Caderno de resumos



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Universidade Federal da Bahia

Programa de Pós-Graduação em Filosofia



Seminários de Pesquisa III - Mestrado e Doutorado – 2016.1

Caderno de resumos

Início




31.out.16




31.out.16




 

 

 

 

 

 

 

 

09:00

Adrielle C. G. de Jesus

Podemos considerar a destruição da metafísica como fim e recomeço da filosofia?













 

09:30

Ana M. C. Brito




 

 

 

 

 

10:00

Karla C. S. Sousa

Aproximações e distanciamentos na filosofia existencialista de Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre

 

 

 

 

 

10:30

Daniela Szwertszwarf

O fim da ilusão do eu - uma proposta de experiência estética a partir de Kant e Rosset

 

 

 

 

 

 

 

11:00

Ana C. C. Moreira

Maneira de viver e singularidade em Espinosa

 

 

 

 

 

11:30

Carine C. Silva

Filosofia e Estilo: teoria e prática da persuasão em Nietzsche

 

 

 

 

Intervalo










 

 

 

 

 

 

 

 

14:00

Gedeão M. de Moura

O conceito de homem e o problema entre ciência e metafísica em Marx

 

 

 

 

 

 

 

 

 

14:30

Tiago M. Araújo

Uma Leitura Crítica da Concepção de Instituição em Mangabeira Unger e em Cornelius Castoriadis

15:00

Laiz F. Dantas

Nancy Fraser e a contribuição feminista para a teoria crítica

15:30

Juliana B. Brito

De um Duhem ao outro: como e por que a historiografia duhemiana passou de uma interpretação convencionalista do seu pensamento a uma interpretação realista?

16:00

Genival C. Batista

Mudança de caráter e responsabilidade moral em Aristóteles: o caso do intemperante

16:30

Álvaro M. S. Júnior

A fruição estética de Schopenhauer e a “religião” romântica de Schleiermacher










































Início




01.nov.16

 

 

01.nov.16

 

 

 

 

 

 

 

 

09:00

Rodrigo O. França

Um lugar para a devoração e a devoração como um lugar – Filosofia, modernidade e antropofagia






















 

09:30

Ana L. S. Santos

Foucault leitor de Aristóteles: o conceito de prazer




 

 

 

10:00

Aline V. de Almeida

Acrasia e ignorância segundo Aristóteles

 

 

 

 

 

 

 

 

10:30

Camila S. Ezidio

A Lei Natural em Tomás de Aquino: Uma lei Moral ou Metafísica?


































11:00

Daniel A. L. da Silva

Conceito de alteridade como causa da pluralidade em Santo Tomás de Aquino

 

 

 

 

 

 

 

 

 

11:30

Juliomar M. da Silva

Desacordo epistêmico e ceticismo

 

 

 

 

 

 

 

Intervalo







 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

14:00

Bruna F. Bloise

Por que o estatuto da geometria muda entre a Investigação e o Tratado?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

14:30

Alexandre B. C. Fonseca

O conceito de obra de arte de Arthur Danto aplicado ao mundo artístico pop contemporâneo

 

 

 

 

 

 

 

15:00

Gustavi C. Marques

O corpo, o mundo, a consciência e a linguagem

 

 

 

 

 

 

 

15:30

Yves M. O. S. São Paulo

Metafísica da cinefilia: uma leitura bergsoniana do cinema































 

16:00

Luize S. de Queiroz

Percepção e Significação Estética na Música




 

 

 

 

16:30

Luiz F. M. de Melo

Linguagem e forma de vida em Wittgenstein

















Doutoranda: Adrielle Costa Gomes de Jesus

Orientadora: Profª. Dra. Acylene Maria Cabral Ferreira

Título: Podemos considerar a destruição da metafísica como fim e recomeço da filosofia?
Desde os seus escritos de juventude, Heidegger se propõe realizar um retorno a história da filosofia. Em Ser e tempo, esse retorno é levado a termo como uma proposta de destruição dos conceitos fundamentais da metafísica tradicional, a partir da qual seria possível perceber o modo como o conceito de ser foi escamoteado ao longo dessa história, obstruindo a possibilidade de questionar o seu sentido e oferecer, assim, uma abordagem adequada sobre as questões fundamentais da filosofia. A partir da Kehre, entendida como uma virada no seu pensamento realizada na década de 30, esse retorno passou a se configurar como uma crítica à metafísica como história do esquecimento do ser e como uma necessidade recomeço. Doravante, esse recomeço passaria a levar em conta o modo como esse esquecimento determina a sua consumação. Com base nos desdobramentos das reflexões desse período e dos escritos chamados Contribuições à Filosofia, entre a década de 40 e 50 Heidegger percebe que a história da metafísica, ao adentrar na era da técnica, começa a caminhar para a consumação de seu fim. É chegado o momento em que a filosofia se converte em ciência e técnica. Diante desse acontecimento, Heidegger defende a necessidade de realizar um outro começo na história da filosofia. Um recomeço que desse conta de mostrar o modo como essa história se tece como errância e se consuma como esquecimento do ser. Segundo John Sallis, esse acontecimento pode ser visto como uma (nova) tentativa de levar a termo as próprias possibilidades da filosofia, ou seja, do seu fim. E que, a despeito das diferenças do seu pensamento de juventude e de maturidade, já é possível encontrar em Ser e tempo (e simultaneamente em outros escritos do início da década de 20) tentativas de realizar esse fim, uma vez que a proposta de uma ontologia fundamental não é senão uma busca pela realização das possibilidades autênticas da filosofia. Tendo em vista o objetivo geral de nossa tese, a saber: “investigar se é possível considerar a filosofia de Heidegger como um pensamento do fim da metafísica (e consequentemente, do seu recomeço), e em que medida” – pretendemos aqui acompanhar alguns passos conceituais da destruição da metafísica e da analítica do Dasein, presente sobretudo em Ser e Tempo, para investigar se já é possível considerar a filosofia desse período como uma reflexão sobre o fim e o recomeço da metafisica, enquanto realização e transgressão de suas possibilidades, ainda que essa obra anteceda as reflexões sobre a “era da técnica”.

