Como números e operações são abordados em Livros Didáticos da fase de Alfabetização Matemática



Baixar 127,21 Kb.
Página1/7
Encontro12.01.2020
Tamanho127,21 Kb.
  1   2   3   4   5   6   7

Como números e operações são abordados em Livros Didáticos da fase de Alfabetização Matemática

Mirta Grisel mirta.grisel@gmail.com

Orientadora Drª Luzia Aparecida Palaro

No nosso trabalho analisamos, em diferentes livros didáticos da fase da alfabetização matemática, como os números, o sistema de numeração e as operações aritméticas são introduzidos nos mesmos, e se consideram as pesquisas de autores que se dedicam a esta área, já que um rápido olhar à lista de autores de livros didáticos desta fase permitiu identificar nomes de autores que escrevem para todos os níveis de ensino e não somente para esta fase específica da vida das crianças. A escolha de trabalhar com todo o bloco de Números e Operações parte da necessidade de verificar o uso de diferentes registros de representação para a abordagem destes conteúdos no livro didático por parte de seus autores.

Diversos motivos nos direcionaram a abordar a alfabetização matemática e não qualquer outro nível de ensino. Entre eles, o fato de que, ainda que a matemática seja uma disciplina que é avaliada através de instrumentos externos1, muitas vezes não é considerada pelos alfabetizadores como sendo parte constitutiva de processos de alfabetização de crianças já que, por muito tempo, ser alfabetizado foi compreendido como sendo apenas leitor e escritor.

Não basta, porém, contar com um bom momento de formação em sala de aula. Cada vez mais se faz necessário contar com material de consulta adequado para que este processo possa ser potencializado. No nosso país, todos os estudantes da rede pública recebem o Livro Didático2 desenvolvido para o ensino-aprendizagem de cada disciplina do curriculum escolar. Estes livros, analisados previamente pelo MEC são descritos e avaliados pelo Guia do Livro Didático. A observância ou não de recomendações curriculares nacionais também está descrita neste Guia. Nas escolas particulares, por sua vez, diversos materiais de apoio são igualmente utilizados. No nosso caso, iremos nos ater a análise de material bibliográfico produzido para seu uso na rede pública de educação.

Entendemos que os livros retratam em grande maneira a concepção de determinado autor com relação ao ensino de um conteúdo e a construção de um conceito qualquer. A forma como este conteúdo é apresentado, as atividades propostas e as sequencias didáticas que são estruturadas para o desenvolvimento deste conceito, nos mostram de certa maneira as formas em que o autor o concebe.

Se o Livro Didático é construído a partir de um conteúdo programático de um ano escolar ou de vários anos escolares correspondentes a um nível específico da educação, e foi escrito por um educador3, entendemos, então que o mesmo foi criado desde a perspectiva do ensino com o intuito de provocar aprendizagens. Se ele foi escrito desde a citada perspectiva, ele obedece a uma concepção de prática pedagógica, a qual, segundo Baroody (1994), está determinada por concepções sobre como se ensina e como se aprende.

A partir desta perspectiva, então, o mesmo revela o que o autor do livro didático pensa em relação a qualquer conteúdo em particular, mesmo que muitas vezes, este autor possa ter aderido a uma perspectiva ‘oficial’ ou de ‘fachada’ para atender a critérios de aprovação e de escolha que não coincidam com sua postura pessoal e que sejam requeridos para serem aprovados pelo PLND. Mesmo assim, nossa intenção é apenas considerar as colocações do autor, no livro, como sendo frutos de suas concepções pessoais.

Uma vez tendo esclarecido a forma como entenderemos estas colocações, pretendemos analisa-las em diferentes livros didáticos para a fase da alfabetização matemática e identifica-las ou compará-las com a abordagem de autores que pesquisam este assunto em relação aos enfoques do ensino da numeração, às formas de ensinar as diferentes noções de número e às ideias envolvidas no ensino das operações apontadas pelos diversos autores consultados. Realizaremos também uma abordagem histórica e epistemológica em relação a estes conceitos matemáticos. Fazer este tipo de abordagem se justifica pela necessidade de entender aspectos relacionados à construção, na fase da alfabetização matemática, dos conceitos relativos aos conteúdos estudados, sendo que, história e epistemologia são os alicerces usados ao se trabalhar construtivamente a apropriação de conceitos de qualquer espécie.

