Carl Rogers



Baixar 48,5 Kb.
Página1/2
Encontro30.09.2018
Tamanho48,5 Kb.
  1   2

Carl Rogers. Sobre o sentido da concepção e do logos metódico de seu paradigma em psicologia e psicoterapia II


Afonso H Lisboa da Fonseca, psicólogo.

ahl.fonseca@gmail.co







Na medida em que consideramos a dimensão existencial humana, as suas crises e questões, e as suas resoluções, necessariamente especificamente existenciais, compreendemos que a concepção e a metodologia de Rogers são muito sensíveis e refinadas. Não podemos nos iludir com o seu despojamento. Sobretudo, apesar de simples o seu método, não podemos cair no equívoco de confundir o simples com o simplório. A confusão do simples com o simplório se tornou às vezes quase que epidêmica entre os “centrados”.

Isto porque, freqüentemente, as fontes da concepção e método, e a própria concepção e método, de Rogers foram mal compreendidos, ou mesmo desconhecidos. E sua abordagem freqüentemente entendida, ironicamente, como o modelo pronto do objetivismo, ou da pragmática, de uma certa tecnologia da compreensão, adoçada de fragmentos açucarados da retórica de uma imprecisa ideologia dita “humanista”.

Como estamos comentando, o despojamento da abordagem de Rogers atualiza um desinvestimento de posturas, de concepções, de métodos, de epistemologias, de ontologias, incompatíveis com o privilegiamento da dimensão do existencial, com o privilegiamento da dialógica fenomenológico existencial do interhumano; incompatíveis com a sua empatética. Foram-se, então, na vivência do logos metódico do paradigma rogeriano, como observamos, os procedimentos técnicos, as pretensões científicas, o moralismo, o pragmatismo, as reflexões teóricas, a teoria e teorização, e mesmo as condições definidoras específicas de uma prática.

Cascavilhando experimentalmente, Rogers buscou as condições que pudessem garantir o veio rico do privilegiamento da dialógica do interhumano, como concepção e como logos metódico de sua abordagem de psicologia e de psicoterapia.

Primeiro a não diretividade, um dos pilares clássicos de seu paradigma, que marca o seu afastamento do paradigma moralista.

A não diretividade é enriquecida pelas condições terapêuticas da compreensão empática, da consideração positiva incondicional e da genuinidade do terapeuta, na relação com o cliente. O privilégio da “experienciação”. A empatética -- patética, peripatética -- do privilegiamento dos momentos próprios de vivência (páthica) dos desdobramentos da dialógica do interhumano.

De fato, Carl Rogers efetivamente experimentava, em um processo vigoroso, os fundamentos da concepção e método de uma psicoterapia, e de uma psicologia, fenomenológico existencial. Paradoxalmente, o seu despojamento representava, na verdade, uma apuração experimental, cada vez mais refinada, de condições fenomenológico existenciais de concepção e de método de psicologia e de psicoterapia.

A psicologia e psicoterapia fenomenológico existencial se afirma e se desdobra, no âmbito da cultura brasileira, e mundial, como um interessante recurso de assistência e trabalho psicológico e psicoterápico, e de produção cultural. Quer seja ao nível da psicoterapia, e nas áreas do seu desenvolvimento e diferenciação; quer seja ao nível do trabalho nas várias áreas da psicologia, que se diversificam cada vez mais, e, cada vez mais, ganham em importância. Como, por, exemplo, no trabalho de desenvolvimento comunitário, na empresa, na psicologia jurídica, no atendimento psicológico hospitalar, na mediação e resolução de conflitos, entre outras...

No que podemos entender como Psicologia e Psicoterapia Fenomenológico existencial -- efetivamente emergente, assim, e florescente em nossos dias, com ricas e importantes possibilidades de fruição e de aplicação --, o trabalho de Carl R Rogers tem um papel inegável, fundamental, e fundador.

Muito importante, pois, atentar para isso, uma vez que é seminal e essencial a relação das concepções e método de Carl Rogers com surgimento, desenvolvimento e consolidação de uma concepção e metodologia de psicologia e psicoterapia fenomenológico existenciais. Coisa efetivamente rara.

Não podemos, naturalmente, deixar de atentar para a importância do trabalho pioneiro de um L. Binswanger, ou de um M. Boss. E, a seguir, o trabalho de um A. Maslow, e de um R. May, no desenvolvimento desta perspectiva em psicologia e psicoterapia, inclusive no próprio desenvolvimento e formação de Carl Rogers. Mas coube a Rogers e a F. Perls o momento da experimentação e caracterização da vivência de metodologias fidedignamente fenomenológico existenciais. E, neste sentido, empíricas, experimentais, performáticas, e poiético-hermenêuticas.

Durante um certo momento, a teorização de Rogers, como não poderia deixar de ser, atrelou-se aos vieses das psicologias científicas e das psicoterapias vigentes no meio cultural norte americano e europeu. Desde muito cedo, não obstante, é nítido o movimento de diferenciação do modelo rogeriano com relação ao hegemônico paradigma do empirismo objetivista vigente nos EUA. Creio que, teoricamente, apesar de algumas idas e vindas, Rogers evolui para uma crise conceitual. Crise esta que morre na formulação de condições hermenêuticas do empirismo especificamente fenomenológico existencial e poiético-hermenêutico. Que se configurava como característica forte da vivência de seu método, em particular da sua última fase.

Creio que, de um modo importante, o trabalho de Rogers, a partir de um certo momento, e em significativas dimensões, deixa de receber simplesmente os influxos da Fenomenologia, do Existencialismo, da psicologia fenomenológico existencial existente, e passa a contribuir, de um modo significativo, com a constituição e desenvolvimento destes.

Em particular, como é notório, e característico, a sua abordagem foi assumindo um verdadeiro e corajoso strip tease fenomenativo existencial da teoria, da prática teorizante e conceitual -- algo muito pouco visto --, e centrando-se de modo cada vez mais




Compartilhe com seus amigos:
  1   2


©psicod.org 2020
enviar mensagem

    Página principal
Universidade federal
santa catarina
Prefeitura municipal
processo seletivo
concurso público
conselho nacional
reunião ordinária
prefeitura municipal
universidade federal
ensino superior
Processo seletivo
ensino fundamental
Conselho nacional
terapia intensiva
ensino médio
oficial prefeitura
Curriculum vitae
minas gerais
Boletim oficial
educaçÃo infantil
Concurso público
seletivo simplificado
saúde mental
Universidade estadual
direitos humanos
Centro universitário
Poder judiciário
saúde conselho
educaçÃo física
santa maria
Excelentíssimo senhor
assistência social
Conselho regional
Atividade estruturada
ciências humanas
políticas públicas
catarina prefeitura
ensino aprendizagem
outras providências
recursos humanos
Dispõe sobre
secretaria municipal
psicologia programa
Conselho municipal
Colégio estadual
consentimento livre
Corte interamericana
Relatório técnico
público federal
Serviço público
língua portuguesa