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TEXTO 5


Contribuição da Profª Lourdes Sarmento – Sindicalizada da ADUEPB S.Sind.

UNIDADE DOS TRABALHADORES CONTRA AS REFORMAS DO GOVERNO LULA
TEXTO DE APOIO

Diante a crise econômica mundial, governos e patrões põem em prática uma série de ataques contra os funcionários públicos e os trabalhadores em geral. Como é o caso das demissões em massa, redução dos salários, perda de direitos etc. Ao mesmo tempo, os grandes monopólios capitalistas em crise recebem altos incentivos dos governos, recebendo recursos dos impostos da população que são subtraídos dos orçamentos da saúde, educação, moradia etc.

A burocracia sindical deu aval a toda essa política, colaborando com o governo da frente popular e apoiando os patrões diante a pretexto de que diante da crise era necessário “unidade”. Assim assistimos ao espetáculo degradante de ver todas as “centrais” (da Força Sindical à Conlutas/Intersindical) “unidas” em frente à FIESP, no MASP ou em Brasília, “clamando” por mais subsídios e redução dos juros para atender às supostas necessidades da burguesia.

Em quanto isso, nada fizeram para barrar as demissões, assinaram acordos de redução dos salários, aceitaram PDV (Planos de Demissões Voluntárias), estão assinando acordos bianuais (abrindo mão de realizar campanhas salariais por dois anos) etc.

Mostrando enorme vitalidade e uma evolução no sentido da superação da política da burocracia, os trabalhadores ainda procuraram sair à luta como se viu – principalmente – no segundo semestre de 2009, durantes as campanhas salariais, apesar da enorme sabotagem da burocracia, desde o abandono das reivindicações fundamentais dos trabalhadores nas pautas de reivindicações até a assinatura de acordos rejeitados pelos trabalhadores, passando pela divisão das categorias por meio de greves por fábricas, por setor e por grupo, paralisações parciais e outras formas de fragmentação.

A suposta unidade das “centrais” dos atos burocráticos, transformados em campanha eleitoral dos parlamentares da burocracia e da “esquerda”, não se manifestou em nada nas campanhas salariais, a não ser na adoção de uma política comum de traição e sabotagem das lutas do movimento operário. Não houve qualquer unificação entre as categorias em luta e – na maioria dos casos – a burocracia tratou de dividir a mobilização de cada uma das categorias, para facilitar a derrota diante dos patrões, criando as mais variadas divisões: greve da fábrica x, paralisação do setor y, negociação do acordo da empresa z. A exceção dos trabalhadores dos correios, não houve uma única campanha salarial que unificasse uma única categoria e uma mobilização comum em todo o País.

Sem unidade as greves foram isoladas e, os trabalhadores saíram com reajuste salarial insignificante e sem aumento real de salário, pois para a grande maioria dos trabalhadores, as perdas acumuladas ultrapassam 40% ao longo do plano real. (É claro que a burocracia de todas as “centrais” tratou de apresentar esta situação como uma conquista, destacando o fato que algumas categorias tiveram de 1 a 3% de reajuste acima da fajuta inflação oficial do último ano).

Em vez de mobilizações reais, a partir dos locais de trabalho e greves com a paralisação de todas as atividades, a burocracia impôs as paralisações de minutos e horas em algumas empresas e procurou desviar o movimento real para uma mobilização imaginária como os “dias nacionais de luta” e as marchas à Brasília, lobies no Congresso Nacional, ações na justiça etc.. No movimento nacional docente, a burocracia adotou essa mesma política, o que aprofundou o abismo entre os trabalhadores e estes parasitas da classe trabalhadora e esta levando a uma enorme crise das direções atuais do movimento operário, em alguns casos já muito acentuadas (como nos correios)..

Essa crise tende a se aprofundar na medida em que os trabalhadores dão sinais de radicalização diante as demissões em massa, arrocho salarial e ataque às suas conquistas, e a burocracia se opõe a mobilização.

No caso em particular do Andes-SN, a restituição da concessão do registro sindical pelo Ministro Lupi da Força Sindical em junho passado, em nada mudou a política de coveiro da frente de esquerda (PSOL/PSTU), a frente do Sindicato Nacional.

Sem ou com o registro sindical, a política do Andes-SN permanece a mesma. Foi a mesma paralisia diante das demissões generalizadas nas universidades privadas, do ProUni, do Reúne, da tentativa de acabar com o regime de dedicação exclusiva e agora diante a ameaça da reforma universitária.

Na verdade o discurso dos “antigovernistas” (que se juntam à burocracia da Força Sindical, da CUT, CTB etc que integram o governo Lula) serve apenas de cobertura para tentar esconder o fato de que seguem a mesma política de divisão, de loteamento do movimento docente e dos trabalhadores. Isto aconteceu e permanece acontecendo com os docentes, com os trabalhadores dos correios, bancários, metalúrgicos, petroleiros etc.