Doutoranda: Ana Mary Costa Bispo

Orientador:

Título:

Doutoranda: Karla Cristhina Soares Sousa

Orientador: Prof. Dr. Rafael Lopes Azize

Título: Aproximações e distanciamentos na filosofia existencialista de Simone de Beauvoir e Jean Paul Sartre
Esta pesquisa de natureza teórica objetiva compreender Simone de Beauvoir por ela mesma, a fim de averiguar as aproximações e distanciamentos conceituais no que diz respeito às noções de intersubjetividade e subjetividade nas discussões da filosofia existencialista de Simone de Beauvoir e Jean Paul Sartre. Partimos da hipótese de que as discussões realizadas por Simone de Beauvoir sobre a moral, conjuntamente com a análise sobre a condição feminina, constituíram-se numa originalidade que a distancia em pontos específicos da filosofia sartreana, contrariando a posição de alguns teóricos contemporâneos – como a filósofa Judith Butler, para quem Simone de Beauvoir, em seu feminismo existencialista, é ainda uma discípula e arquiteta de uma radicalização da teoria da eleição de Sartre. Noções como as de alteridade, corpo, situação, liberdade, má-fé e até mesmo da opressão – caracterização da situação feminina – são imprescindíveis para compreender esse possível distanciamento, bem como sua compreensão da existência, para sua aproximação com as discussões sartreanas. A problemática que envolve esta pesquisa encontra-se na interpretação das discussões sobre a condição feminina no livro O Segundo Sexo (1949), texto elaborado, como a própria Beauvoir expõe na introdução, pela perspectiva da moral existencialista. A definição da moral existencialista é exposta por Beauvoir logo em seguida, no texto, como: 1) todo sujeito coloca-se concretamente através de projetos como uma transcendência; 2) o sujeito só alcança sua liberdade pela sua constante superação em vista de outras liberdades; 3) não há outra justificação da existência presente senão sua expansão para um futuro indefinidamente aberto; 4) cada vez que a transcendência cai na imanência há degradação da existência em “em si”, da liberdade em facticidade; essa queda é uma falha moral se consentida pelo sujeito, mas se lhe é infligida assume o aspecto de frustração ou opressão (BEAUVOIR, 2009, p 30). A perspectiva da moral existencialista tem influência da filosofia existencialista sartreana, mas na definição observamos pontos decisivamente divergentes: as noções de liberdade e de situação. A liberdade em Sartre não sofre influencia de limites pela situação, liberdade é incondicionada. Em Beauvoir, como observamos, a degradação da existência em “em si” quando é infligida, caracteriza-se como frustração ou opressão. Beauvoir se utiliza da filosofia existencialista para analisar a condição feminina e construir o feminismo existencialista, como um pensamento filosófico independente que ainda carece de uma abordagem própria – e que faça justiça à sua dimensão nesse sentido.

Doutoranda: Daniela Szwertszarf

Orientador: Prof. Dr. Rafael Lopes Azize

Título: O fim da ilusão do eu - uma proposta de experiência estética a partir de Kant e Rosset

É senso comum ouvirmos que uma experiência estética foi tão forte que alguém dela saiu “transformado”. Para pensar que a experiência estética promove uma mudança no eu, é preciso que ele seja concebido como passível de sofrer mudanças, como um eu que se molda a partir das suas experiências e com elas se confunde. No entanto, se penso que o eu não existe, como será possível conciliar esta afirmação com a noção de uma experiência estética transformadora? Quero levantar a seguinte hipótese: a experiência estética desperta naquele que a vive, a consciência da absoluta inexistência de uma identidade pessoal. Ou seja, desejo investigar uma tal variedade da experiência estética vivenciada pelo indivíduo como disruptiva, isto é, como capaz de provocar nele seja um choque, uma fenda, uma interrupção. Se ela rompe e se não há self, com o que ela rompe? Minha hipótese é que ela rompe justamente com a ilusão de haver um self. Como afirma Charles Taylor, referir-se a si mesmo é algo comum em quase todas as culturas. No entanto, acreditar na existência de um self interior, local de desejos e pensamentos, como uma entidade à parte do corpo, é diferente. Quando abordo o problema da identidade pessoal, me deparo com o confronto entre três perspectivas: a) a primeira considera o self vinculado às noções de verdade e unidade. As experiências vivenciadas por este self, portanto, são consideradas como “acréscimos, camadas que são postas sobre uma pessoa que permanece a mesma, não mudada” ; b) a segunda perspectiva considera o self como permeável às experiências, de forma que estas se tornam constitutivas. Essa perspectiva, segundo Garry Hagberg, “respeita o poder da experiência de provocar mudanças reais no self”; e c) há ainda uma terceira perspectiva segundo a qual se afirma a inexistência da unidade do eu e da identidade pessoal. Esta perspectiva é investigada por Clément Rosset, sob influência de Montaigne e Hume. Neste momento, me concentrarei na terceira alternativa, uma vez que pretendo investigar a possibilidade de uma experiência estética que seja a experiência de multiplicidade. Para isso, pretendo levantar algumas questões discutidas por Kant a respeito do juízo de gosto. Em seguida, a abordagem feita por Rosset acerca da intangibilidade da identidade pessoal me permitirá encontrar possíveis articulações entre: a) o conceito kantiano de “universalidade subjetiva”; e 2) a constatação de Rosset de que “sofremos de uma falta congênita de originalidade”.



Mestranda: Ana Carolina Costa Moreira

Orientador: Prof. Dr. José Lourenço Araújo Leite

Título: Maneira de viver e singularidade em Espinosa
O objetivo da comunicação é tratar de nuances em torno do problema da transição, apresentado no Tractatus de Intellectus Emendatione – Tratado da Correção do Intelecto, por Espinosa. A obra apresenta a possibilidade de tomada de decisão diante de um modo de vida mais autônoma e a necessária desistência de uma maneira anterior de existência. A decisão revela um movimento de transição entre estados afetivos, não estando inscrita apenas no âmbito cognitivo, mas exigindo do sujeito uma condição de inteireza. Questionar sobre a forma de viver de um antes que precede a decisão sugere a percepção da possibilidade de outra forma de existir. Essa nova maneira envolve, para Espinosa o pleno uso do entendimento - onde pensar e viver são indissociáveis. Conquistar um modo próprio de ser é superar as formas de vida comum. Esse momento é marcado por uma tensão que gera a “certeza da incerteza”, diante de uma forma já experenciada maneira de ser no mundo. A ideia de transição nos inquieta com perguntas como: de que modo é possível superar esse estado inicial de confusão? E ainda: é possível a constituição de si próprio, em Espinosa? O intuito da exposição é, então, apresenta, a partir do TIE, alguns aspectos derivados desse momento , que revela a condição de ultrapassagem de um ânimo passivo a uma categoria onde o principio de ação é uma alegria decorrente da ação do entendimento. O Tractatus de Intellectus Emendatione, com seu pouco polimento literário e mesmo como obra incompleta, apresenta, mais que uma importante fundamentação epistemológica, a necessidade de uma cura do intelecto para o alcance de uma alta sabedoria, revelada ao longo de todo pensamento espinosano como fundamento para o percurso do homem ético.

