Criar é a grande libertação da dor e o alívio da vida



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O CRIAR E A PLASTICIDADE DO PASSADO
Afonso H Lisboa da Fonseca, psicólogo.




Laboratório Experimental de Psicologia Fenomenológico Existencial

Rua Alfredo Oiticica, 106. Farol. 57050-170 Maceió - AL. Brasil

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Maceió AL

2000
O CRIAR E A PLASTICIDADE DO PASSADO
Afonso H Lisboa da Fonseca, psicólogo.

"Poeta, advinho e redentor do acaso, ensinei-lhes a trabalhar o futuro e, criando, a libertar tudo o que já foi.

"Libertar o passado no homem e transformar o 'era' até que a vontade possa dizer: 'Mas foi assim que eu quis! É assim que eu quero!'

Foi isto que eu chamei a sua salvação, isto só que eu lhes ensinei a chamar salvação."

(Nietzsche, in Assim Falou Zaratustra, p.196)



"O presente e o passado na terra -- meus amigos! Eis para mim, a coisa mais intolerável; e eu não conseguiria viver se não fosse ao mesmo tempo um vidente do que deve fatalmente acontecer.

'Um vidente, uma vontade, um criador, um futuro e uma ponte para o futuro... e -- oh!, sorte! -- de certo modo também um doente que se encontra nesta ponte.

'Caminho entre os homens como entre fragmentos de futuro, desse futuro que contemplo. E tudo o que faço e me proponho a fazer destina-se a realizar e a reunir numa única coisa o que está fragmentado e tudo o que é enigma e acaso cruel.

'E como aceitaria eu ser homem, se o homem não fosse também poeta e decifrador de enigmas e o redentor do acaso!

'Libertar os homens passados e transformar todos os 'Aconteceu' em 'Foi assim que eu quis' -- eis o que, antes de qualquer coisa chamo redenção.

(op. cit. p.137)


'Pelos meus filhos quero resgatar o facto de eu ser o filho de meus pais: e por todo o futuro -- este presente!"

(op.cit. p.118)

Um dos aspectos mais curiosamente interessantes da filosofia da vida de F. Nietzsche é, em contraste com a perspectiva do senso comum, o desvelamento de uma perspectiva, e a ênfase em uma perspectiva, perspectiva muito realista do real segundo a qual o passado é eminentemente plástico.

Decorrente da criatividade conseqüente a uma atitude de identificação com, e de afirmação, do ser, da vida, em sua totalidade -- o que envolve a aceitação e a afirmação do acaso, do sofrimento e da finitude -- a plasticidade do passado configura-se como uma relativização e trans-form-ação de seus sentidos e de seus efeitos. A criatividade da ação afirmativa desloca, assim, os sentidos e efeitos do passado, e constitui-se como trânsito do devir.

Não se trataria, evidentemente, do simplorismo ingênuo de afirmar que os fatos efetivos não aconteceram. Mas fundamental e profundamente a compreensão conseqüente de que a facticidade dos fatos configura-se, na verdade, em sua efetividade, nos sentido deles e nos seus efeitos. E estes, por mais pesados e impositivos, são, efetivamente, plásticos, e submetem-se à atualidade. Em especial, à modalidade afirmativa-criativa desta. Uma das ousadias, assim, da Filosofia da Vida de F. Nietzsche é exatamente, num certo sentido, a de propor uma reinvenção do passado, e uma libertação da tirania do peso de sua inércia.

Contrapõe-se esta perspectiva à pesada e dolorosa perspectiva do sofrimento, da finitude e da perda, tragicamente exposta, por exemplo, na citação de Hilda Hilst, em seu poema fúnebre para o amado Lorca:



(...)
"Muitos dizem: 'mas está vivo, não vês? Está vivo!
Se todos o celebram, se todos o cantam!? (...)'
Estás morto!
Sabes porquê?

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