Correção da ficha de trabalho de grupo 16 de Psicologia B. A procura da Mente. Problemas e conceitos estruturadores da Psicologia



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Correção da ficha de trabalho de grupo 16 de Psicologia B. A Procura da Mente. Problemas e conceitos estruturadores da Psicologia.

1. A Psicologia é a ciência que investiga o comportamento e os processos mentais, quer dos seres humanos, quer dos animais.

2. O comportamento é exterior e pode ser observado objectivamente pelos outros, enquanto os processos mentais são interiores e só o próprio sujeito os pode observar. O comportamento refere-se a qualquer acto efectuado pelo organismo, que é passível de ser observado e registado. Os processos mentais são experiências internas e subjectivas inferidas a partir dos comportamentos.

3. A Psicologia, como qualquer outra disciplina científica, partilha com as demais ciências os seguintes objectivos gerais: 1 – Descrever comportamentos e processos mentais. 2 – Explicar esses comportamentos e processos. 3 – Prever comportamentos. 4 – Controlar as circunstâncias em que ocorrem os comportamentos.

4. As dicotomias conceptuais, no domínio da Psicologia, têm que ser vistas de duas maneiras. Por um lado, podem evidenciar e ajudar a definir determinados conceitos e teorias. Por outro, elas são formas de ver exageradas e simplistas, conduzindo a explicações redutoras dos assuntos em discussão, por exemplo, reduzir a discussão da inteligência a uma dicotomia genética-factores de aprendizagem. É devido a esta limitação do uso das dicotomias que as tendências actuais da Psicologia passam pela procura de explicações holistas, integradas, que apresentam uma visão mais global dos problemas. As dicotomias devem ser ultrapassadas pelo holismo.

5. O exemplo da polémica entre o papel da hereditariedade e do meio na explicação do comportamento inteligente é relevante. Defender uma perspectiva inatista consistiria então em considerar a inteligência um talento, ou uma vocação, como resultantes de caracteres hereditários (por exemplo, a aptidão inata para a inteligência musical tem sido detectada em famílias como os descendentes de Bach), negando qualquer contributo do meio. Mas, também se pode defender o seu carácter adquirido. Neste caso, a inteligência e a sua formação será explicada a partir das influências do meio ambiente. As experiências vividas, as aprendizagens, o treino e a educação, a prática continuada, são apresentados como factores responsáveis pela manifestação do comportamento inteligente e pelo seu maior ou menor grau.

6. Os conceitos de consciente e inconsciente estão por detrás de uma perspectiva psicológica centrada numa dimensão interior do homem: o estruturalismo de Wundt valoriza a dimensão consciente dos fenómenos da mente; por sua vez, a psicanálise de Freud valoriza o papel das forças ou pulsões do inconsciente na explicação dos processos mentais. O comportamento é a base de investigação de uma perspectiva centrada numa dimensão externa, suportando as teorias behavioristas de John Watson, Skinner e Albert Bandura. Finalmente, os conceitos de cognição e mente estão relacionados com perspectivas psicológicas holistas e integradoras: o cognitivismo de Jean-Piaget integra o indivíduo-meio, inato-adquirido, interno-externo; o mentalismo de António Damásio integra os pares de conceitos corpo-mente, intelectual-afectivo, razão-emoção.

7. Wundt foi o fundador da Psicologia científica com a criação, em 1879, na cidade de Leipzig, do primeiro laboratório de psicologia experimental do mundo, onde se dedicou a investigar a consciência e os seus fenómenos. Para o efeito, provocava sensações em pessoas, interrogando-as acerca do que sentiam. As pessoas tinham que se auto-analisar e relatar o que se passava com elas, processos que são sempre acompanhados de subjectividade. Para contornar esta limitação do método introspectivo, Wundt só o aplicava em laboratório e em situações que pudessem ser controladas por si próprio. O papel de Wundt foi importante, conseguiu de algum modo acelerar a separação da psicologia relativamente à filosofia, todavia, muitos críticos consideram que foi um passo em falso, uma vez que quer ao nível do objecto de pesquisa (só adultos conscientes treinados), quer ao nível do método (alvo de limitações e críticas severas), a Psicologia científica não se afirmou com Wundt, mas mais tarde, em 1913, com John Watson.