Na verdade a preocupação número um da burocracia sindical é a de disputar as fatias do bolo de dinheiro que o governo Lula está disponibilizando para as Centrais Sindicais reconhecidas pelo MTE, os bilionários recursos subtraídos dos trabalhadores para os sindicatos, federações, confederações etc.

O verdadeiro reconhecimento do Andes-SN, ou de qualquer sindicato, só poder ser fruto de uma ampla e real participação dos trabalhadores. No caso do Andes-SN, por meio da mobilização da categoria docente.

Está se confirmando a operação do governo através do Proifes/PT e apoiada pela diretoria do Andes-SN para destruir o sindicato nacional dos docentes universitários no momento em que os tubarões do ensino realizam um amplo ataque contra os docentes, os funcionários e os estudantes para sucatear ainda mais o ensino público e garantir os lucros do ensino pago.

Tentando ocultar o fracasso da Conlutas através da criação de mais uma “nova” central

Realizou-se nos dias 1 e 2 de novembro, em São Paulo, o seminário de “reorganização” do movimento operário. O seminário foi uma manobra da Conlutas (PSTU) e de uma parte minoritária da Intersindical (PSOL e PCB), para aprovar a fundação de uma “nova” central sindical a partir da realização do congresso nacional em junho de 2010.

A decisão da criação de uma “nova” central ficou adiada para ser concretizada, ou não, no primeiro semestre do próximo ano.

A tentativa de unificar a Conlutas e parte da Intersindical é o reflexo do fracasso da política de frente de esquerda que esta se dissolvendo em todos os terrenos. No eleitoral a “presidente” da frente, Heloísa Helena, que muitos procuram apresentar como a “alternativa dos trabalhadores” e recebeu o aval de “radical”, “socialista” e até “trotkista-cristã”, apesar de suas posições ultraconservadoras (condenação do aborto, condenação das mobilizações do sem terra, defesa de subsídios para grandes monopólios capitalistas etc.), agora esta liderando uma debanda geral em direção à nova “musa” da “esquerda” escolhida pela direita: Marina Silva e o “combativo” PV, do filho de Sarney, aliado do PSDB (com Gabeira, no Rio de Janeiro; junto com Serra em SP) e do DEM (em São Paulo e centenas de lugares), praticamente com o mesmo programa “socialista” das eleições presidenciais passadas.

No terreno sindical a importância dessa ruptura com os “governistas” pode ser sentida na defesa dessas micros centrais da unidade de todas as centrais, como nos atos nacionais e na campanha enganosa pela redução da jornada e outros golpes. Romperam com a CUT, abandonando a luta contra a burocracia no interior da maior organização operária já construída pela luta dos trabalhadores na história do País, para se juntar à ainda mais podre e “governista” burocracia da Força Sindical (que integrou todos os governos desde Collor) na capitulação diante das demissões da Embraer e tantas outras, quando se opuseram à mobilização operária e indicaram, juntas, o caminho dos tribunais burgueses, da prostração diante de Lula e do Congresso para que eles resolvessem uma situação que só pode ser enfrentada por meio da mobilização operária com seus próprios métodos.,

Essa política fracassou miseravelmente, não abriu qualquer perspectiva de luta contra a burocracia e, agora, essas direções buscam o aval dos docentes, do ANDES-SN e de uma pequena parcela dos trabalhadores para manter a mesma política, com o outro nome, em uma “nova” central.

O fracasso da política da Conlutas e da Intersindical frente aos maiores ataques feitos aos trabalhadores pelos capitalistas e seus governos, diante da crise é a base real para a “unidade” dessa “nova” central, fadada ao fracasso antes de nascer.

Os docentes universitários e todos os trabalhadores não devem dar nenhum aval a esta política.

Diante da crise da burocracia, nossa posição e de todo aquele que quer ver triunfar as posições de independência de classe deve ser o de procurar impulsionar a expansão da ala classista, fazer crescer a oposição revolucionária de forma que as posições reacionárias da burocracia sejam totalmente sepultadas em nossa categoria e entre todos os trabalhadores, um passo decisivo para abrir caminho para uma etapa de vitórias e conquistas em nossas próximas lutas.

Não se trata apenas de realizar uma ultrapassagem momentânea da direita ou tampouco usar seu desgaste para colher dividendos organizativos, é preciso tirar proveito da crise da burocracia para impulsionar decisivamente a luta dos trabalhadores por suas reivindicações.

Para aprofundar esta política levantar um amplo programa de defesa das reivindicações dos trabalhadores (antes de tudo, a luta contra a política de destruição do ensino público dos governos Lula, Serra, Cabral, Aécio etc.) e pela reorganização sindical da categoria, com estabelecimento do controle dos docentes sobre o ANDES-SN tendo como eixos, entre outros: a luta por derrubar a burocracia que dirige a entidade nacional, para colocá-la sob o controle das bases; abrir caminho para um verdadeiro sindicato nacional dos docentes universitários; fortalecer a organização nacional da categoria e a democracia operária com amplos congressos nacionais anuais da categoria e um conjunto de medidas que coloquem o ANDES sob o controle dos docentes.






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