Cosmovisão cristã o que é uma cosmovisãO? Introdução


Como se Forma uma Cosmovisão?



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1.3. Como se Forma uma Cosmovisão?

Uma cosmovisão é basicamente um conjunto de idéias. É inegável que as idéias tenham um importante papel na conformação da vida humana. Mas há teorias contemporâneas que negam a prioridade das idéias, submetendo-as a condições psicológicas, econômicas, sociais ou linguísticas. Na verdade a perspectiva que alguém sustenta a respeito da relação entre as idéias e a ação já reflete a sua cosmovisão! Na perspectiva materialista marxista, por exemplo, os blocos fundamentais da cultura estão ligados as condições materiais da vida. Opondo-se aos materialistas, os idealistas afirmam que estes blocos são as idéias.

Na perspectiva bíblica, a base da cultura se encontra em sua dinâmica religiosa e em suas expressões, tanto nas estruturas materiais da vida como nas idéias. Desse modo, concordamos em parte com os materialistas: as condições econômicas determinam em grande parte a forma de pensar e formam hábitos comportamentais difíceis de modificar sem ações de transformação. Também concordamos em parte com os idealistas: as idéias compõe os alicerces da cultura, onde todas as instituições vão se basear.

Entretanto, não podemos concordar com materialistas e idealistas localizando a base da cultura em idéias ou em condições materiais de vida. Como colocou muito bem Paul Tillich, em certa ocasião, “A religião é a essência da cultura, e a cultura a forma da religião”. É a orientação religiosa fundamental que guia a cultura. Essa orientação religiosa se expressa em conceitos e também em comportamentos.

Mas há um modo de experiência humana que tem a primazia na expressão da religião. Segundo James Olthuis, uma cosmovisão depende, para a sua validação e correção, de diversos modos de experiência humana. Nossa cosmovisão reflete nosso contexto histórico, intelectual, social, e psicológico. Mas há um modo de experiência humana que tem um papel chave na constituição de nossa visão de mundo: a fé. A fé é a dimensão da nossa vida que nos dá o horizonte último de todo o que somos e fazemos; ela tem o poder de organizar todas as nossas crenças e dar sentido a elas à luz do que consideramos supremo para nós.1

As questões últimas da existência, sobre a vida e a morte, o mal e o sofrimento, a natureza humana e o seu destino estão além do poder da razão. Por isso o homem sempre busca essas respostas esperando que elas "se revelem" de algum modo a ele. Nesse nível o homem se abre para o transcendente e espera que o sentido último venha a emergir diante dos seus olhos, exercitando fé Por essa razão podemos dizer que aquelas idéias mais centrais em nosso sistema de crenças, as que tem o poder de originar e dirigir nossa cosmovisão são recebidas por nós a partir da fé.

Dito isto, devemos admitir que diferentes condições de vida afetam profundamente o sistema de crenças de alguém. Para que uma cosmovisão tenha sucesso em orientar a vida, ela deve ser capaz de iluminar a experiência apontar caminhos. Ou seja: ela deve ser consistente com os fatos da experiência. Como as condições da experiência variam bastante, temos às vezes cosmovisões (no sentido de conjunto total de crenças) divergentes emergindo dos mesmos compromissos básicos de fé. A visão de mundo Anabatista, por exemplo, é diferente da visão de mundo Calvinística. Naturalmente, é legítimo perguntar qual cosmovisão está mais de acordo com a Bíblia. Mas também devemos admitir que condições de experiência diferentes podem levar a diferentes ênfases e novas descobertas sobre a verdade bíblica.

Que tipo de experiência pode afetar nossa cosmovisão? A vida emocional, por exemplo. Sentimentos enraizados de abandono podem afetar a integridade da fé. Pessoas que foram submetidas ou testemunharam abusos freqüentes de autoridade podem moldar sua cosmovisão de tal forma que o poder seja sempre identificado com o mal. Pessoas que nunca conheceram a miséria e a exploração de perto podem adotar uma visão otimista da sociedade e apoiar teorias econômicas liberais. Conflitos pessoais podem causar uma ruptura entre o que é confessado na fé e a prática, e alguém pode tentar fechar essa brecha alterando não a prática, mas a confissão de fé. A vida social também pode nos levar a uma alteração de cosmovisão. O desejo de manter privilégios sociais pode nos levar a adotar posturas que justificam a opressão. Ou podemos ser levados a aceitar como corretos certos comportamentos imorais devido à pressão da maioria.

Temos então que a cosmovisão tem sempre duas fontes: (1) nossas crenças fundamentais, fornecidas pela orientação religiosa fundamental, através da fé, e (2) nossas experiências e condições de vida, incluindo condições materiais, sociais, emocionais, intelectuais, etc. Podemos dizer que ela serve como um mediador entre a fé e essas condições de vida:

Como a figura indica, é preciso admitir que comportamentos e práticas sempre surgem associados a idéias, e que estas tem o poder de gerar comportamentos. Ou seja, mesmo não sendo independentes das condições da experiência, as idéias tem uma função “mediadora” na vida humana, através de nosso sistema de crenças que orienta o comportamento.

O sistema de crenças da coletividade compõe sua cosmovisão, aquilo em que o povo acredita e a forma como interpreta a realidade. Tudo o mais em sua vida será grandemente determinado por esse sistema: o valor do ser humano para aquela cultura, a família, os relacionamentos, as leis, questões de ética, o valor da ciência e do trabalho, questões da moral e da justiça, modelos econômicos, a importância de Deus na sociedade, etc.




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