8. O método introspectivo é uma espécie de análise interior, distinguindo-se dela por ser mais rigorosa e ser feita com objectivos científicos. Neste processo introspectivo-experimental tomam parte duas pessoas: o sujeito que se observa a si próprio e descreve o que se passa no interior da sua mente consciente, e o psicólogo, observador experimental, que anota e interpreta os resultados.

9. Wundt é um psicólogo estruturalista porque o seu objectivo é a compreensão da estrutura global da mente. Se decompõe a consciência nos seus elementos mais básicos, as sensações, fá-lo simplesmente por questões de estratégia da investigação. O objectivo de Wundt é explicar a estrutura da vida psicológica centrada na mente consciente. Se pretende descobrir associações entre as sensações, fá-lo para descobrir o funcionamento estrutural da mente.

10. Em relação ao método introspectivo de Wundt podem apresentar-se as seguintes 3 críticas: 1 – É difícil separar o observador do «objecto» observado, pois são um e o mesmo – o observador, de facto, não consegue observar-se a si mesmo de um modo objectivo, pois está implicado no próprio processo de auto-observação. 2 – Quando se descrevem os fenómenos psíquicos, eles já ocorreram. Tem que se recorrer à memória, o que provoca distorções. 3 - A tomada de consciência de um fenómeno altera esse fenómeno. A análise racional de um facto psíquico reduz os seus componentes afectivos. 4 – É impossível observar a consciência de outrem, pelo que é um processo que dificilmente é controlado por outros observadores. 5 – Os sujeitos podem não dispor de linguagem apropriada para transmitir o que se passa no seu interior e, além disso, as pessoas têm linguagens diferentes para descrever o mesmo fenómeno. 6 – Não se aplica a factos de natureza fisiológica. 7 – Não se aplica no âmbito da psicologia infantil, da psicologia patológica, nem da psicologia animal. 8 – Não permite observar o inconsciente.

11.Freud considera a mente humana semelhante a um iceberg. A parte emersa corresponde ao consciente, composto pelas noções, ideias, lembranças, imagens que a pessoa é capaz de evocar e utilizar no seu quotidiano. A suportar esta parte, existe uma outra, debaixo de água, imersa, que Freud compara ao inconsciente. Este é composto por pulsões, traumas e desejos socialmente inaceitáveis que, aprisionados e recalcados, anseiam manifestar-se, só o podendo fazer sob forma disfarçada. A pressão que exercem sob a dimensão consciente é perturbadora, estando na origem de distúrbios emocionais. Freud valoriza o inconsciente, instância psíquica a que não temos acesso, mas em que residem pulsões básicas, como «eros» e «thanatos», que comandam de um modo sub-reptício toda a nossa vida psicológica.

12. O aparelho psíquico é uma estrutura que se divide em três subestruturas que interactuam umas sobre as outras, mas com papéis específicos: id, ego e superego. O id é constituído por impulsos biológicos como a fome, a sede, e o sexo, que exigem satisfação imediata. Constitui a base da sobrevivência individual e da continuidade da espécie. O superego é formado pela interiorização das regras impostas pelos pais e pela sociedade em geral. O superego tem carácter ideal e é o fundamento da moral. O ego é a instância consciente e tem por função tomar as decisões quanto à resolução do conflito travado entre o id e o superego. Trata-se do elemento racional da personalidade.

13. No centro do nosso psiquismo, trava-se um conflito dinâmico entre duas instâncias da personalidade: o id e o superego. O id é totalmente inconsciente e é a componente básica da personalidade, representando o que há de mais primitivo no homem. Centro da libido, ou energia psíquica instintiva, o id é capaz de suportar tensões, só obedecendo ao princípio do prazer, o que o impulsiona a agir e o faz reduzir de imediato as tensões dolorosas. Com o id rivaliza o superego, que é a instância moral, ou ideal, da personalidade. Formado pela interiorização dos valores sociais e culturais, conflitua com os impulsos biológicos, sexuais e agressivos do id. O superego tem ainda por funções pressionar o ego no sentido de substituir os objectivos imorais por morais. O ego é o mediador de ambos. Operando de acordo com o princípio da realidade, o ego tenta moderar o id, e retardar a gratificação imediata que o princípio do prazer exige. Essencialmente consciente, é a instância executiva da personalidade: selecciona as situações a que a pessoa tem de responder, controla a acção, e decide o modo como as necessidades pessoais podem ser satisfeitas.

