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II. A situação latino-americana



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II. A situação latino-americana

8. A necessidade de fazer avançar esta ideologia torna-se ainda mais clara se analisamos as consequências políticas da crise de 2000/2001 sobre a América Latina, quando situações revolucionárias abalaram sucessivamente diversos países do continente. Na ausência das condições subjetivas para que estas situações revolucionárias avançassem, para além de revoluções políticas, ao questionamento do regime e da própria ordem do capital, todas elas foram de uma forma ou de outra, canalizadas e “resolvidas” institucionalmente nos marcos do capital e de seu regime político. A crise dos governos de inspiração ultraliberal que se instalaram no continente ao longo dos anos 1990 deu origem, mais uma vez na história do continente, a uma série de governos de tipo bonapartista ou de frente popular, dirigidos por elementos oriundos das forças armadas, das classes médias, do sindicalismo, da intelectualidade e da pequena burguesia, com clara inspiração nacionalista e apelo popular inegável, que acenam com concessões à classe trabalhadora e com um discurso mais ou menos anticapitalista e anti-imperialista para atrair as organizações e lideranças da classe trabalhadora para o interior do aparelho do Estado. Tanto onde houve, como onde não houve situações revolucionárias, a insatisfação das massas acabou assim contida nos marcos da eleição de governos de coalizão com a burguesia e o imperialismo, que com diversas configurações, estão hoje instalados na maior parte do continente. Todos estes governos foram beneficiados pela expansão da economia global que se seguiu à crise de 2000-2001. Como reagirão as massas a estes governos diante do previsível agravamento da situação econômica no continente? Elas se chocarão com “seus governos” à medida que sua natureza, seus limites e suas contradições aparecerem com maior nitidez? Serão elas agora capazes de ir além das revoluções políticas e construírem as condições necessárias para que se estabeleçam governos revolucionários constituídos pela classe trabalhadora organizada?

9. A reação do imperialismo diante deste quadro é clara, depois das posições perdidas no último período e, particularmente, da derrota exemplar do golpe militar patrocinado pelos EUA na Venezuela em 2002: ela vai do reforço das bases militares estabelecidas na Colômbia e em outros países da América Central e do Caribe à reativação da Quarta Frota Naval; da formação de um bloco de sustentação direta do imperialismo estadunidense no continente, composto hoje por México, Colômbia, Peru e países da América Central e do Caribe, aos esforços diplomáticos dos EUA para afirmarem seu poder de tutela sobre a crise de Honduras. De outro lado, a consolidação da ALBA (Aliança Bolivariana das Américas), uma iniciativa do governo Chávez que abarca hoje, além da Venezuela, Equador, Bolívia, Cuba e Nicarágua, representa, no contexto do fortalecimento das posições anti-imperialistas no continente, o mais claro movimento na direção da constituição de um bloco político e econômico que se pretende capaz de apresentar-se à América Latina como alternativa à subordinação histórica do continente ao imperialismo norte-americano. Posicionado entre estes blocos e buscando capitalizar politicamente o apoio dos países do MERCOSUL para suas posições, o Brasil busca exercer papel moderador na região como a melhor estratégia para fazer avançar sua liderança política e econômica, a integração regional e o projeto de tornar-se uma submetrópole imperialista na América do Sul. Neste sentido, o Brasil evita confrontar-se diretamente tanto com os EUA como com o bloco formado pela Venezuela. De um lado, busca credenciar-se perante os EUA como um poder confiável na região, capaz de fazer valer seu peso político e econômico para intervir no sentido de esvaziar conflitos e criar a estabilidade política necessária para o avanço das políticas do grande capital na região. A ocupação militar do Haiti pelas tropas da ONU, majoritariamente constituídas por países da região e lideradas pelo Brasil, visando o esmagamento da resistência oferecida pela população haitiana à ordem imperialista e o estabelecimento, neste país, de uma zona franca de exploração colonial direta da mão de obra barata do povo haitiano, hegemonizada pelo Brasil e pelos EUA, demonstra claramente o objetivo do governo brasileiro de constituir-se como submetrópole imperialista na região, em parceria com os EUA. De outro lado, o Brasil busca construir relações cada vez mais próximas com a Venezuela e os países que integram a ALBA, assim como, de resto, com os demais países da região, visando fazer avançar parcerias estratégicas que permitam integrar a infraestrutura da região e seu parque produtivo, e assegurar o papel cada vez mais central que é exercido pelas grandes empresas transnacionais brasileiras em todo o continente, sobretudo pela Petrobras, pela Vale do Rio Doce e pelas grandes empreiteiras do país.

10. O caso de Honduras colocou em relevo as contradições que permeiam hoje a América Latina. O golpe militar desferido pela burguesia hondurenha, com apoio dos republicanos e de setores do governo dos EUA, visava, preventivamente, impedir a aproximação crescente do governo Zelaya em relação ao bloco de Chávez e a convocação de uma Constituinte – que poderia abrir espaço para sua reeleição e o início de um processo de reformas que poderia colocar em jogo o poder incondicional da burguesia hondurenha e do imperialismo no país. Diante da condenação unânime dos países da região, que se estendeu à OEA, à ONU e a todos os fóruns internacionais, o governo Obama foi obrigado a posicionar-se publicamente contra o golpe, embora sem adotar políticas efetivas para sua reversão. Com isso, o governo golpista de Honduras ganhou fôlego para suportar as pressões internacionais e a forte resistência popular, lançando mão da repressão sistemática para manter-se no poder.






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