ConsideraçÕes sobre a prática didática das línguas clássicas



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CONSIDERAÇÕES SOBRE A PRÁTICA DIDÁTICA DAS LÍNGUAS CLÁSSICAS
Introdução

A revolução cultural desencadeada na segunda metade do século XX, centrada na comunicação eletrônica, modificou drasticamente a forma e a velocidade da transmissão e ampliação do conhecimento, exigindo da atividade docente em sala de aula não só uma revisão dos conteúdos a serem veiculados, mas também uma redefinição do papel das disciplinas que constituem o currículo escolar. Tornou-se imperativo rever os métodos e técnicas empregados, incorporando-se pontos de vista novos, abordagens mais vivas e criativas, além de recursos áudio-visuais compatíveis com a dinâmica da realidade do cotidiano e com os avanços tecnológicos de que lança mão a mídia eletrônica.


Na área dos estudos lingüísticos, a mudança de ponto de vista resultou na substituição de uma visão de língua meramente estrutural, centrada na modalidade escrita e distante da realidade do falante e da situação de uso, por uma visão social que busca compreender o fenômeno da linguagem a partir de sua observação no uso quotidiano dos falantes. Essa nova perspectiva provocou, inevitavelmente, a necessidade de se rever a forma de estudar a língua, materna ou estrangeira. Em decorrência disso, o texto didático tem sido objeto de constantes mudanças e atualizações, que atingem os conteúdos veiculados, os métodos e técnicas empregados, a integração interdisciplinar das diferentes áreas do conhecimento e, até mesmo, a apresentação gráfica.
Os progressos obtidos na área do ensino de línguas estrangeiras modernas (LEM) têm sido notáveis, sempre norteados pelo princípio de que tal ensino tem que levar em conta o dinamismo da língua falada e a realidade cultural determinante da expressão lingüística. Situação mais delicada, no entanto, tem enfrentado o ensino das chamadas línguas clássicas (LC), desfavorecidas, de um lado, pela inexistência de uso natural em uma comunidade de fala hodierna, e de outro, pela herança de uma tradição escolástica que insiste em tratá-las como línguas mortas, percepção que opera um completo divórcio entre momentos anteriores de uma língua e de sua cultura e a realidade atual, rompendo o saudável e indispensável equilíbrio dialético entre a tradição e a modernidade. Acrescente-se a isso a inexistência de uma reflexão mais aprofundada acerca do papel que cabe ao estudo dessas línguas na formação acadêmica.
No que respeita ao latim, no Brasil, o desconhecimento generalizado do papel que desempenhou na formação das línguas e da cultura ocidental como um todo e a não redefinição do seu papel na formação acadêmica são agravados pela redução do oferecimento de cursos de licenciatura em línguas clássicas, quase inexistentes na região Nordeste e, além disso, pela obsolescência da metodologia de ensino utilizada, abissalmente distante dos métodos e técnicas empregados, já há bastante tempo, no ensino de línguas estrangeiras modernas.
Considerando a importância da língua latina e da cultura que veicula para a formação intelectual de qualquer cidadão, sua presença nos estudos humanísticos, em especial na formação do profissional de Letras, é indispensável e urgente que se redefina o seu papel e se proceda a uma atualização metodológica que possa, a curto prazo, melhorar a forma como a disciplina é ministrada, integrando-a à cultura que representa, situando-a no contexto histórico e social em que vivemos e fazendo-a interagir produtivamente com as demais disciplinas do Curso de Letras.



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