14. O método psicanalítico consiste num conjunto de processos, ou de técnicas de análise, que visam trazer à consciência das pessoas os impulsos, os complexos, os traumas, e as frustrações, tudo material recalcado no inconsciente (pois foram eventos causadores de grande ansiedade psíquica) e que lhes provocavam distúrbios psico-emocionais e comportamentais. Entre os processos de libertação do inconsciente, o psicanalista pode recorrer à associação livre, à análise dos sonhos e ao estudo da relação de «transferência» (o «transfert», que é bidireccional entre a pessoa do analista e do paciente). Este método assenta no pressuposto de que uma vez que o sujeito tome consciência do que se passa no inconsciente, as pulsões libertam-se, deixando de perturbar a pessoa. Trata-se pois de um método com intencionalidade terapêutica, sem recurso a fármacos químicos, mas onde a palavra, o discurso do analista, assume o papel de «pharmakon», tal como na Grécia Clássica.

15. A noção de comportamento foi concebida pelo psicólogo norte-americano John Watson e designa o «objecto» de estudo da psicologia científica através de métodos de observação rigorosos e experimentais. O comportamento não é mais do que um conjunto de respostas, ou reacções, que um organismo dá perante uma dada situação ou conjunto de estímulos. Watson defendia que havia uma relação de causa-efeito (causalidade) entre as reacções do sujeito e as situações do meio ambiente. Ao detectar esta relação de causa e efeito entre estímulo-reacção, acreditava Watson, era possível determinar as leis explicativas e formular predições sobre o comportamento.

16. O behaviorismo, ou comportamentalismo, assenta em pressupostos positivistas (só os factos públicos e observáveis podem ser objecto de conhecimento e de verificação experimental) que, basicamente, são os seguintes: 1)- A Psicologia tem que ser objectiva; 2) – Deve estudar o comportamento observável e não a consciência e os seus fenómenos; 3) – O comportamento reduz-se a respostas objectivas a estímulos também objectivos; 4)- Entre situação e reacção existem relações mecânicas que permitem chegar a leis; 5) – As leis permitem prever e controlar os comportamentos; 6) – Não há diferença entre psicologia humana e psicologia animal; 7) – A psicologia deve recorrer à experimentação para efectuar generalizações.

17. A inteligência é uma forma do indivíduo se adaptar ao meio ambiente, vivendo em harmonia com ele. Segundo Piaget, a adaptação implica dois processos antagónicos mas complementares entre si: a assimilação e a acomodação. A assimilação consiste na integração dos dados exteriores nas estruturas dos sujeitos; por sua vez, a acomodação é a modificação das estruturas do sujeito em função das imposições do meio ambiente. O primeiro processo é uma tendência egocêntrica, que conduziria à alteração do mundo exterior, pondo-o de acordo com o querer do sujeito. Como isso não é possível, e o sujeito só subsiste se adaptado, tem que pôr em acção a tendência inversa, que é modificar-se em função dos imperativos externos. O equilíbrio destes dois processos garante, segundo Piaget, uma adequada adaptação.

18. Piaget considera a existência de quatro factores fundamentais de desenvolvimento intelectual: 1)– A hereditariedade, isto é, a maturação orgânica é o factor básico de toda a evolução, quer ao nível das estruturas músculo-esquelécticas, quer ao nível da própria fisiologia do sistema nervoso, em particular, na cerebralização. 2)- A experiência física, as acções sobre os objectos é que vão originar, depois de interiorizadas, as operações mentais. 3)- A transmissão social, pois é necessário assimilar o que é transmitido por meio da educação; 4)- A equilibração. De acordo com Piaget, os três factores anteriores devem articular-se, de modo a participarem de forma equilibrada no desenvolvimento cognitivo. Pretende-se que em cada fase específica do desenvolvimento do pensamento infantil exista uma tendência para um equilíbrio progressivamente superior.

19. O período sensório-motor, que decorre entre o nascimento até sensivelmente aos 18-24 meses, é a fase da ação, das percepções e dos movimentos, que se organizam em esquemas ou estruturas de reacção ao meio ambiente. Ainda não há operações ou pensamento organizado, mas há inteligência, de âmbito prático, e que se manifesta pela manipulação e uso adequado dos objectos, e não por competências representativas ou simbólicas.

