma série de encontros organizados para discutir o tema da inserção de jovens no mundo do trabalho (Tommasi, Nogueira e Corrochano, 2007). A maioria dos participantes dos encontros eram jovens moradores das regiões do Nordeste, tanto das capitais como do interior, participantes de projetos sociais.

Das discussões ocorridas nos encontros, destaco 3 questões:



  1. os jovens reivindicavam o direito a ter um trabalho gratificante e do qual gostassem. Ou seja, fazer um trabalho que dá prazer, que não seja pura repetição, que mobilize as capacidades e os desejos não está no horizonte somente das camadas privilegiadas da sociedade.

  2. queriam que suas praticas no campo das artes e da cultura – dança, grafite, capoeira, musica, teatro, poesia – pudessem dar um retorno financeiro. Ou seja, gostariam de viver do que gostam e sabem fazer.

  3. o trabalho formal, com carteira de trabalho assinada, não estava no horizonte da grande maioria, ou seja, não era um objetivo, um motivador. Isso porque, na grande maioria dos casos, não existia, em seu entorno, uma referência de trabalhador com carteira assinada. Ao invés, trabalhar “sem patrão” era um desejo almejado.

Trabalhar com o que se gosta e se sabe fazer parecia, para muito daqueles jovens, ser sinônimo de trabalhar com “arte e cultura” e como trabalhador autônomo.

Hoje, com a multiplicação de editais e cursos de formação que visam promover “jovens empreendedores culturais”, parece que os desejos daqueles jovens estão se concretizando. Tornar-se um “trabalhador da cultura” parece ser uma “oportunidade” que se abre mesmo para os jovens de classe popular. Uma alternativa alcançável à falta de emprego ou ao emprego em funções subalternas. Uma alternativa, inclusive, que não está sujeita à necessidade do diploma universitário para alcançar um nível de remuneração decente.

Nesse artigo, situo o chamado “empreendedorismo cultural” tanto no contexto de diferentes funções assumidas pelo campo da cultura, como no âmbito de uma nova configuração do trabalho que se afirma em anos recentes, quando a figura do “empreendedor” adquire visibilidade. Procuro, também, mostrar como é acionado o que chamei de “dispositivo de arte e cultura” (conjunto variado de projetos, agentes, praticas) para solucionar “problemas” sociais. Por fim, faço algumas considerações sobre as experiências de alguns jovens “empreendedores culturais”. Minhas indagações se situam no cruzamento de distintos campos disciplinares que têm como foco a cultura, a cidade e a favela, os jovens, procurando estabelecer um diálogo com a sociologia do trabalho.



  1. Catálogo: acta -> 2015 -> GT-17
    GT-17 -> Yasmin Livia Queiroz & Vera Lucia Navarro
    GT-17 -> Xxx congreso alas, Costa Rica, 2015
    GT-17 -> Autor: Marcos Acácio Neli, Brasil, Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais, da Faculdade de Ciências e Letras de Araraquara, unesp
    GT-17 -> Karlinne de Oliveira Souza, Universidade Federal do Ceará, Brasil
    GT-17 -> Trabalho e adoecimento: o mal- estar docente Marcelo Rodrigues dos Reis, Universidade Federal do Pará, Brasil1 Maria do Carmo da Silva Dias, Universidade Federal do Pará, Brasil2 Resumo
    GT-17 -> Marcela marques serrano
    GT-17 -> Alas costa rica 2015 gt 17 reestructuración productiva, trabajo y dominación social auto-organizaçÃo social em espaços de trabalho e produçÃO: notas para uma crítica à economia solidária
    GT-17 -> Raquel Nascimento Coelho, Brasil
    GT-17 -> Trabalho prescrito, real e sofrimento em docentes pesquisadores
    GT-17 -> Tempo social: reflexões sobre o tempo e o trabalho


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