Conhecendo o seu Aluno



Baixar 41,72 Kb.
Página1/9
Encontro01.12.2019
Tamanho41,72 Kb.
  1   2   3   4   5   6   7   8   9

Conhecendo O Seu Aluno

Como Estudar Uma Criança?

Zenita C. Guenther, Ph.D.

Lavras- 2006

Conhecendo o seu Aluno


Conhecer a criança é uma das tarefas fundamentais do educador. Todo o planejamento educacional tem maior validade e, conseqüentemente, leva aos melhores resultados, na proporção direta em que é adequado às necessidades individuais, concretas, mediatas e imediatas, de cada criança em particular. Como o trabalho individualizado não é sempre possível na escola, principalmente com alguns tipos de alunos especiais, a segunda melhor opção é orientar-se a ação para pequenos grupos de alunos, com algumas características em comum, buscando planear a educação voltada para as necessidades e interesses daquele grupo em particular. De qualquer forma, o estudo cuidadoso e pormenorizado de cada criança que compõe o grupo será sempre a referência básica para se estabelecerem planos educacionais.

Embora existam programas e currículos oficiais, ou oficializados, dentro da política educacional de cada país ou região, essas são essencialmente referências externas que se orientam por uma época, ou um momento histórico, quase sempre considerando necessidades longitudinais gerais, ideal de vida, e ideologias de uma nação e uma sociedade. Todavia, quanto mais abstratos e distanciados pelo tempo e
espaço forem os programas e diretrizes educacionais, menor a sua eficiência em promover o desenvolvimento e responder às necessidades concretas e reais das crianças.

Por outro lado, o estudo contínuo e sistematizado dos alunos está também na base do processo de avaliação dos resultados alcançados pelo programa educativo que se está a desenvolver. Isto é, a verificação que se faz, periodicamente, para se estimar até que ponto os objetivos e metas delineados no planejamento educacional estão sendo alcançados, é apoiada no estudo global da criança e não simplesmente no teste de desempenho em algumas atividades.

E ainda mais, no aspecto cumulativo do processo, o estudo das crianças, com o passar do tempo, ajudará a formar o conceito abstrato de "Criança", um elemento básico da filosofia educacional de qualquer educador.

Em resumo, o estudo de cada criança na turma de alunos oferece os dados necessários para um bom plano de trabalho educativo; num segundo momento esse mesmo estudo informa se o plano está, ou não, a atingir os objetivos visados e a responder às necessidades das crianças, como identificadas. E, enquanto isso está, ao mesmo tempo, sedimentado dentro da experiência profissional do professor o conceito básico de criança que irá nortear todo o seu trabalho como educador e indicar-lhe o ponto de partida para as mais diversas situações do processo educacional. Para chegar, efetivamente, a esses resultados, o estudo da criança especial necessita ter algumas qualidades essenciais.

Em primeiro lugar, deve ser um processo contínuo, sistemático e organizado, iniciando-se no momento em que a criança vem para a escola e seguindo sempre, daí em diante, dentro de um plano geral, conhecido e estabelecido. Tal "atitude" do professor integra-se perfeitamente ao plano maior da educação, pois não há outra maneira de se orientar melhor o processo educacional do que o trabalho de olhos voltados para o seu agente e recipiente principal, o próprio educando.

Em segundo lugar, esse estudo deverá ser metodicamente registrado de um modo simples, direto e fácil de ser compreendido, tanto pelo próprio professor, como por outras pessoas que possam vir a precisar de consultá-lo. É através de um registro sistemático e cumulativo que as pequenas situações do dia a dia deixarão emergir os padrões mais profundos da vida e da personalidade da criança, e do grupo de crianças. Esse registro levará, evidentemente, a um trabalho de análise, e daí sínteses que solidifiquem os conceitos e conhecimentos estabelecidos. Essas sínteses, por sua vez, poderão ser publicadas e divulgadas a fim de que toda a área da educação possa crescer, com o passar do tempo, a partir do cotidiano acontecendo nas salas de aula, captados pelos olhos atentos do professor esclarecido.

Os estudiosos de Psicologia Infantil, nos seus laboratórios e gabinetes de investigação têm ao seu dispor métodos e estratégias para realizar o estudo das crianças e orientar o conhecimento de casos particulares, mas o estudo que o professor faz do seu próprio aluno, é tão mais concreto, quanto essencialmente diferente dos estudos gerais de Psicologia da criança. Apesar de em ambos os casos se chegar a conceitos específicos, que irão enriquecer e iluminar, tanto a área da Psicologia como a da =
Educação, os objetivos são diferentes: No caso do professor, a razão principal desse estudo prende-se à própria criança e à determinação e orientação de medidas apropriadas ao seu crescimento e desenvolvimento; no caso da Psicologia, origina-se, geralmente, na investigação de um fenômeno, ou de um problema a ser pesquisado.

A vantagem que o professor leva de início, no processo de estudar a criança, é o contato direto, íntimo, contínuo e diversificado que tem com o seu aluno. É nesse contacto, pela observação cuidadosa e sistemática, que o professor, melhor que qualquer outro profissional, tem a oportunidade de estudar com segurança e exatidão cada uma das suas crianças. No dia a dia, com o grupo de alunos, o professor geralmente vê-se tão profundamente envolvido com o procedimento de observar as crianças, que nem pensa na observação como instrumento de trabalho, mas sim como uma maneira de ser inerente ao próprio processo de ensinar. É como se a agulha começasse a fazer parte do bordado. Todavia, observar é um meio de se chegar a conhecer a criança e não uma atividade a ser desenvolvida por si mesma.

Entretanto, algumas situações poderão nunca acontecer na vida diária de uma sala de aula, fugindo, portanto, ao alcance da observação. Por isso, existem pequenas estratégias que são utilizadas, com o fim de provocar momentos que coloquem a criança em posição de ser observada. Tais situações, embora parecidas com os testes, não são medidas estandardizadas que podem ser usadas em toda a população para classificar e comparar crianças. São simplesmente situações pensadas com o fim de trazer à superfície certos aspectos da vida da criança, a que dia a dia escolar não está favorecendo a oportunidade de surgirem.

Ao completar o seu estudo, o professor pode ainda apelar para a ajuda de outros profissionais, como o médico, o psicólogo, o assistente social, ou outros professores que contribuirão com o seu conhecimento e experiência própria para ajudar a interpretar e fazer melhor sentido dos dados colhidos pela observação.







Compartilhe com seus amigos:
  1   2   3   4   5   6   7   8   9


©psicod.org 2020
enviar mensagem

    Página principal
Universidade federal
santa catarina
Prefeitura municipal
processo seletivo
concurso público
conselho nacional
reunião ordinária
prefeitura municipal
universidade federal
ensino superior
Processo seletivo
ensino fundamental
Conselho nacional
terapia intensiva
ensino médio
oficial prefeitura
Curriculum vitae
minas gerais
Boletim oficial
educaçÃo infantil
Concurso público
seletivo simplificado
saúde mental
Universidade estadual
direitos humanos
Centro universitário
Poder judiciário
saúde conselho
educaçÃo física
santa maria
Excelentíssimo senhor
assistência social
Conselho regional
Atividade estruturada
ciências humanas
políticas públicas
catarina prefeitura
ensino aprendizagem
outras providências
recursos humanos
Dispõe sobre
secretaria municipal
psicologia programa
Conselho municipal
Colégio estadual
consentimento livre
Corte interamericana
Relatório técnico
público federal
Serviço público
língua portuguesa