20. A função simbólica é na teoria de Piaget uma capacidade intelectual manifestada pela criança durante o seu período de desenvolvimento, decorre no período crítico do desenvolvimento que Piaget chamou de pré-operatório, quer dizer, antes do desenvolvimento das operações mentais. A criança desenvolve o seu pensamento, o qual é uma ação interiorizada, e que passa a assumir uma capacidade de simbolização – a criança aprende a representar, isto é, a substituir uma coisa por outra: ao falar, ao brincar ao faz-de-conta, ao desenhar, enfim, ao usar a linguagem, a criança desenvolve todo um simbolismo. A criança representa ações ou objectos através de símbolos e descobre que a linguagem possui uma capacidade mágica de dar nomes e vida às coisas. Assim, uma criança pela função simbólica, descobre que as palavras são símbolos para as coisas, ao desenhar uma roda, dirá que é um carro, no jogo simbólico, a criança dirá que um pau é um cavalo ou um avião a jato, conforme lhe apetecer – o simbolismo liberta na criança o poder da imaginação. Por isso, na função simbólica, a criança fala com os seus brinquedos, ralha à boneca, porque esta se portou mal, improvisa uma floresta, com animais e árvores no seu próprio quarto. A função simbólica permite à criança começar a construir o seu mundo imaginário.

21. Segundo o psicólogo suíço Jean-Piaget, a noção de operação mental significa uma ação interiorizada, isto é, a ação que a criança exercia na manipulação dos objectos passa a ser executada no interior da mente e segundo esquemas intelectuais. O desenvolvimento intelectual segundo Piaget faz-se do concreto para o abstrato, da experiência para a mentalização e conceptualização, ou seja, no princípio é a ação, o domínio prático do fazer ligado à perceção direta do real, manipulado pela criança. Depois, a interiorização da ação passa para o plano da representação mental, a operação exige a manipulação mental de símbolos ou representações de objectos.

22. Segundo Piaget, a reversibilidade mental é a capacidade que a criança manifesta de regressar mentalmente ao ponto de partida quando se encontra perante um problema e consegue mostrar a sua resolução. Esta característica prova, para Piaget, que a criança é já capaz de pensar de modo lógico, operando intelectualmente com símbolos e representações. Se a criança sabe que 2+2=4 também é capaz de mostrar de modo reversível que 4-2=2. A reversibilidade das operações aritméticas é uma aquisição intelectual da criança no sentido de uma progressiva abstração lógica.

23. Para Jean-Piaget as operações mentais são concretas ou abstratas e mostram níveis diferentes do desenvolvimento intelectual infantil. As operações concretas situam a criança no início da sua escolaridade básica, pois esta está ainda muito presa à perceção sensível, ao plano da experiência, precisa de manipular objetos, contar pelos dedos, apoiar-se em imagens, desenhos, etc. Por sua vez, as operações formais revelam a capacidade mais elevada de abstracção, de pensar sobre o próprio pensamento, de especular sobre hipóteses meramente teóricas e dando largo voo à imaginação. A partir do 4º/5º ano de escolaridade, o jovem adolescente começa a dominar os raciocínios de tipo hipotético-dedutivo, o pensamento formal ou especulativo.

24. António Damásio é um célebre neurocientista português que contestou vivamente a dualidade cartesiana corpo-mente, mostrando que é impensável estudar o funcionamento da mente a partir dessa cisão ou dicotomia substancialista. Em vez de um dualismo corpo-mente, António Damásio propõe uma outra abordagem da mente, da sua composição ou natureza, e funcionamento: a mente é aquilo que o cérebro faz e como vivemos num mundo físico, a mente é também uma realidade física inseparável da sua base orgânica. A mente é no fundo um facto físico entre outros factos físicos e só há na realidade uma única substância: matéria viva, o cérebro, base de todos os processos mentais. Tudo é físico e nada mais do que físico, e deste modo o estudo das funções cerebrais e a complexidade do comportamento humano dependem de cadeias nervosas neuronais que só agora se encontram acessíveis à experimentação científica. O princípio básico da mente, para Damásio, parece ser pois uma espécie de monismo fisicalista.

