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participantes do evento verbal (Hopper, 1985; Santana, 2005; Camacho 2007 e 2009)



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participantes do evento verbal (Hopper, 1985; Santana, 2005; Camacho 2007 e 2009). 
Discutimos  também  a  importância  das  nominalizações  deverbais  para  o  texto 
acadêmico,  analisando-as  como  instâncias  de  metáforas  gramaticais  (Halliday  e 
Matthiessen, 2004). Por fim, procuramos apontar para uma possível nova centralidade 
no ensino de português acadêmico, baseada na análise de dados empíricos da língua.  
 
 
PALAVRAS-CHAVE:  nominalizações;  estrutura  argumental  do  nome,  metáfora 
gramatical 
 
 
Motivações iniciais do estudo  
 
No  quadro  teórico  da  linguistica  cognitivo-funcional,  ou  da  Linguística 
Funcional Centrada no  Uso (LFCU),  entende-se que  a  gramática molda-se a partir do 
                                                 
24  Este  artigo  é  um  recorte  de  um  projeto  maior,  intitulado  CAPB,  Corpus  Acadêmico  do  Português 
Brasileiro, desenvolvido em parceria com Aparecida Araújo (UFV), cujas contribuições para este texto 
foram muito importantes.  
25  Doutorado  em  Letras  pela  Universidade  Federal  de  Minas  Gerais  -  UFMG  (2006).  É  professora  da 
pós-graduação  (Poslin)  da  FALE  -UFMG.  É  Coordenadora  da  Especialização  em  Inglês  e  da  Área  de 
Língua  Inglesa  da  FALE-  UFMG.  É  também  Coordenadora  Pedagógica  do  Programa  Inglês  sem 
Fronteiras (IsF- MEC CAPES SESu) na FALE UFMG. Contato: adornomarciotto@gmail.com
 
 
26  Doutorado  em  Applied  Linguistics  -  Mary  Immaculate  College,  University  of  Limerick  (2010). 
Atualmente  é  professor  adjunta  III  da  Universidade  Federal  de  São  João  Del-Rei  e  faz  parte  do  corpo 
docente do Mestrado em Letras. (UFSJ) Contato: bmalveira@yahoo.com.br  
27 (UFMG) 
Atas do 
96,0(/36Lmpósio Mundial de Estudos de Língua Portuguesa 


Simpósio 22 – Questões semântico-sintáticas na pesquisa e no ensino da língua portuguesa 
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uso,  em  situações  de  comunicação  efetiva.  Na  LFCU,  a  gramática  resulta  da 
regularização  de  estratégias  comunicativas,  que  decorrem  de  pressões  cognitivas  e 
interacionais.  Essas  regularidades  observadas  são  explicadas  por  meio  das  condições 
discursivas  em  que  um  determinado  uso  linguístico  ocorre,  bem  como  pelas  pressões 
cognitivas envolvidas (Furtado da Cunha et al. 2013). 
A  razão  principal  para  a  escolha  de  deverbais  neste  trabalho  reside  no  fato  de 
que, ao nominalizarmos um verbo, os termos resultantes desse processo – deverbais do 
tipo  XÇÃO,  no  caso  deste  estudo  –  tendem  a  preservar  os  argumentos  exigidos  pelo 
verbo original (verbo input) em sua estrutura argumental nominal. Esse processo ocorre 
porque  os  verbos  são  elementos  centrais  para  a  predicação  e,  ao  mesmo  tempo,  são 
‘incompletos’ do ponto de vista semântico, tendo que selecionar, sempre, um, dois ou 
até três elementos com  os quais formam relações de transitividade. Essa característica 
de  ‘incompletude’  se  mantém  após  o  processo  de  nominalização,  resultando  na  que 
pode ser entendido como a valência argumental do nominal (De Bona, 2014).  
Por  outro  lado,  assim  como  ocorre  na  transitividade  verbal,  a  expressão  dos 
argumentos da valência nominal pode variar no uso real da língua. Essa variação é, em 
geral, motivada por (a) fatores discursivos, relativos ao fluxo informacional do texto; (b) 
fatores ligados ao conhecimento de mundo dos interlocutores; (c) fatores associados ao 
conhecimento de curto prazo disponível na interação, recuperado pragmaticamente pelo 
contexto  comunicativo  imediato  (Camacho,  2007).  Na  manutenção  (ou  não)  dos 
argumentos no nome, desempenham papel importante também os processos anafóricos 
em geral, incluindo a anáfora zero
28
.  
 No  texto  escrito,  especialmente  no  âmbito  acadêmico,  as  nominalizações 
deverbais  representam  um  construto  importante,  que,  acreditamos,  mereça  análise 
específica,  justificada  por  3  fatores  principais:  (a)  a  alta  frequência  de  uso  de 
nominalizações  em  textos  acadêmicos;  (b)  a  necessidade  descrição/explicação  das 
regularidades observadas nesse processo, com base nos aspectos discursivo-pragmáticos 
e semântico-cognitivos nele envolvidos; (c) a importância de investigar esse fenômeno 
em  Português  Brasileiro  (PB).  A  seguir,  o  aporte  teórico  central  deste  estudo  será 
apresentado. 
                                                 
28  Uma  informação  do  texto,  codificada  em  SN,  uma  vez  introduzida,  pode  ser  retomada  por  um 
pronome, pela anáfora zero, ou referida, pelo mesmo ou por outro nome. Tradicionalmente, a expectativa 
é de que a seguinte escala  seja seguida:  SN
 pronome   anáfora-zero. Do ponto de vista discursivo, 
essas retomadas são vista de modo mais abrangente, como parte do processo de construção das entidades 
do discurso (Silva, 2007). 


