Crack – da pedra ao tratamento



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Introdução
O crescimento do consumo do crack no Brasil tornou-se um fenômeno de saúde pública sendo hoje chamado de ‘epidemia do crack’ (1,2,3).

Derivado da cocaína, que após ter seu uso liberado em tônicos gaseificados e vinhos no século XIX, foi proibida no século XX com o aparecimento de complicações em massa (4). Porém, a cocaína ressurge na década de 80, glamorizada e com uso recreacional.

Produzida na Colômbia, Peru, Equador e Bolívia é um estimulante do sistema nervoso central podendo ser injetada ou aspirada sob a forma de sal hidrossolúvel, o cloridrato de cocaína, ou ser convertido em sua forma alcalina, a pasta básica, ou o crack (5). A pasta básica chega a conter de 40 a 80% de cocaína.

O crack chega ao Brasil e, em 1989, há o primeiro relato de uso na cidade de São Paulo (1,3). Na década de 90 o uso da cocaína, incluindo o crack, tem sua escalada em todo o mundo, mas o crack permanece restrito a grupos marginalizados (4,6).

As graves consequências do consumo de cocaína e crack tornam-se conhecidas. Um estudo com 332 usuários de cocaína da cidade de São Paulo encontrou que 50% deles apresentavam alguma complicação, com 84% relatando calor e rubor, 76% tremores incontroláveis, 21% desmaios, 18% convulsões (4). Outras complicações como overdose, cardiovasculares, problemas respiratórios, infecção pelo HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis, hepatite C, promiscuidade sexual, suicídios, homicídios, quadros psiquiátricos, ou pobre saúde global também são relatadas (1,4,6,7).

A alta freqüência de mortes entre usuários de cocaína e crack tem chamado a atenção. Estima-se que na Europa, 1% a 15% das mortes relacionadas a drogas tenha relação com o uso de cocaína. Países como a Alemanha, Espanha, França e Hungria relatam índices de 8% a 12% de mortes caudadas por cocaína (6). O uso da cocaína é fator importante para as mortes por problemas cardiovasculares.

No Brasil, um estudo de follow-up, de 5 anos, com 131 usuários de crack encontrou que ao final deste tempo, 18,5% (n=23) dos pacientes haviam morrido. As principais causas de morte foram AIDS e homicídios, sendo 13 pacientes por homicídios e seis por AIDS (1,2). As causas externas são responsáveis pela morte de quase 70% (n=16) dos usuários de crack.

O crack é uma droga relativamente nova, com alto poder dependógeno e associação com a criminalidade. Apesar de dispormos de algum conhecimento sobre este fenômeno no Brasil, ele ainda é insuficiente tanto para o atendimento eficaz de seus usuários como para nortear políticas públicas de prevenção.

Buscando ferramentas úteis para o seu enfrentamento, este estudo tem como objetivo atualizar o conhecimento acerca do crack com ênfase na produção científica brasileira, mostrando também estudos em outros países, pelo desafio que ele representa para a prática clínica e programas de saúde. Foi realizada busca nas bases de dados MEDLINE, LILACS, BVS, CAPES, CEBRID, sciELO, Livraria Cochrane. Pela importância e abrangência do tema os autores estenderam-se e o artigo será apresentado em duas partes distintas.



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