25. António Damásio defende um conceito de unidade integrada da mente humana: a base para o entendimento da mente e dos seus processos é orgânica, física, e nenhuma função pode ser vista de um modo compartimentado, como se entendia erradamente a partir da dicotomia corpo-mente cartesiana, isto é, um cérebro capaz de pensar mas isolado das emoções. Ao invés desta conceção dualista clássica da mente, António Damásio propõe uma visão holista das funções cerebrais, quer dizer, o cérebro funciona como um todo unificado, em que as diversas funções, como pensar e sentir, interagem entre si, não sendo possível separar o pensamento da dimensão emocional da mente. Com efeito, da investigação feita por António Damásio em pacientes que sofreram lesões cerebrais, um deles, Elliot, revelava como uma mente puramente racional (mas incapaz de sentir ou de experimentar emoções) era perfeitamente inútil para tomar decisões das mais básicas para viver normalmente no quotidiano.

26. As emoções têm como função básica preparar o organismo para respostas rápidas e eficazes, como acontece em situações de perigo, sem que haja tempo para reflectir: os atos reflexos, as reacções de alarme, são disso um bom exemplo. Por sua vez, os sentimentos são emoções racionalizadas e socialmente aprendidas e treinadas culturalmente, remetem para respostas ponderadas em situações que envolvem um cálculo ou previsão dos seus efeitos nas interacções sociais: os sentimentos são usados como uma espécie de capacidade de antecipação e previsão dos problemas e uma forma de conceber soluções novas.

27. A mente pode ser comparada com o funcionamento de um computador, e esta tendência de comparação foi pioneira e tentadora na forma como os psicólogos cognitivistas desenvolveram a sua abordagem das funções da mente humana: o cérebro é o suporte material, o hardware, ao passo que os vários processos mentais são análogos a programas informáticos, ao software. No fundo, a ideia é que a mente e o computador funcionam segundo os mesmos princípios básicos: há entrada de informação, processamento, e resposta. O essencial da mente é assim cálculo, computação, capacidade de processar torrentes de informação e o seu funcionamento regula-se por leis de tipo lógico e matemático, como se houvesse uma espécie de sintaxe para entender a mente humana. A analogia da mente com o computador é bastante tentadora, simplesmente, segundo os seus críticos, e como veremos na próxima questão, é uma analogia limitada e fraca.

28. Segundo o psicólogo Jerome Bruner, a mente humana só pode ser explicada numa perspectiva mais abrangente e que inclua as variáveis relacionadas com o indivíduo, a sociedade e a cultura. Por este motivo, Bruner argumenta contra a perspectiva computacional da mente e apresenta as seguintes razões centrais: 1 – A visão de que o cérebro é como um computador é uma explicação demasiado redutora e pobre. 2 – A mente humana não é apenas um sistema sintático e lógico, mas é sobretudo semântica, a capacidade de atribuir significado às coisas (uma máquina capaz de cálculos complexos até é superior ao ser humano em rapidez, mas jamais entende o que está a fazer e para quê, com que propósito). 3 – A teoria computacional da mente é demasiado mecânica, está afetada dos mesmos vícios do behaviorismo, que reduziu o estudo da psicologia apenas ao comportamento observável: não somos meras máquinas passivas da realidade, pois existem aspectos vivenciais, simbólicos e carregados de sentido pessoal, como o uso da linguagem, que são o resultado da cultura e dos padrões culturais específicos de cada sociedade humana.

29. Bruner concebeu a mente humana como uma capacidade complexa de atribuir significados ao mundo, ou seja, é uma capacidade essencialmente produtora de significados – semântica. A produção simbólica que forma a mente não é arbitrária, resulta antes de um processo de aprendizagem social e de incorporação dos padrões de cultura específicos em que o ser humano se desenvolve. Existe todo um património comum, fruto da história e das aquisições simbólicas, como a linguagem e os costumes, rituais, tradições e comportamentos, que fazem parte da semântica mental de cada indivíduo. A mente é o resultado de um processo simultaneamente histórico e cultural, habilitando cada indivíduo a construir narrativas sobre o mundo envolvente.

30. A psicologia é uma ciência dos significados no sentido em que o homem é compreendido como um ser produtor e reprodutor de símbolos culturais: esta tendência da psicologia é a capacidade de descobrir as narrativas e significados próprios que cada indivíduo concebeu para interpretar as suas vivências e o mundo em que vive – compreender a mente de uma pessoa, a sua individualidade e complexidade, é para a linha da psicologia que se constitui como ciência dos significados o essencial: somos seres culturais e sociais e usamos símbolos para decifrar o mundo em que vivemos e a nossa própria personalidade. A história pessoal de vida, de que cada um de nós é o seu autor, representa para o psicólogo a narrativa que importa estudar e descodificar quanto à sua simbólica.

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