Considerações sobre Psicopatologia e Psicoterapia em crianças e adolescentes



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Encontro01.06.2019
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“Considerações sobre Psicopatologia e Psicoterapia em crianças e adolescentes”

Eduardo Paolini

Doutor em Psicologia

Especialista em Psicologia Clínica


O diagnostico temprano na primeira infância, puberdade e adolescencia é fundamental para obter progressos satisfatórios, já que são etapas em que o sujeito está, todavia em construção, tanto do ponto de vista físico, neuro-psicológico e emocional, são nestes momentos evolutivos, onde ficam anclados disposições psicológicas e emocionais significativas.


Todo tratamento nestas etapas do desenvolvimento, tem que ser adequado às características de cada etapa de idade (“o objetivo determina o método”). A diferença mais significativa no tratamento de crianças e adolescentes em relação ao tratamento em adultos, está determinado pela necessária inclusão dos pais e tutores (“os pais como sócios”) e, neste caso, o grupo primário de referencia. Muitas vezes, as condutas que observamos estão determinadas ou influenciadas por fenômenos e papeis grupais estereotipados.
Nos últimos anos, talvez pelo progressivo aumento da consciência sobre as diferentes formas de tratamentos negativos, cada vez se da mais importancia como desencadeante a sobrecarga emocional e às injurias ao narcisismo, os quais podem ocasionar nos grupos de referencia e na interação com grupos pares. Também é frecuente que os sintomas da criança esteja expressando um mal estar do conjunto, não necessariamente, exteriorizado ou consciente (“o enfermo como porta-voz do grupo familiar”).
A evolução deve ser considerada sempre como um processo e não como um ato isolado; uma primeira entrevista clinica é também uma forma de intervenção. Desde meu ponto de vista, é fundamental estabelecer uma relação de confiança, com a distancia necessária e suficiente, com respeito mútuo e, ao mesmo tempo, uma posição de empatia ante o sujeito (“uma atitude clínica”). O profissional deve posicionarse com a aceitação plena do paciente, sem prejuízo de valor, considerar o que observa como a única conduta possível do sujeito, neste momento, já que, em muitos casos, condensa múltiplos sentimentos enfrentados. Por exemplo, é possível que uma criança que não se concentra, ou que se coloca particularmente agressiva, esteja profundamente deprimida, ainda que não parece.
Em minha forma de trabalho, primeiro faço passar os pais junto com o paciente, nos conhecemos e planteamos em conjunto, o enquadre de nosso trabalho (“setting”) e as normas de co-fidelidade adecuadas para menores de idade. Estes principios, são o que permitirão o estabelecimento de uma relação de confiança, sem a qual, o tratamento não seria possível. Esclareço também, que se pretendemos alcançar mudanças, todos os envolvidos terão algo que modificar, já que a familia funciona como um sistema interdependente, no qual, de maneira simbólica, na função do terapeuta como regulador e catalisador das emoções en jogo.
Em um segundo momento, escuto atentamente ao adolescente, o necessário para ter uma composição de lugar e poder planejar minhas hipóteses sobre o que creio que ele esteja sentindo e, a posteriori, poder estabelecer um juízo clínico. Sobre estas bases, dou as indicações estruturais pertinentes aos pais. Em qualquer caso, e desde uma consideração deontológico em tratamento de menores, é importante sempre estar acompanhado de uma enfermeira ou por algum profissional em formação, para garantir o enquadre clinico e a assepsia da relação terapêutica.
Esta maneira de abordar a problemática como trabalho psíquico conjunto, implica uma perspectiva também pedagógica, tanto o paciente como a familia têm que compreender as possíveis implicações psicossomáticas e o conceito de negação como submetimento. Também se deve explicar o procedimento que utilizaremos, ou seja, pensar juntos sobre os prováveis aspectos causais (concomitantes e evolutivos), as áreas de expressão dos sintomas (mente, corpo e mundo externo), o método que utilizaremos e o objetivo a curto e medio prazo.
Em minha experiência clinica no Hospital Universitário Niño Jesus, fundamentalmente na Unidade de Trastorno de Conduta Alimentar, junto com a equipe de profissionais, fomos organizando um protocolo de tratamento ambulatorio semanal, com três módulos grupais sucessivos e integrados: o Grupo de Psicoterapia com as Crianças, o Grupo de seus Pais e Tutores e o Grupo de Plano de Vida (organização e regulação da vida cotidiana). Desta maneira, aproveitamos a sinergia entre os três grupos (“massa crítica”) e aproveitamos o incrível potencial das outras crianças na tarefa comum de ajuda mútua (“o grupo como agente gerados vs o grupo como agente regulador”), desenhando desta maneira um sistema extensivo mais potente e eficaz que os modelos individuais.
Em crianças, ainda existem patologias especificas de manifestação temprana, que podem ser tão variadas como nos adultos, em adolescentes, exceptuando os problemas com implicações orgânicas e síndromes, normalmente estão relacionadas com a identidade, com a auto-estima, a indefesa e a vulnerabilidade ante a grupos pares. Ha transtornos como a anorexia ou a bulimia nervosa, que geralmente, começam em etapas especificas como a puberdade ou o começo da adolescencia. Desde o marco de referencia psicopatológico, ao qual me adiro (“Teoria de Enfermidade Única”) e baseando em minha experiencia clinica, creo que sempre encontraremos uma Situação Depressiva Básica como motor patogenético, deslocado, neste caso, na identidade corporal.
Em minha prospectiva, prefiro não falar de enfermidade, senão de sofrimento psíquico, e considerar a conduta como uma expressão circunstancial dela mesmo. As nomenclaturas diagnosticas em idades evolutivas tempranas, ainda que necessárias na inter-consulta, podem ser muito contraproducente, já que faz uma foto fixa de algo que em realidade está em movimento, logo será o sujeito que carregará uma etiqueta sem valor clinico contemporâneo, e pode ficar a longo prazo condicionado negativamente na integração social (“não existe enfermidade, senão enfermos”).
Nao é tanto que as patologias mudam com o curso do tempo, porque estão influenciadas pelas modas e mal-estar sociais, pela perda dos valores simbólicos, pela enfermidade de ter mais do que ser, senão que aparecem novas nomenclaturas para a taxomania, velhas situações ou condutas (“patoplastia”). Neste sentido, ha que ter em conta que o fundamento epistemológico da Psicopatologia contemporânea, é ao menos questionável, já que se baseia na classificação por grupos de manifestações clinicas (“Fenomenologia”). O modelo médico clássico não é aplicável sem custo neste campo, onde intervém variáveis de diferentes filiação e tipos. Os novos paradigmas tendem a considerar os transtornos mentais como de polis causas e isto é que dá sentido as formas de intervenções interdisciplinares, sempre desejadas e recomendadas.
A atitude dos pais ante a seus filhos, deveria contemplar o cuidado emocional, fomentando desde o inicio da vida, a comunicação e a compreensão mútua, em síntese, o que se pode lograr com o efeito mágico das palavras. A organização psíquica se possibilita através da linguagem e da gestão verbal dos sentimentos e desta maneira se fomenta a seguridade. Não ha que esquecer que a aprendizagem se realiza através da identificação, se os pais têm medo, ainda que seja banal e não justificado, as crianças também aprenderá esse medo, filhos da vida, porém de nossas obras.



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