Simpósio 22 – Questões semântico-sintáticas na pesquisa e no ensino da língua portuguesa
 
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As nominalizações deverbais e sua estrutura argumental 
 
A nominalização é tradicionalmente descrita como um processo morfológico em 
que  uma  raiz  não  nominal  é  transformada  em  nome.  Mais  que  isso,  de  acordo  com 
Givón (2001), a nominalização é um processo pelo qual uma oração finita é convertida 
em  um  nome.  Nesse  processo,  o  termo  nominalizado  normalmente  ocupa  uma 
função/posição  prototípica  do  SN  (sintagma  nominal),  por  exemplo,  o  termo  passa 
ocupar  a  posição  de  sujeito,  de  objeto  ou  de  complemento  do  sujeito  em  uma  outra 
oração, sendo, pois, um termo encaixado.  
A  complexidade  do  termo  nominalizado  costuma  refletir,  de  algum  modo,  os 
termos da oração de que lhe dá origem. Diante disso, a nominalização é vista como um 
processo  sintático,  cujos  ajustes  principais  estão  sumarizados  nos  movimentos  (a-e, 
conforme Hopper e Thompson, 1984), que podem também ser observados no seguinte 
exemplo: 
Oração finita: José se relaciona muito bem com seus vizinhos  
 
Termo nominalizado: . A ótima relação de José com seus vizinhos. 
a. 
há perda de marcação de tempo, aspecto e modalidade 
b. 
há perda da marcação de concordância pronominal 
c. 
o sujeito/objeto da oração de origem adquire marcação de caso genitivo 
d. 
os determinantes do SN são adicionados 
e. 
os advérbios são normalmente convertidos em adjetivos 
Em uma descrição formal, a relação entre as estruturas semântica e sintática dos 
nominais  pode  ser  formalmente  previsível,  como  os  processos  (a-e)  indicados 
anteriormente demonstram. No entanto, nas situações de uso da língua, a estruturação 
sintática dos nomes, no que diz respeito à sua atualização na oração, pode variar muito, 
conforme já indicado aqui.  Um dos fatores envolvidos nessa variação, além dos outros 
já  mencionados,  mais  ligados  ao  fluxo  informacional,  é  o  grau  de  formalidade  dos 
textos em que as nominalizações aparecem. A alta frequência dos deverbais nos textos 
formais, em geral escritos, ocorre porque as nominalizações veiculam ideias abstratas e, 
sendo  semântico-cognitivamente  complexos,  aproximam-se  do  modo  sintático  de 
comunicação  (Givón,  2001),  ligado  a  textos  mais  elaborados,  ou  mais  formais, 
produzidos com planejamento e sob menor tensão/urgência comunicativa. Diante desses 
aspectos, a falta de expressão de um  ou mais  argumentos de um deverbal está ligada, 


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também,  ao  domínio  discursivo  mais  formal  em  que  estes  aparecem,  e  o  leitor  mais 
experiente  pode  lançar  mão  de  mecanismos  variados  para  recuperação  de  possíveis 
lacunas argumentais.  
Em  relação  à  formação  dos  deverbais,  Basílio  (2006) afirma  que,  do  ponto  de 
vista semântico, a formação de nomes a partir de verbos possibilita uma condição ideal 
para  a  designação  genérica  de  eventos.  Desse  modo,  é  possível  mencionar  o  evento 
verbal sem a especificação do seu tempo, ou de seu agente, fazendo referência a uma 
estrutura verbal já previamente utilizada no texto. Segundo Basílio (op. cit.), as formas 
nominalizadas permitem representar de modo unificado, e através de uma única palavra, 
toda uma proposição.  
Há também  operações  sintáticas  variadas  em  uma  nominalização,  em  especial, 
aquela  em  que  o  verbo  de  origem  se  transforma  em  núcleo  do  SN.  Nos  deverbais 
analisados  neste  estudo,  observa-se  a  mudança  categorial  operada  na  base  através  do 
sufixo  -ÇÃO:  de  verbo,  passa-se  a  substantivo.  De  acordo  com  Rocha  (2003,  p.126), 
poderíamos entender o produto dessa transformação, ou o nome deverbal, como o ‘ato, 
efeito, processo ou estado de X’. 
Na seção seguinte, o papel das nominalizações como metáforas gramaticais será 
discutido, com vistas a entender seu papel nas relações semânticas e léxico-gramaticais 
presentes na instância discursiva. 
 
 
As nominalizações como metáforas gramaticais 
 
Como  vimos  na  seção  anterior,  em  uma  nominalização,  os  processos  verbais, 
codificados de modo congruente como verbos, são recodificados como nomes (Halliday 
e  Matthiessen,  2004).    Dito  de  outro  modo,  na  proposta  de  Halliday  e  Matthiessen 
(2004),  os  ‘processos  verbais’  são  tipicamente  (ou  ‘congruentemente’)  codificados 
como  sintagmas  verbais,  construído  por  meio  da  relação  do  verbo  com  seus 
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