Copa do mundo de 1958: tensões sociais na tentativa de modernizaçÃo do futebol brasileiro


Plano Paulo Machado de Carvalho: a montagem de uma equipe que representasse a ideologia da elite local



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O início deste planejamento foi baseado nas observações dos argumentos apresentados para as derrotas do futebol brasileiro nas Copas de 1950 e 19544. Pode-se dizer que era praticamente unânime o posicionamento expresso por intelectuais como Mário Filho, Nelson Rodrigues e João Lyra Filho de que o problema estava no homem brasileiro e não na falta de técnica do jogador. Como fica explícito na crônica de Nelson Rodrigues (1993):

Para nós, o futebol não se traduz em termos técnicos e táticos, mas puramente emocionais. Basta lembrar o que foi o jogo Brasil X Hungria, que perdemos no Mundial da Suíça. Eu disse “perdemos” e por quê? Pela superioridade técnica dos adversários? Absolutamente. Creio mesmo que, em técnica, brilho, agilidade mental, somos imbatíveis. Eis a verdade: - antes do jogo com os húngaros, estávamos derrotados emocionalmente. Repito: fomos derrotados por uma dessas tremedeiras obtusas, irracionais e gratuitas. Por que esse medo de bicho, esse pânico selvagem, por quê? Ninguém saberia dizê-lo (p. 34).
Diante desta visão tornava-se premente transformar a administração intuitiva em algo racionalizado, pois só desta maneira seria possível conseguir os resultados esperados. Isso foi fator preponderante para que um dos primeiros cuidados estabelecidos pela CBD fosse voltado para o estereótipo do jogador brasileiro, uma vez que a preocupação era apresentar ao mundo um país desenvolvido, fato este que levou os atletas a realizarem inúmeros testes de saúde, a arrumar os dentes e a controlar os seus impulsos nervosos. Como destaca Ernesto Rodrigues (2007), ao relatar sobre este planejamento: “O relatório de Havelange não deixava dúvidas – Quem não se ajustasse ao programa que fizemos com a ajuda de médicos e psicólogos seria cortado da seleção. Só iria para a Copa da Suécia quem estivesse mentalmente preparado” (p. 63).

Já de início é possível verificar que os jogadores foram conduzidos a regular a sua conduta, agindo de maneira estável e uniforme, o que não quer dizer que as ações foram conscientes, mas foram aceitas e reproduzidas de forma automática, principalmente pela forte influência da coerção empregada pelos membros do CTF. Neste sentido percebe-se certa semelhança entre o autocontrole dos jogadores, almejado pelo PPMC e alguns aspectos apontados por Norbert Elias ao tratar do Processo Civilizador (1993)5, principalmente quando este autor destaca que é fundamental perceber a mudança de equilíbrio entre coerções externas e internas, pois a medida que os indivíduos vão incorporando as exigências diminui-se as oscilações das disposições individuais e o controle das expressões emocionais, tornam-se mais confiáveis (MENNELL, 1998, p. 245-246). Para perceber estas relações tensivas vamos analisar uma das categorias que emergiram do PPMC, a qual refere-se diretamente a forma com que os atletas deveriam agir no momento em que estivessem representando o selecionado nacional.






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