Doutoranda: Carine Rodrigues Correia Silva

Orientadora: Profª. Dra. Silvia Faustino de Assis Saes

Título: Filosofia e Estilo: teoria e prática da persuasão em Nietzsche
Esta pesquisa tem como ponto de partida o questionamento em torno da construção teórica elaborada por Friedrich Nietzsche em suas obras, que apontam para uma revolução filosófica no modo de tratar a questão da linguagem e sua relação com elementos essenciais da epistemologia do final da modernidade, representada pelos herdeiros de Kant. Qual o limite e o estatuto da relação entre a tese do filósofo sobre a linguagem retórica e o uso de uma linguagem retórica constituinte de sua própria escrita? Eis a questão fundamental que guiará os passos desta pesquisa. A despeito da redução da literatura nietzschiana aos temas populares que influenciaram uma grande geração de pensadores e artistas, pretende-se investigar aqui o Nietzsche teórico do conhecimento e crítico da linguagem, para isso, diante da força argumentativa do filósofo (com estilos diversos – prosa, poesia, tom de polêmica, autobiografia, aforismo), tomaremos a retórica como temática chave para a compreensão do seu pensamento, que coloca em questão toda concepção supra-sensível de mundo e mostra como a linguagem constitui-se através do mundo metafórico das nossas percepções.

Doutorando: Gedeão Mendonça de Moura

Orientador: Prof. Dr. Mauro Castelo Branco de Moura

Título: O conceito de homem e o problema entre ciência e metafísica em Marx

A preocupação com o homem está muito presente nos escritos de juventude de Marx. Ele procura estabelecer um conceito que dê conta daquilo que se pode chamar de essência humana (menschliche Wesen) ou ser genérico (Gattungswesen). Como nesse conceito está contido aquilo que o homem ainda não é, ou melhor, aquilo que o homem é apenas potencialmente, parece tratar-se de um conceito a priori. Sendo assim, esse conceito não está vinculado estritamente a dados empíricos e materialistas, como quer nos fazer crer Marx quando diz que a sua teoria deve estar fundada em “pressupostos reais” que podem ser “constatáveis por via puramente empírica” (MARX & ENGELS, 2007, p. 86-7). Essa dificuldade presente na obra do jovem Marx é contornada por alguns comentadores quando procuram demonstrar que é principalmente na produção teórica da maturidade que ele supera as suas reminiscências metafísicas e hegelianas ao operar uma verdadeira ruptura epistemológica, e, assim, ascende da ideologia à ciência. Porém, parece que é possível encontrar algumas dessas reminiscências na obra de maturidade de Marx. Nos Grundrisse (1857-1858), Marx emprega explicitamente a expressão ser genérico (Gattungswesen). Em O Capital (1867), em mais de uma ocasião, ele recorre ao termo natureza humana (menschliche Natur). Além disso, em vários momentos da obra madura, Marx continua tratando a realidade como cindida em dois âmbitos, a saber, o âmbito da aparência e âmbito da essência, retomando, assim, categorias fundamentais da metafísica tradicional. Diante disso é possível levantar as seguintes questões: qual é o lugar do conceito de homem na obra madura de Marx? Até que ponto esse conceito guarda relação com a problemática da essência humana das obras de juventude? Mesmo se declarando um pensador materialista, Marx não seria ainda tributário da metafísica pelo fato de não abandonar por completo certas reminiscências metafísicas? Isso não gera uma incoerência no interior de sua nova concepção (materialista) de mundo, que é estabelecida justamente para se contrapor as muitas concepções idealistas de sua época, e pretende revelar a “única” e verdadeira “ciência da história” (MARX & ENGELS, 2007, p. 86)? Assim, o empreendimento teórico de Marx estaria apenas assentado sobre bases científicas, e tão afastado quanto possível do terreno da metafísica? O objeto desta pesquisa, portanto, é o conceito de homem na obra de Marx. O exame desse conceito é o primeiro passo na tentativa de apontar, de maneira crítica, para outros aspectos da teoria de Marx em que a ciência parece ceder espaço à metafísica, sem que seu autor, muitas vezes, se dê conta disso.



Doutorando: Tiago Medeiros Araújo

Orientador: Prof. Dr. José Crisóstomo de Souza

Título: Uma Leitura Crítica da Concepção de Instituição em Mangabeira Unger e em Cornelius Castoriadis

A pesquisa examina no contexto da filosofia social as ideias de Roberto Mangabeira Unger e de Cornelius Castoriadis sobre a experiência da instituição. Compreende-se que o horizonte pós-marxista no qual tais autores se situam admite uma concepção romântica de instituição enraizada na imaginação. Mesmo considerando os elementos que divergem a instituição de Unger da de Castoriadis, a pesquisa levanta a hipótese de que o romantismo comum a ambos permanece preso ao paradigma marxista de que a natureza da instituição é tal que a sua mutação depende apenas da vontade humana, que é despertada sempre que se toma posse do caráter contingente e artefatual da instituição. A crítica que se pretende fazer a esses autores acompanha o postulado de que há uma qualidade na estabilidade da instituição que a dota de uma vida própria, em relação à qual não cabe uma leitura meramente artefactual.



