Caminhos do cuidado: um relato de experiência tatiana Matias Lopes1 Josué Adilson Cruz2



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Encontro13.03.2018
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CAMINHOS DO CUIDADO: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA
Tatiana Matias Lopes1

Josué Adilson Cruz2

O objetivo deste trabalho é apontar reflexões a partir da experiência de tutoria no curso Caminhos do Cuidado: Formação em Saúde Mental, com ênfase em crack, álcool e outras drogas, para agentes comunitários de saúde e auxiliares/técnicos de enfermagem da atenção básica. O Caminhos do Cuidado propôs metodologias ativas de aprendizagem significativa, baseadas em Paulo Freire, buscando estabelecer um diálogo conectando a atuação nos territórios a ferramentas conceituais, qualificando a escuta e o acolhimento, contribuindo para aprimorar as práticas de cuidado em saúde mental e uso prejudicial de drogas. A vivência em 4 municípios de Santa Catarina, de diferentes portes, nos permitiu levantar algumas questões relevantes. De forma geral, a saúde mental segue sendo vista como uma especialidade distante da atenção básica. Os profissionais apresentam dificuldades de apropriação de conceitos, como reforma psiquiátrica e redução de danos: as ações esperadas se enquadram mais na lógica manicomial, de internações psiquiátricas, na centralidade do médico e das prescrições medicamentosas, e na perspectiva da abstinência total para os usuários de substâncias psicoativas, sobretudo as ilícitas. Por outro lado, o envolvimento das turmas nas discussões propostas possibilitou-lhes pensar a rede e o território com maior sensibilidade. Mesmo hesitando em materializar as práticas propostas na formação, os profissionais desenvolveram maior senso crítico em relação ao manejo dos casos de saúde mental na atenção básica. Outro ponto importante foi o processo de empoderamento das equipes em relação a esse manejo, sobretudo no que tange a autonomia para promover intervenções e articulações com a rede: para os alunos da formação, essa era atribuição exclusiva de médicos ou enfermeiros, o que gerava frustração muitas vezes, pela falta de resolutividade nas demandas apresentadas. Percebemos que as representações que os profissionais têm dos gestores e processos de gestão influenciam no modo com que eles apostam nos projetos e efetivam seu trabalho com base territorial. As gestões parceiras, ou que inspiram confiança aos servidores conquistam maior investimento destes na execução próprio trabalho. Do contrário, o descrédito da gestão resulta em desmotivação entre os trabalhadores. Observamos, também, que as potencialidades se traduzem de formas diferentes de acordo com o porte dos municípios: nas cidades maiores, que possuem mais dispositivos de rede, evidencia-se maior fragilidade no diálogo, a ponto de se traduzir em grande desconhecimento a respeito da rede de saúde e intersetorial. Nesse caso, o retorno dos que participaram da formação foi muito positivo, já que o horizonte de possibilidades de intervenção se ampliou significativamente para eles, especialmente no que diz respeito à atenção compartilhada, através da realização das articulações de uma rede já existente. Já nos municípios pequenos, onde os profissionais geralmente se conhecem pessoalmente, a rede se comunica com maior eficiência, mas carece de muitos equipamentos, o que gera a sensação de impotência para a ação, principalmente nos momentos de crise.

Palavras-chave: Saúde Mental; RAPS; Atenção Básica; Caminhos do Cuidado

1 Psicóloga, mestre em psicologia pela UFMG, atua como psicóloga na Prefeitura de Itajaí. Email: tatimlopes@yahoo.com.br

2 Psicólogo, mestre em psicologia pela UFSC, atuando como psicólogo da Secretaria de Saúde de Blumenau. Email: josuecruz@blumenau.sc.gov.br

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