Comunicação não-verbal



Baixar 28,59 Kb.
Página1/3
Encontro02.03.2019
Tamanho28,59 Kb.
  1   2   3






Comportamento social interpessoal

Comunicação não-verbal


Uma das distinções básicas que podemos estabelecer no campo de estudo dos comportamentos não-verbais impõe a aceitação da uma diferença entre o comportamento comunicativo e o comportamento informativo (Cranach e Vine, 1973). A noção de comportamento comunicativo exige a presença de um código compartilhado por emissor e receptor da mensagem, algo que não se apresenta no segundo caso, já que a interpretação da ação no caso da conduta informativa depende inteiramente do receptor da informação. A partir desta distinção, podemos dizer que o campo de estudo dos comportamentos não-verbais contempla tanto o estudo do comportamento comunicativo quanto o estudo do comportamento informativo. Ora, como o principal fator a ser considerado nesta distinção é a presença ou não de um código compartilhado por emissores e receptores, é importante assinalar algumas características dos códigos em si mesmo. Uma distinção inicial, bastante importante, envolve a caracterização dos códigos digitais e dos códigos analógicos. Os códigos digitais se caracterizam pela presença de unidades de informações claramente diferenciadas ou discretas, enquanto os códigos analógicos envolvem unidades de informação que não podem ser diferenciadas de maneira tão decisiva quanto no caso das informações digitais. Pensando assim, a interpretação dos códigos analógicos geralmente é bem mais complexa do que a informação que se apresenta a partir de uma codificação digital. Uma segunda distinção importante aponta para uma diferenciação entre os códigos invariáveis e os códigos probabilísticos (Scherer e Ekman, 1982). Esta distinção vincula-se, sobretudo, ao problema da interpretação dos signos, já que, no primeiro caso, a interpretação de qualquer elemento é quantitativamente limitada, enquanto no caso dos códigos probabilísticos os signos podem sofrer interpretações diferenciadas, a depender da pessoa, do grupo ou do contexto em que se realiza. O código probabilístico levanta o problema da incerteza na comunicação, de onde se pode supor que quanto maior for a incerteza em uma situação comunicacional mais nos afastamos do comportamento comunicativo e nos aproximamos do comportamento informativo.

Fernandez-Dols (1988), partindo da caracterização do campo de estudos do comportamento não-verbal como aquele dedicado à análise dos canais capazes de transmitir informações nos processos de interação social , aponta para uma hierarquia dos diferentes meios pelos quais as informações podem transitar. No plano superior desta hierarquia estariam os canais capazes de transmitir informações reguladas por códigos digitais, explicitáveis e altamente invariantes (informações verbais e escritas, sobretudo). No plano inferior se localizariam os meios que transmitem mensagens as quais faltariam completamente uma codificação e que são informativas apenas para especialistas ( por exemplo, gestos de centésimos de segundo de duração e os que informam emoções). O nível intermediário seria ocupado por canais que transmitem informações localizados nos limites entre o comportamento comunicativo e o comportamento informativo, ou seja, as mensagens regidas por códigos analógicos probabilísticos.

Esta caracterização dos canais de informação permite identificar as diversas modalidades de comunicação não-verbal: os emblemas, os ilustradores, os reguladores, as expressões de afeto e os adaptadores.
Emblemas

Os emblemas são comportamentos não-verbais que possuem uma tradução direta, podendo ser uma palavra (“Não !”, através do balançar da cabeça) ou uma expressão (“Pintou sujeira !”, ao esfregar a região superior dos dedos na região toráxica). A tradução do emblema é conhecida por praticamente todo o grupo social e o gesto pode substituir ou mesmo complementar as mensagens verbais. As formas mais primitivas do emblema são a pantomina e a mímica. Em geral, os emblemas são utilizados de uma forma intencional e consciente, geralmente nas circunstâncias em que se encontram presentes limitações sensoriais (ruídos, distância ou deficiências sensoriais).


Ilustradores

Os ilustradores podem ser caracterizados como gestos que acompanham a comunicação verbal vocal, ilustrando o conteúdo ou a entonação da mensagem. Geralmente os ilustradores se valem do movimento dos braços e das mãos. Segundo uma distinção tradicional, poder-se-ia estabelecer uma distinção entre dois tipos de ilustradores que usam as mãos, os orientados até o objeto, que são movimentos realizados a uma certa distância do corpo, e os orientados até o corpo, que envolvem uma certa manipulação do corpo ou das vestes.