Doutoranda: Laiz Fraga Dantas

Orientador: Prof. Dr. José Crisóstomo de Souza

Título: Nancy Fraser e a contribuição feminista para a teoria crítica
A mudança de paradigma efetuada por Habermas na teoria crítica com a formulação da teoria do agir comunicativo oferece elementos cruciais como base teórica para os modelos posteriores dessa corrente. Nessa obra, Habermas compreende os processos de modernização social com processos de racionalização e descreve as sociedades modernas como sociedades organizadas em duas esferas de ação: o sistema e o mundo da vida – o sistema é a esfera social cuja reprodução se dá por meio de ações instrumentais e o mundo da vida a esfera cuja reprodução se dá através da comunicação. A partir dessa distinção, Habermas produz uma teoria social que compreende os conflitos sociais como resultado de tensões entre as esferas do mundo da vida e sistema, considerando que o segundo exerce uma pressão constante sobre o primeiro, que tem sua forma de reprodução social reduzida e é “colonizado”. Os fundamentos da teoria crítica de Fraser se constituem em grande medida através de um diálogo crítico com a teoria social de Jürgen Habermas. Nancy Fraser reformula elementos cruciais da teoria social crítica com foco em questões de gênero, tematizadas de diversas formas ao longo de sua obra. Fraser observa no modelo de teoria crítica de Habermas uma “cegueira de gênero” e produz uma crítica direcionada ao dualismo entre as duas esferas de reprodução social que fundamenta a teoria social de Habermas. Fraser considera esse modelo de teoria social útil para constituir uma teoria da democracia que valoriza o debate público porém, considera que esse mesmo modelo é inábil para lidar com questões de gênero – como para compreender a família patriarcal e o trabalho doméstico, por exemplo. Fraser recusa uma separação radical entre as duas esferas sociais apontando que alguns contextos de ação são perpassados por elementos das duas esferas simultaneamente. Ou seja, a autora considera que as dimensões material e simbólica se cruzam nos contextos de ação e uma teoria social que concebe as duas esferas como esferas distintas de reprodução social inevitavelmente sofrerá de um déficit sociológico. Ao separar a sociedade em dois sistemas e compreender as patologias sociais como resultado da colonização do mundo da vida pelo sistema, a teoria social dual de Habermas não sabe lidar com os conflitos internos ao mundo da vida e despreza os conflitos gerados pelas assimetrias de status social entres diversos grupos, sendo, por isso, inábil para compreender a opressão de gênero e oferecer elementos teóricos para as lutas feministas. Exporemos nesse trabalho a crítica de Fraser à teoria social de Habermas, apontando de que forma a atenção à questões de gênero empreendida pela autora proporciona mudanças significativas nos fundamentos teóricos da teoria crítica contemporânea.

Doutoranda: Juliana Barbosa Brito

Orientador: Prof. Dr. Olival Freire Júnior

Título: De um Duhem ao outro: como e por que a historiografia duhemiana passou de uma interpretação convencionalista do seu pensamento a uma interpretação realista?
Pierre Duhem, físico, filósofo e historiador da ciência, foi considerado, no contexto filosófico francês, como um dos precursores da corrente convencionalista. Em sua versão epistemológica, o convencionalismo teve forma através das teorias de Duhem e Poincaré, para os quais os princípios do conhecimento científico não passam de convenções e teorias científicas são apenas instrumentos úteis para a descrição dos fenômenos. Em outras palavras, teorias não têm como papel explicar a realidade por detrás das aparências dos fenômenos, mas apenas oferecer uma descrição econômica dos mesmos. Por outro lado, a literatura secundária mais recente vem mostrando um ponto de vista antagônico ao que era amplamente aceito entre os comentadores de Duhem: existe um lado da filosofia duhemiana com fortes traços de realismo. Portanto, baseado nessa mudança de leitura da filosofia de Duhem, o objeto do nosso estudo é a reconstrução da concepção duhemiana de ciência através da análise da virada epistemológica que passou de uma interpretação convencionalista de seu pensamento para uma interpretação realista. Afinal, como poderíamos classificar a filosofia da ciência de Pierre Duhem? Para tanto, propomos traçar a gênese das interpretações realistas e convencionalistas da filosofia duhemiana e analisar o percurso evolutivo de tais interpretações guiado por algumas questões, tais como: essa virada epistemológica reflete a própria evolução do pensamento de Duhem? Seria a principal razão para a interpretação da obra de Duhem como realista o surgimento da noção de teoria como classificação natural (a tese ontológica de uma teoria ideal)? Os estudos de maturidade de Duhem sobre a história da ciência mudou o rumo de sua investigação filosófica?

Mestrando: Genival Carvalho Batista

Orientadora: Profª. Dra. Juliana Ortegosa Aggio

Título: Mudança de caráter e responsabilidade moral em Aristóteles: o caso do intemperante

Procurar-se-á investigar sobre a possibilidade de mudança do caráter em Aristóteles. A investigação será conduzida a partir de duas etapas: em primeiro lugar, buscarei entender brevemente a formação do caráter e, em segundo lugar, sobre a possibilidade de mudança do caráter já formado, tendo como foco o caso do intemperante, de modo a problematizar a pressuposta incurabilidade deste tipo de disposição moral. Segundo o filósofo, em sua obra Etica Nicomaqueia, há precedência da ação na constituição da disposição, pois a disposição se constitui primeiramente pela prática regular de atividades similares; é preciso investigar se há, para todas as disposições, prevalência da ação sobre a disposição. Entretanto, mesmo tendo certa tendência a agir do mesmo modo a que já se habituou, o agente moral pode fazer uso de sua razão, faculdade por excelência aberta aos contrários, para apreender ações contrárias antes de agir, bem como escolher realizar uma ou outra, o que significa dizer que ele pode sempre agir diferentemente. A problemática se constitui a partir da fixidez do caráter do intemperante conjugada com a debilidade de sua razão, visto que, por ter sua razão já corrompida pelo excesso de prazer, não poderia mais mudar de disposição, sendo, portanto, incurável. Assim, a pergunta a ser feita é a seguinte: haveria possibilidade de mudança da disposição intemperante? E, se não houver, qual seria a justificativa apresentada pelo filósofo para esta exceção?



Mestrando: Álvaro Martins Santos Júnior

Orientador: Prof. Dr. Jarlee Oliveira da Silva Salviano

Título: A fruição estética de Schopenhauer e a “religião” romântica de Schleiermacher
A pesquisa diz respeito a investigação da influência direta da chamada “religião romântica” representada, em específico, por Schleiermacher e a experiência do Sujeito Puro do Conhecer em Schopenhauer. O advento de uma espécie de religião sem ritos, em que se valoriza essencialmente a fruição estética, nasce no romantismo e influencia o jovem Schopenhauer em sua proposta filosófica, que se vale de repertórios religiosos diversos na sua construção filosófica, mas desenvolve uma estreita e especial relação com a “religião” romântica. A experiência do Sujeito Puro do Conhecer é o pressuposto para a fruição estética na ótica de Schopenhauer e guarda, em detalhes, semelhanças espantosas com a experiência da reflexão como descrita por Schleiermacher. Tal conceito (reflexão) também serve de fundamento para a experiência estético-“religiosa” em Schleiermacher, evidenciado em sua obra “Monólogos”, publicada quando Schopenhauer tinha apenas 11 anos. Assim, valendo-se, ademais, dos fatos de Schopenhauer ter sido aluno de Schleiermacher em Berlim e de Schleiermacher desenvolver o conceito de reflexão – mais kantiano/platônico que de uma intuição intelectual como em Fichte, Schelling, Novalis e Schlegel. Considerando-se também que Schopenhauer é, assumidamente, um kantiano/platônico, muito embora demonstre suas ressalvas e acréscimos às obras dos dois mestres, como deve ser do mister do filósofo; este trabalho mostrará que, REFLEXÃO (pressuposto da fruição estética na religião romântica) e SUJEITO PURO DO CONHECER (pressuposto da fruição estética da filosofia schopenhaueriana), são conceitos tão semelhantes que justifica-se dizer da influência direta de Schleiermacher sobre Schopenhauer, mesmo que o último tenha sérias restrições ao primeiro.