Com relação à escolha destes livros, percebemos que os educadores preferem certas coleções por diversos motivos. Entre as justificativas apresentadas para tal, muitas vezes, fatores como tamanho e qualidade das imagens que complementam os textos, são abordados, e poucos se referem a uma adoção com bases na concepção pessoal, que seja similar a de um determinado autor (Cassab, 2003). Se o professor tivesse clareza de suas concepções pessoais com relação a diversos conteúdos, e conhecesse as concepções que permeiam os livros didáticos em relação aos mesmos conteúdos, a sua opção por determinado autor seria pautada pelas afinidades, o que sem sombra de dúvidas viria facilitar enormemente seu trabalho em sala de aula.

A intenção da nossa pesquisa é entender como os saberes que constituem o bloco de números e operações são abordados em livros didáticos da fase de alfabetização matemática e o tipo de tratamento que os autores destes livros recomendam para alfabetizar matematicamente.

O problema que nos move é qual é o tratamento dado ao bloco de números e operações em Livros Didáticos da fase de Alfabetização Matemática, adotados por professores da rede pública estadual da cidade de Cuiabá – MT?

Com este problema a ser resolvido, temos por objetivo, pesquisar a forma em que os conteúdos do bloco de números e operações são propostos em Livros Didáticos escolhidos por professores da rede pública estadual da cidade de Cuiabá – MT, para a fase de Alfabetização Matemática.

São ainda, outros objetivos da pesquisa, determinar o conceito de alfabetização matemática; compreender quais os saberes que constituem a alfabetização matemática; identificar aspectos históricos e epistemológicos relevantes relacionados ao número e às operações fundamentais que constituam alicerces da fase da alfabetização; analisar o PNLD 2010 para identificar livros didáticos significativos para a pesquisa; identificar nos livros didáticos escolhidos para a pesquisa como se da a articulação destes conteúdos em relação aos saberes fundamentais que devem ser mobilizados na fase de alfabetização.

A presente pesquisa foi realizada analisando duas coleções de livros didáticos de matemática de diferentes editoras para a fase de alfabetização, escolhidos por professores da rede estadual de Mato Grosso. A primeira coleção foi aquela que fora adotada na maioria das escolas da rede estadual na capital do Estado: Cuiabá, no PNLD 2011. A segunda, como forma de oferecer um contraste, uma coleção que não figura nesta lista de coleções prediletas pelos docentes da capital.

Analisamos nestas coleções, como os autores dos livros didáticos selecionados concebem o ensino dos números e da numeração segundo o enfoque que adotam para tal, assim como os diferentes contextos de uso do número que os mesmos propõem nas diferentes atividades. Identificamos também como é organizada a proposta do autor em relação ao ensino das operações aritméticas, em duas perspectivas: a primeira com relação à concepção metodológica do autor e a segunda, com relação ao uso de diferentes registros de representação semiótica.

Com relação à concepção metodológica, temos duas alternativas: saber se os autores pesquisados aderem à classificação clássica das ideias das diferentes operações ou se adotam a Teoria de Vergnaud.

As ideias clássicas são aquelas que habitualmente aparecem nos livros didáticos e que embora possam receber diferentes nomenclaturas de autor para autor, a essência daquilo que representam é a mesma.

Os autores que seguem a Teoria dos Campos Conceituais de Vergnaud formulam a organização das operações nos campos aditivo e multiplicativo, sendo que o primeiro envolve as operações de adição e subtração, e o segundo, as de multiplicação e divisão.

