Campus natal curso de licenciatura em teatro departamento de artes



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O corpo sensível que acredito é este: um corpo em que se sente tão sensível que a abertura para a troca com o outro se torna plena. Neste sentido, o espectador como que toca (metaforicamente) sua emoção, interna e externa, ao se hibridizar (pelo fato da troca ser mútua e de enorme intensidade, ou por se identificar pela história posta em palco) com o que está sendo posto em cena. Assim, acredito que – tomando como base meus vários anos atuando, pesquisando e assistindo este tipo de teatro – que existem três níveis de corpo sensível: o meu corpo sensível, ou seja, o corpo do ator em estado latente de sensibilidade; o nosso corpo sensível, que é o corpo do ator em diálogo com o corpo de um outro ator; e o corpo sensível ritualístico que seria o ritual em si, no qual o corpo do público entra em processo de hibridização com o corpo dos atores, como se fosse um só em troca constante de emoção.


O corpo sensível que vos falo vem do “particípio passado do verbo sentir”. Duarte Junior (2001, p.11) dá várias significações para a palavra sentido na qual, utilizo em meu trabalho, a citada acima:

o primeiro se refere ao uso do termo para denotar consciência, como em ‘perdi os sentidos’. O segundo indica uma lógica, uma razão de ser: ‘qual o sentido disso’ O terceiro, diz respeito a uma orientação, uma direção: ‘em que sentido devo seguir’ E, por fim, o quarto e o quinto remetem à nossa percepção do mundo, numa referencia aos ‘órgãos dos sentidos’ e também àquela faculdade que, supõe-se, possuímos e os transcenda: nosso ‘sexto sentido’, que aponta uma intuitiva capacidade de conhecer. Mas é preciso ainda tomar o termo enquanto particípio passado do verbo sentir, indicativo de tudo o que foi apreendido pelo nosso corpo de modo direto, sensível, sem passar pelos meandros do pensamento e da reflexão.


Minha trajetória até chegar a ele é o ponto de partida para análise deste trabalho de conclusão de curso. Assim apresento meu percurso de chegada ao Arkhétypos grupo de Teatro, meus treinamentos dentro do grupo, meus questionamentos frente a este “novo” tipo de teatro, a chegada do que entendo como corpo sensível, e finalizo com a obtenção de um personagem nascido na disciplina de atuação III.

Deste modo, me reporto às seguintes questões: Como se dá este corpo sensível no meu corpo? A excitação e emoção são presentes? De que modo se dará o processo? Neste trabalho observei e estudei todo o processo e não apenas o produto final. Por este motivo chamo este estudo de:“A Excitação do Corpo Sensível: o voo da liberdade e a cura”.

Para delimitação e orientação metodológica elegi os seguintes objetivos de estudo para obtenção das respostas:


  • Investigar de que forma o meu corpo apresenta este sentimento sensível de acordo com os estudos frente aos laboratórios, às memórias narrativas e aos escritos realizados frente as observações da disciplina;

  • Observar os processos transformativos vivido pelo grupo Arkhétypos e,

  • compreender a importância deste teatro sensível para a sociedade.

Como referencial teórico, utilizei o estudo sobre o saber sensível de Duarte Junior (2001). Trabalhei também com Grotowski e seus estudos sobre o “teatro pobre”; Barba e a Antropologia Teatral e os estudos do grupo Lume de Teatro. Nesta perspectiva, todos os autores buscam um teatro que parta do ator: sejam eles a partir de memórias dos atores ou não; ou do próprio ser resguardado dentro de nós, podendo ser arquetípico ou mitológico.

Busco um teatro menos verbal e mais corporal/sensível, ritualístico. Segundo Araújo (2013) o RN é um Estado com grande relevância cultural, porém mesmo que o estado tenha essa grande importância, os estudos acerca desta cultura são falhas/negligenciadas. Principalmente os estudos frente a uma cultura mais ritualística: festejos de São João, Carnaval e seus blocos populares, festejos religiosos e aqui, englobo o Teatro, principalmente este teatro mais ritualístico.

Assim sendo, o presente trabalho teve o intuito de fazer um estudo sobre este teatro mais ritualístico, visto que o conhecimento em cima deste é de suma importância, tanto para o Estado como para todos os interessados neste tipo de teatro, resgatando algo que é pouco visto aqui no RN.

Defendo a ideia de que é preciso viver, crer no teatro e em si mesmo. Esta será a chave para a contemplação deste teatro: simbólico, ritualístico e principalmente sensível. O estudo foi realizado e o saber sensível está presente em cada pedaço deste trabalho.






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