Doutorando: Rodrigo Ornelas França

Orientador: Prof. Dr. José Crisóstomo de Souza

Título: Um lugar para a devoração e a devoração como um lugar – Filosofia, modernidade e antropofagia
O objetivo da minha pesquisa é perceber e propor os limites e possibilidades do uso de um conceito apropriacionista num contexto cultural de formação identitária, precisamente, o de apropriação como antropofagia. No seminário anterior, discuti em linhas gerais as ideias que compõem a estruturação e formalização conceitual da apropriação antropófaga, a partir de Oswald de Andrade e Max Stirner. A primeira parte desta pesquisa vem se configurando em três momentos: 1) uma apresentação da dialética de Stirner como apropriação, 2) uma apresentação da dialética de Oswald como apropriação-antropófaga e 3) uma proposta de relação entre ambos, esperando, como resultado, uma formalização filosófica para a apropriação como aparece em Oswald a partir do modo como aparece em Stirner – em ambos ela é movimento dessacralizador (des-hierarquizante), singularista (identitário) e corpóreo (destranscendentalizador) –, em diálogos com outros pensadores que discutem a Modernidade como seus radicalizadores autocríticos e autocriadores, ou seja, como Modernistas. Nesta apresentação volto a tratar da antropofagia como forma de operação identitária na cultura, evocando agora as ideias de mediação e modernidade. O que apresento agora parte das discussões internas ao hegelianismo e aos textos de Oswald, apontando para o desdobramento seguinte da pesquisa, a saber, a possibilidade de desenvolver uma leitura filosófica de cultura a partir da antropofagia conceitual. O discurso da Modernidade inaugurado por Hegel e estabelecido de maneira duradoura pelos jovens hegelianos (como Stirner e Marx), segundo Habermas (Discurso Filosófico da Modernidade), nutrindo-se do próprio espírito da Modernidade para estabelecer uma crítica criadora da Modernidade, encontra no limite da sua autocrítica a tensão que irá dissolver estruturas tradicionais para estabelecer novas estruturas que se ponham abertas ao progresso da história. Esse limite é o que, de modo geral, se chama de Modernismo. O romantismo (pós)hegeliano caracteriza pela mediação, onde as transformações acontecem; o modernismo define-se por um princípio de contextualidade e um princípio de ruptura contextual – nessa mediação. No Brasil, entretanto, o Modernismo se estende a uma reflexão cultural ampla, centrada numa questão de identidade, evocando como ponto de tensão da Modernidade um problema cultural gerado pelos contextos pós-coloniais: como estabelecer identidade (algo próprio) em culturas formadas por múltiplas culturas, ou seja, múltiplas identidades? Acredito que a resposta mais original e filosoficamente profunda está no princípio antropófago, levado à forma teórica por Oswald de Andrade. Na antropofagia, característica que nos é própria (em nossa matriz Tupinambá), experimenta-se a absorção do outro não para destruí-lo, mas para nos apropriarmos dele nos nossos termos, realizá-lo – como nosso; não como heresia bárbara, mas como visão de mundo autônoma, própria( Montaigne, Ensaios, Cap. XXXI – Os Canibais). A partir dessa construção modernista oswaldiana podemos compreender como na constante apropriação/re-apropriação antropófaga de si e do mundo uma cultura acontece na experimentação, na relação, na não-polarização, algo que lembra o ideal Romântico inaugural da Modernidade. Ou seja, tendo em vista esse grande ponto de tensão da Modernidade filosófica é possível sustentar a ideia de que a antropofagia, como ferramenta teórico-conceitual, pode oferecer uma resposta radicalmente moderna a essa tensão: a mediação, o processo, na devoração.

Mestranda: Ana Lucia dos Santos e Santos

Orientadora: Profª. Dra. Juliana Ortegosa Aggio

Título: Foucault leitor de Aristóteles: o conceito de prazer
O presente trabalho tem como proposta investigar a proximidade e a distância entre o conceito de prazer que é objeto de Foucault em O uso dos prazeres, especificamente em sua leitura de Aristóteles, e o conceito tal como exposto na Ética a Nicômaco, especificamente nos Livros VII e X, a fim de compreender o que a modernidade, ao se referir ao prazer, ganhou e perdeu, especialmente em relação à virtude aristotélica da temperança, quando “descobriu” a sexualidade. De modo, que seguiremos o caminho percorrido por Foucault na tentativa de explicar que já no estoicismo tardio existiam regras e normas a respeito da pratica dos prazeres, presumindo então que não foi o cristianismo o inventor de tais prescrições. Tendo como pano de fundo a análise dos acontecimentos que marcam a passagem do prazer como aphrodisia e o prazer no dispositivo de sexualidade. Para tanto, analisaremos dois paradigmas distintos de abordagens do prazer: de um lado, o platônico, o aristotélico e o epicurista de domínio e uso dos prazeres, o que pressupõe governo de si, e de outro, a repressão e a “supressão” dos prazeres, retomado pela ética cristã. Assim, interessa-nos verificar a leitura que Foucault faz de Aristóteles, bem como da ética estoica, para então detectar esses dois paradigmas, uma vez que Foucault mostra a retomada desses paradigmas de maneira muito convincente para uma política de gerência sobre o corpo, portanto, sobre os prazeres sexuais.