Reguladores

Denomina-se reguladores os movimentos cuja função é a de permitir um certo controle da interação em que ocorre a comunicação verbal. Neste sentido, devemos diferenciar claramente os reguladores dos ilustradores, especialmente porque o primeiro envolve uma conduta informativa, enquanto o segundo tem uma conotação mais comunicativa. Uma das principais áreas de estudo dos reguladores envolve a determinação da maneira pela qual a interação visual é utilizada na comunicação face a face ou também os recursos faciais que se utilizam na comunicação realizada através dos meios de comunicação de massa.


Expressões de afeto

Os estudos sobre a expressão não-verbal das emoções, derivados sobretudo dos trabalhos de Charles Darwin, sugerem a existência de dois tipos de expressão facial, as involuntárias, ligadas as emoções básicas, e os movimentos expressivos voluntários, derivados das convenções sociais (Friedlund, 1992). Uma das vertentes mais atuais de estudo das expressões faciais emocionais deriva-se do trabalho de Ejkman (1972, 1972) e do seu modelo neurocultural de estudo das emoções, no qual se postula a existência de seis expressões faciais universais que corresponderiam a seis emoções inatas: a alegria, a ira, o medo, a tristeza, a surpresa e o asco (Ekman e Oster, 1981).

A expressão de alegria envolve o retraimento oblíquo das comissuras labiais e uma elevação das maçãs do rosto, que produzirá um enrugamento característico nos olhos, produzidas pela contração das pálpebras. A expressão de ira corresponde ao que se denomina habitualmente de cenho franzido. As sobrancelhas se aproximam e descem, a pálpebra inferior se retrai e a superior se eleva. Os lábios se estreitam, observando-se uma certa abertura da boca, resultante da elevação do lábio superior e da descida da mandíbula, mostrando-se os dentes. A característica facial mais marcante do medo é a elevação e aproximação das sobrancelhas. Os olhos e a boca se abrem, como resultado da elevação das pálpebras superiores e de um alargamento das comissuras dos lábios, que se separam. Na expressão da tristeza também se observa a elevação e a aproximação das sobrancelhas, mas as comissuras dos lábios descem, enquanto o queixo se eleva. Quando se trata da expressão de surpresa, observa-se que ela é muito semelhante ao medo, mas não se observa a aproximação das sobrancelhas nem o alargamento das comissuras labiais e a boca se abre devido ao rebaixamento da mandíbula. No caso do asco, há um certo enrugamento do nariz, enquanto se observa um certo rebaixamento do lábio inferior, das mandíbulas e da comissura labial.
Os adaptadores

Tratam-se de expressões que parecem ser vestígios de padrões de comportamento que possuíram uma clara função adaptativa em períodos anteriores da nossa vida, não tendo qualquer intenção comunicativa. Elkman e Friesen (1969) diferenciam alguns tipos de adaptadores. Os autoadaptadores envolveriam sobretudo as condutas de manipulação do corpo, especialmente do rosto, derivando-se de comportamentos adaptativos comuns nos primeiros anos de vida, em especial aos vinculados com o cuidado do corpo. Assim, por analogia, poder-se-ia dizer que uma pessoa cansada esfrega os olhos da mesma forma que o faria uma criança ao chorar. Wild, Johnson e McBrayer (1983) demonstraram que os seus sujeitos experimentais evidenciavam um índice maior de comportamentos de automanipulação enquanto viam um filme sobre insetos do que quando assistiam um filme sobre um outro assunto. Os adaptadores dirigidos ao outro se derivariam de estratégias de interação básicas, tais como as de cortejamento e de ataque. O exemplo mais característico seriam os comportamentos de quase cortejamento, tais como o de passar a mão e ajeitar os cabelos no caso da mulher ou a de enrijecer e mostrar o torso desnudo por parte dos homens. Os adaptadores dirigidos aos objetos, embora não sejam bem definidos, constituem padrões de comportamento habituais em relação a objetos localizados no ambiente, e que se repetem fora do contexto.





Compartilhe com seus amigos:
  1   2   3


©psicod.org 2019
enviar mensagem

    Página principal