Criação da realidade concreta, deixando de lado pressupostos e preconceitos



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Cadernos de Psicologia – N.1 – (1994) – Rio de Janeiro: UERJ, Instituto de Psicologia, 1994. V. 8 – ISSN 1414-056X


CONTRIBUIÇÕES DA PSICOLOGIA EXISTENCIALISTA PARA A PSICOLOGIA SOCIAL CRÍTICA

Daniela Ribeiro Schneider'

Daniela Justino de Castro2

A SITUAÇÃO DO EXISTENCIALISMO MODERNO
A filosofia e a Psicologia produzidas pelo francês Jean-Paul Sartre, a partir da década de 40, embasaram-se, principalmente, no método fornecido pela Fenomenologia de Husserl, na antropo­logia (teoria do ser do homem) concretizada pelo Existencialismo de Kierkegaard e no horizonte epistemológico do Materialismo Histórico-Dialético. A síntese específica desses três elementos de­nomina-se Existencialismo Moderno. Apesar de advirem de di­ferentes horizontes culturais e epistemológicos, o Existencialismo Moderno e a Psicologia Social Crítica têm em comum a concep­ção histórico-dialética, o que abre uma grande possibilidade de interlocução entre esses saberes.

A busca de uma sistematização rigorosa para a filosofia fez com que o alemão Husserl (1859-1938) desenvolvesse um método para as ciências denominado Fenomenologia. Sua proposta fundamen­tal é o retorno ao mundo vivido, já que as filosofias de até então sustentavam seus conhecimentos em abstrações da realidade. O princípio central da Fenomenologia consiste, portanto, na "volta às coisas mesmas", sendo o conhecimento formulado a partir da des­ -


1 Psicóloga, professora da UFSC, mestre em Educação, com formação em Psicoterapia Fenomenológica-Existencial ista.

2 Psicóloga, psicoterapeuta infantil, com formação em Psicoterapia Fenomenológica-Existencialista.


criação da realidade concreta, deixando de lado pressupostos e preconceitos.

O dinamarquês Kierkegaard (1813-1855) construiu um siste­ma filosófico denominado Existencialismo, cujas concepções con­trapõem-se ao hegelianismo no fato deste negligenciar "a insuperá­vel opacidade da experiência vivida" (Sartre, 1987:115). Com isso, resgata a singularidade da existência do homem, ressaltando-o como ser concreto no mundo. Chama atenção, dessa forma, para a subjetividade como um componente irrevogável da realidade.

O Materialismo Histórico-Dialético, desenvolvido por Marx (1818-1883) e Engels (1820-1895), tinha também como ponto de partida a crítica à filosofia de Hegel, por esta ser uma dialética idealista, propondo a "inversão hegeliana", onde a base para se conhecer a realidade passa a ser a materialidade, mantendo, no entanto, a concepção dialética. O ponto de partida para a com­preensão da realidade humana deve ser sempre a História, pois o homem é um ser eminentemente histórico-social.
Não se trata, como na concepção idealista da histó­ria de procurar uma categoria em cada período, mas sim de permanecer sempre no solo da história real; não de explicar a práxis a partir da idéia, mas de explicar as formações ideológicas a partir da praxis material. (...) Mostra que, portanto, as circunstânci­as fazem os homens assim como os homens fazem as circunstâncias. (Marx, 1987:55-6)
Esta concepção compreende, portanto, a realidade como um processo histórico sempre em curso, onde as contradições são elementos constituintes. Assim, por exemplo, o homem é produto da história, ao mesmo tempo em que a produz. Desta forma, a

CADERNOS DE PSICOLOGIA NR 8

subjetividade não existe em si mesma, mas sempre como um pro­duto das relações sociais, ativamente apropriadas pelo sujeito.



O Existencialismo Moderno consiste na síntese desses três ele­mentos, constituindo, assim, uma filosofia e uma psicologia peculi­ares. Representa uma superação das filosofias idealistas e das psi­cologias mentalistas, bem como das filosofias materialistas clássi­cas e das psicologias objetivistas, na medida em que não se reduz ao determinismo das idéias, nem ao determinismo da matéria. Con­cebe, portanto, uma relação dialética entre a subjetividade e a ob­jetividade, que mesmo sendo aspectos da realidade irredutíveis entre si, ainda assim, não se sustentam um sem o outro.

O Existencialismo Moderno não pode ser confundido, também, com as filosofias e psicologias "existenciais" e/ou "humanistas" (Heidegger, Merleau-Ponty, Maslow, Boss, Rogers etc.), uma vez que rompe com o subjetivismo e o espontaneísmo que as caracte­riza, justamente por sua fundamentação histórico-dialética.

É exatamente essa sustentação epistemológica que aproxima o Existencialismo Moderno da Psicologia Social Crítica, uma vez que esta se caracteriza, por sua vez, pela crítica às psicologias subjetivistas e objetivistas. A concepção dialética da realidade, funda­mento de ambos, desdobra-se em uma visão do homem como um ser histórico-social, que só pode ser adequadamente compreendi­do a partir das suas relações materiais, culturais, enfim, sociais.

É desta proximidade que passaremos a falar, a seguir, destacando a teoria da personalidade como uma contribuição fundamental do Exis­

tencialismo Moderno para a Psicologia Social Crítica.




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