Mestranda: Aline Valéria Ramos de Almeida

Orientadora: Profª. Dra. Juliana Ortegosa Aggio

Título: Acrasia e ignorância segundo Aristóteles
O presente trabalho tem como proposta uma análise sobre o problema posto da existência da acrasia, a saber: como é possível alguém saber o que é melhor, querer e poder fazer isso mesmo, contudo, ignorar esse saber e fazer exatamente o seu contrário? O acrático sabe, quer e, a princípio, pode fazer o que é correto, porém há nele um impedimento de realizar a ação correta, mas esse impedimento não seria algo que pudesse tornar a sua ação involuntária. Como isso é possível? De que maneira isso ocorre? Por que o acrático falha? O que o impede realizar a ação correta? Essas perguntas fomentarão esta pesquisa e exigirão uma análise detalhada sobre o fenômeno da acrasia abordado por Aristóteles em seu livro De Anima (III 9-11) e, principalmente, no livro VII (1-11) da Ética Nicomáquea, com ênfase no capítulo 3 onde, de modo geral, encontramos as aporias elaboradas pelo filósofo referentes ao problema da acrasia que geram muitos questionamentos e, sobretudo, inúmeras interpretações. As aporias são referentes à questão do conhecimento, a saber: o acrático age conhecendo ou não? Se sim, de que maneira isso acontece? Contrário à visão socrática de que a acrasia não seria possível, visto que uma vez que o conhecimento estivesse presente na alma do agente, este não poderia agir de modo contrário ao que conhece, e se, caso isso acontecesse não seria decorrente de fenômeno algum senão da ignorância, Aristóteles procurou mostrar como a acrasia seria possível a partir da demonstração de que é possível saber (episteme) em dois sentidos: é possível ter conhecimento e fazer uso dele e ter conhecimento, mas não utilizá-lo. Este último caso é pertinente na explicação do fenômeno acrático. Ora, se isso (conhecer, mas não exercitar esse conhecimento) sugere uma ignorância do ato (tal qual propunha Sócrates) torna-se relevante investigarmos qual tipo de ignorância seria esta e em que medida Sócrates estaria certo aos olhos do estagirita. Em resumo o que se pretende com esses questionamentos é entender melhor o fenômeno da acrasia e tentar entender de que maneira podemos dizer que o acrático age conhecendo, mas (ao mesmo tempo) age em estado de ignorância do que deveria ser feito.
Doutoranda: Camila de Souza Ezídio

Orientador: Prof. Dr. Marco Aurélio Oliveira da Silva

Título: A Lei Natural em Tomás de Aquino: Uma lei Moral ou Metafísica?

A lei natural é um conceito com longa tradição na história da filosofia, encontramos seus princípios desde o pensamento grego, com o estoicismo, com os juristas romanos, indo até o medievo com Agostinho, Tomás e chegando ao mundo moderno\ contemporâneo com as diversas interpretações de cunho ético, político e jurídico da teoria do direito natural. O objetivo desta comunicação é apresentar alguns passos iniciais de minha pesquisa de doutorado, sobre o conceito de lei natural em Tomás de Aquino. De modo geral pretendo fazer alguns apontamentos sobre as questões da I-IIª pars da Suma Teológica que tratam do conceito de lei natural, em sua articulação com as demais questões que compõe o chamado Tratado da Lei (q.90 a q.108). Tomás, nesse conjunto de questões mostra, além da originalidade sempre presente em sua filosofia, uma forte síntese de princípios encontrados em Aristóteles, Cícero, Agostinho e reinterpretados sob a luz da Revelação Cristã. Em resumo, no Tratado da Lei temos de um lado, a lei eterna (q.93), a qual não podemos conhecer em si, e de outro a lei natural constituída por meio da natureza humana (q.94) e a lei positiva, promulgada por um legislador humano (q. 95 a 97), ou divino (q.98-108). A lei em sentido geral é definida por Tomás como uma regra, de acordo com a qual o homem deve agir, e que tem como primeiro princípio “fazer o bem e se afastar do mal” (bonum est faciendum et prosequendum, et malo vintandum, ST I-II, q.94, a.2, res); a lei visa principalmente à ordenação ao bem comum, e é promulgada por aquele que cuida da comunidade (ST. q. 90, a.4, res.). No caso da lei natural, ela é promulgada, segundo Tomás, pelo próprio Deus no intelecto humano (ST. q.90, a.4, ad.), que não podendo conhecer a lei eterna em si, conhece seus princípios comuns presentes na lei natural (ST q.91, a.2, res.). Além disso, a razão reconhece a força coercitiva dessa lei, que ordena a natureza humana a seu fim último (ST, q. 93, a.3. res.). Em síntese, para Tomás, a lei é uma regra para os atos humanos, em vista de um fim: a vida em comunidade e, em última instância, a comunhão com Deus. Diante dessa breve exposição alguns questionamentos podem nos orientar em uma discussão mais profunda sobre o tema: em primeiro lugar, ao falar de uma lei natural, logo nos vem à mente um princípio que deveria estar essencialmente na natureza humana, ou seja, algo que se produz no próprio homem, no entanto o que temos em Tomás é um princípio que depende de Deus, o que leva a concluir que a lei natural não carrega em si seus princípios; porém, essa afirmação não entra em contradição com a definição comum do termo ‘natural’? Em segundo lugar, a lei natural, tendo como seu princípio uma causa metafísica poderia ser considerada uma lei moral válida para todos os homens?



Mestrando: Daniel Avelino Lima da Silva

Orientador: Prof. Dr. Marco Aurélio Oliveira da Silva

Título: Conceito de alteridade como causa da pluralidade em Santo Tomás de Aquino
No presente trabalho intencionamos investigar o conceito de alteridade como causa da pluralidade nos seres, tendo como ponto de partida para a investigação a questão quatro do artigo primeiro do opúsculo de Santo Tomás de Aquino do comentário ao de Trinitate de Boécio. Santo Tomás define o conceito de alteridade como um ser que, sendo absolutamente ele, ao mesmo tempo se incluirá em sua definição de ser que ele não é absolutamente o outro, de modo que podemos dizer que a alteridade é aquilo que o ser é em si, de modo absoluto, enquanto nega ser outra coisa que não é ele. Essa questão que analisaremos com Tomás de Aquino é recebida por ele advinda de um dilema que era um problema de grande debate na época de Boécio, em que o Deus Trindade dos cristãos, um Ser e três Pessoas. Boécio tratou disso em seu de Trinitate: como aceitar e defender o dogma cristão da Trindade de que Deus é um Ser e ao mesmo tempo três Pessoas? Por essa razão, Boécio trata do conceito de alteridade para mostrar que esse conceito não cabe a Deus, mas apenas para as criaturas. Para Boécio, a alteridade é a causa da pluralidade, e como veremos, não haveria pluralidade em Deus. Mostraremos que Tomás retoma a questão da alteridade séculos mais tarde, não mais com a finalidade de Boécio, da defesa do dogma cristão, mas para mostrar de que modo a alteridade seria, de fato, a causa da pluralidade. A questão que será apresentada por Tomás de Aquino suscita algumas dificuldades e uma variedade de interpretações. Exploramos de início três interpretações possíveis sobre o trabalho de Tomás na questão da alteridade. A primeira de que a alteridade é causa apenas dos seres corpóreos. Uma segunda possibilidade aponta que além de ser causa dos seres corpóreos também causa pluralidade em seres incorpóreos. Por fim, a terceira possibilidade de que em Deus há alteridade e que nas criaturas, sejam corpóreas ou incorpóreas, teria alteridade apenas por analogia a Deus.
Doutorando: Juliomar Marques Silva