Nesta teoria não há diferenciação entre as ideias das operações por separado, e sim, por campos. Desta forma, entende-se que o campo aditivo pode conter ideias de juntar ou separar, comparar ou transformar, esta última sendo tanto no sentido positivo como no negativo. Neste sentido, ao contrario da explicação clássica, o conjunto dos números naturais não poderia ser suficiente para conter todas as ideias deste campo conceitual. Por outro lado, o campo multiplicativo, referente ás operações de multiplicação e divisão, contém as ideias aditiva, comparativa, de organização retangular, a combinatória, a proporcionalidade que por sua vez, está dividida nas ideias de medir e repartir equitativamente.

A segunda perspectiva guarda relação com os tipos de registros utilizados nos livros didáticos analisados segundo a Teoria de Duval. Para tal, analisamos diversos exemplos contidos nestes livros nas temáticas em foco (números, numeração e operações aritméticas) a fim de identificar estes registros e as transformações e conversões efetuadas.

O estudo do tema foi realizado em três momentos distintos.

No primeiro, foi feito um levantamento de pesquisas na área, a fim de verificar a presença de trabalhos semelhantes ao que consta na nossa proposta. Neste levantamento, verificamos o referencial teórico adotado assim como o foco de cada pesquisa a fim de garantir a singularidade da nossa abordagem sobre o assunto central de nosso trabalho.

Num segundo momento, estabelecemos as bases teóricas que dão sustentação ao nosso trabalho e analisamos os conceitos em questão do ponto de vista epistemológico e histórico. Nesta fase, trabalhamos com diversos teóricos.

Para conceitualizar a alfabetização matemática e os aspectos relacionados à mesma, recorremos a autores como Souza (2010), Morelatti (2006), Danyluk (2002), Smole & Diniz (2001), Miguel (2005), Carvalho (2010), Kamii & DeClark (1994), Teixeira (2006), Menezes e Santos (2002), Silva (2007) e Jakobson (2003).

Já para determinar os conhecimentos que devem ser desenvolvidos na fase da alfabetização recorremos a documentos oficiais tais como: a Resolução Nº 7 CEB/CNE/MEC de 14 de dezembro de 2010, os Parâmetros Curriculares Nacionais e as Orientações Curriculares do Estado de Mato Grosso, assim como o Edital de convocação para inscrição no processo de avaliação e seleção de obras didáticas para o Programa Nacional do Livro Didático 2010 (PNLD 2010) do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE/CBE/MEC).

Para analisar os conteúdos a serem pesquisados (números, numerais e operações aritméticas) levando em consideração aspectos históricos e epistemológicos, assim como questões relacionadas ao ensino dos mesmos, recorremos a autores como: Parra e Otero (2009), Chevallard (1999), Campos (2004), Machado (2003), Feio e Silveira (2008), Miguel (2005), Moretti (2002), Boyer (2010), Bittar (2005), Brandt (2002), Carvalho (2010), Kamii & DeClark (1994), Kamii (1994), Souza (2010), Panizza (2005), Garnica (2008), Holmes (2006), Pais (2002), Teixeira (2006), Eves (2004), Soares (2007), e Toledo (1997). Da mesma maneira, trabalhamos com um texto elaborado pela equipe de matemática do Departamento de Ensino da Região de São Vicente, da Secretaria de Estado de Educação de São Paulo, e que circula pela Internet (SAO PAULO, 2011) e fizemos consultas na Wikipédia.



Escolher as coleções a serem analisadas não foi uma tarefa fácil. A leitura do PNLD 2010 facilitou nossas escolhas por trazer a tona alguns aspectos nos quais ainda não tínhamos pensado. Sabíamos pelo trabalho feito por Martinez, Almeida e Wielewski (2011), num artigo publicado na ULBRA, sobre as escolhas de livros didáticos em Cuiabá - MT com relação ao PNLDE 2011, quais eram as coleções preferidas pelos docentes desta capital. A síntese das escolhas destas escolas aparece no quadro a seguir:




Compartilhe com seus amigos:
  1   2   3   4   5   6   7


©psicod.org 2019
enviar mensagem

    Página principal