Orientador: Prof. Dr. Waldomiro José da Silva Filho

Título: Desacordo epistêmico e ceticismo
Nos últimos anos, o tema do desacordo epistêmico passou a ser um problema central na epistemologia, gerando muita produção filosófica. A ideia de desacordo pode ser reportada até mesmo aos diálogos platônicos, mas, ela só se torna um tema filosófico fundamental a partir de Sexto Empírico nas Hipotiposes Pirronianas (HP I, 164-165). O desacordo indecidível e interminável entre os filósofos a respeito de qualquer questão seria um dos fatores que motiva o ceticismo. Sobre a questão do princípio das coisas (arkhé), por exemplo, uns dizem ser a água, outros o fogo, a terra, o ar, outros ainda a combinação de dois ou mais desses elementos etc. (cf. HP III, 30-32). É esse desacordo de opiniões que nos leva a suspender o juízo a respeito do que seja realmente o princípio das coisas, pois, todas as opiniões são convincentes e não há critérios objetivos que nos faça optar por uma delas em detrimento das outras. Recentemente, alguns filósofos analíticos resgataram toda essa problemática acerca dos desacordos, propondo novas perspectivas e novos questionamentos. Na epistemologia contemporânea do desacordo, pergunta-se qual seria a atitude racional mais adequada diante de um genuíno desacordo epistêmico? O que devemos fazer diante de opiniões discordantes acerca de uma mesma questão? (cf. MACHUCA, 2013b, p. 2; MATHESON, 2015, p.1). A proposta da nossa apresentação é expor um quadro geral dessa recente epistemologia dos desacordos, passando pelos argumentos das teorias do Conciliacionismo e do Anticonciliacionismo, que propõem soluções distintas para o problema do desacordo epistêmico.

Doutoranda: Bruna Frascolla Bloise

Orientador: Prof. Dr. João Carlos Salles Pires da Silva

Título: Por que o estatuto da geometria muda entre a Investigação e o Tratado?
Na Investigação sobre o entendimento humano, temos expressa de maneira taxativa a divisão bipartite dos objetos da razão ou investigação humanas: ou bem são eles relações de ideias, ou bem são questões de fato. Tal como aí consta, não poderia soar mais conforme à tradição clássica, visto que se delineiam um âmbito inteligível onde a Verdade reside imutável, e outro, sensível, onde uma verdade contingente de estatuto inferior existe mutável ao sabor da experiência. Afinal, a negação duma questão de fato verdadeira é perfeitamente concebível porquanto não implica contradição, e para decidirmos que o ouro é solúvel em água régia ou que não é, temos de acudir à experiência. Por outro lado, que “o quadrado da hipotenusa é igual à soma do quadrado dos catetos expressa uma relação entre essas figuras. Que três vezes cinco é igual à metade de de trinta expressa uma relação entre esses números. As proposições deste tipo podem ser descobertas pela simples operação do pensamento, sem depender do que exista em qualquer parte do mundo” (EHU, IV, §1). Tais são, pois, as relações de ideias como que a ecoarem o mundo inteligível. As ciências que delas tratam são as únicas que se podem chamar propriamente de conhecimento (cf. EHU, XII, §27), e, novamente de acordo com a tradição, Hume as identifica com “as ciências da geometria, da álgebra, e da aritmética” (EHU, IV, §1). No Tratado, porém, para Hume estava muito claro e estabelecido que “a geometria […] nunca chega a atingir uma total precisão e exatidão.” (I, iii, 1, §4) Encarregar-nos-emos então de investigar como foi possível uma mudança de uma posição taxativa para outra que é a sua negação, e para isto identificaremos três circunstâncias a embasarem a falibilidade da geometria no Tratado: (1) certa psicologia a definir o estatuto de um conhecimento, (2) a afirmação da superior discernibilidade dos números, colocados no mesmo plano das coisas sensíveis e (3) a aplicação à ideia de espaço à proposição geral segundo a qual toda ideia tem de corresponder a alguma impressão. Explicaremos o fato de estas desaparecerem da Investigação sustentando que a 1 e a 2 não mais figurarem se deve a um amadurecimento da filosofia de Hume, que pôde rejeitá-las por serem apenas empréstimos da lockiana; a 3, porém, é de resolução mais difícil por a correspondência entre impressão e ideia ser central a sua filosofia, e restou-nos apenas indicar uma hipótese.

Mestrando: Alexandre Barreiros de Carvalho Fonseca

Orientadora: Profª. Dra. Silvia Faustino de Assis Saes

Título: O conceito de obra de arte de Arthur Danto aplicado ao mundo artístico pop contemporâneo
O presente trabalho acadêmico pretende delimitar o conceito de obra de arte constituído por Arthur Danto – através da perspectiva analítica –, buscando esclarecer a formulação e aplicação do mesmo no domínio da arte pop contemporânea. De início, analisar-se-á o conceito de obra de arte através da história com o objetivo de reconhecer a possibilidade de sua aplicação às obras de arte do período da arte pop contemporânea. Tendo em vista a insuficiência dos conceitos de arte anteriores, Danto, através da teoria do significado de Strawson, sustenta que o ser da obra de arte se desvela como objeto do pensamento que se entrelaça com um objeto físico reconhecível. Dessa forma, o filósofo norte americano argui que o ser da obra de arte se constitui de objetos visíveis e/ou audíveis, atrelados às teorias de aceitação ou rejeição devidamente acrescidas de fenômenos mentais que reconheçam o estado físico dos objetos. Entretanto, a obra de arte não se constitui, apenas, pelo seu ser, mas por uma identificação artística (nexo conceitual) que relacione o objeto físico ao conteúdo que se busca discutir. Diante de tal contexto, Danto busca inaugurar uma nova narrativa que concedesse sentido à arte pop contemporânea. Esse movimento artístico contemporâneo se caracteriza pela repetição simples e ilimitada de uma imagem pertencente à mídia, e o artista renuncia a qualquer singularidade para cair no anonimato da produção em massa. No caso, a necessidade de mudanças no paradigma conceitual das obras de arte se agrava na arte pop. Isso mostra também a busca da arte pela repetição simples e ilimitada dos ícones da mídia com a finalidade de retratar a sociedade de consumo e as novas formas de comunicação em massa. É a partir do contexto da arte pop que Danto, através de seus livros e ensaios, propõe um conceito capaz de abranger a arte em todas as suas apresentações, dando suporte teórico para que ela seja vista e admirada pelo público que consegue compreender o que possibilita ao artista predicar um objeto com o termo “é obra de arte”. Contudo, os críticos de arte contemporânea sustentam que o conceito dantiano não se encaixa na obra de arte pop, em razão da existência de um possível círculo vicioso, bem como pela impossibilidade de se precisar o que deve acontecer com um objeto no mundo da arte para que esse alcance o status de arte. Uma das críticas formuladas, hodiernamente, é a suposta existência de um círculo vicioso no conceito de obra de arte, o que acarretaria na impossibilidade de aplicação deste ao movimento da arte pop contemporânea. Outra crítica formulada por Reicher (2009) sustenta que Danto apresenta uma teoria sem regras rígidas acerca dos objetos que podem ser considerados obra de arte, o que impede a sua aplicação. Diante de tais considerações, o presente trabalho buscará debater o conceito de obra de arte formulado por Arthur Danto e suas críticas com a finalidade de reconhecer a possível aplicabilidade dessa teoria ao movimento da arte pop contemporânea.

Doutorando: Gustavi Cavalcante Marques

Orientador: Prof. Dr. Monclar Eduardo Góes de Lima Valverde

Título: O corpo, o mundo, a consciência e a linguagem
A presente exposição fará referência aos desdobramentos do primeiro capítulo da tese intitulada "Fenomenologia da significação: a intercorporeidade como fundamento originário de nossas práticas simbólicas", a qual tem por objetivo geral sustentar que a intercorporeidade, enquanto abertura para a intersubjetividade, fundamenta a comunicação entre os indivíduos através do reconhecimento mútuo de possibilidades que lhes são inerentes, as quais se manifestam já no âmbito da sensibilidade, mediante a apreensão sensível inscrita na expressividade do corpo enquanto canal originário de comunicação. Nesse sentido, partimos, nesse primeiro capítulo, da ideia de que o corpo em repouso é uma massa obscura de modo que só acessa suas potencialidades através de sua unidade com a coisa percebida, na medida em que se move em direção a ela. A coisa percebida, assim, é o correlato desse corpo e confere a ele a estabilidade que se torna expressa enquanto existência. A coisa, por sua vez, não é de imediato uma significação apreensível pelo entendimento, mas sim um dado oferecido à inspeção do corpo. Atribuir-lhe significados, então, equivale à antropologizar sua existência, já que tudo o que se diz e faz referência a ela resulta do seu cruzamento com a motricidade daquele que a percebe. O lugar que a coisa percebida assume em minha existência é, assim, o resultado da demanda prática à qual ela responde: ao ser envolvida pela espacialização do corpo, antes mesmo de ganhar um nome, ganha um sentido que só posteriormente ganhará uma denominação e uma significação pública no plano da cultura. A coisa nunca é, portanto, em si, nunca está separada de alguém que a perceba e a manipule, seus desdobramentos são exatamente os mesmos da nossa existência e se não posso abraçá-la com minha própria vida, se não posso englobá-la com meu drama pessoal, ela segue indiscernível. Sob esse aspecto privado, do interior desse “eu” percipiente, a coisa é a realização exterior da minha potência perceptiva, resultante de uma imbricação do meu corpo com aquilo que compõem o meu campo de ação. Para que possa perceber é preciso que meu corpo empreste às coisas uma estruturação temporal, que nada mais é que a própria transição entre as perspectivas, a variação dos perfis, que só ocorre através de uma transição das posições de meus dispositivos anatômicos. Assim, as coisas necessitam estar integradas a meu esquema corporal orientando-se pelas dimensões aqui-ali e passado-presente-futuro. Somente assim elas poderiam mostrar, para além do perfil imediatamente percebido, sua imbricação com os demais já ocorridos ou que ainda estão por ocorrer na transição temporal da minha percepção. Dessa forma, antes mesmo da minha inserção no mundo da cultura, ou seja, antes mesmo do meu contato com outrem, a coisa mesma realizaria este “milagre da expressão” no qual eu testemunharia, no exterior, a revelação do meu interior, em outras palavras, testemunharia nela esse desdobramento temporal promovido por minha corporeidade em plena ação em direção aos confins do mundo.
Mestrando: Yves Marcel de Oliveira São Paulo

Orientadora: Profª. Dra. Rosa Gabriella de Castro Gonçalves

Título: Metafísica da cinefilia: uma leitura bergsoniana do cinema
Aos primeiros textos a respeito do cinema já se encontrava questionamentos a respeito de seu espectador. Por meio deste, questiona-se o caráter realista ou ilusório do dispositivo cinematográfico, separando a teoria de cinema nestes dois grandes campos. Buscando resposta para estas questões, os pensadores se filiaram a diferentes abordagens: o neokantismo (Munsterberg), a política (Benjamin), a antropologia (Morin), a teoria cognitivista (Bordwell). Este passeio pela historiografia do pensamento a respeito do cinema leva até um autor que falou do meio ainda em seu princípio, quando dava aulas no Collège de France, em 1903, e que tomou um posicionamento neste debate que, de certa forma, nasce com ele: Henri Bergson. Por meio de uma analogia com o cinematógrafo – a ilusão cinematográfica – Bergson mostrava o problema do pensamento conceitual a respeito do movimento. Por meio do exercício de conceituar o movimento retira-se dele o que há de mais essencial: a mobilidade. Não diferiria do cinema, portanto. Anunciado como a técnica que captava e reproduzia movimento, o cinematógrafo produz apenas uma ilusão: não há movimento na tela, e sim a justaposição de diferentes imagens. A máquina de filmar apenas capta diferentes pontos no espaço, diferentes instantes da real mobilidade dos corpos. O verdadeiro movimento reside, escreve Bergson em A evolução criadora, no aparelho de projetar, não na tela. Tomando o próprio pensamento de Bergson para problematizar o espectador de cinema e tomar uma perspectiva metafísica (o que diferencia este trabalho daquele realizado pelos autores citados acima), chega-se ao conceito de intuição. Por meio deste Bergson mostrava existir uma realidade anterior aos processos de inteligência (quando o que é percebido é também conceituado). Com a intuição o movimento é percebido como algo simples. Não muito diferente do que acontece com o cinema: é por meio de um processo de inteligência que Bergson distingue que aquilo que ocorre na tela não é o movimento real e de que este reside na máquina de projetar ao fundo da sala de cinema. O espectador uma vez sentado na sala escura encara as imagens na tela como sendo dotadas de movimento próprio e não enquanto ilusão. Encara a obra enquanto sendo dotada de um desenrolar próprio que se inscreve em sua consciência em duração.

Mestranda: Luize Santos de Queiroz

Orientadora:

Título: Percepção e Significação Estética na Música
É fácil concordar com a tese de que o sentido musical seja indissociavelmente perceptivo. O que se apresenta como música, ou seja, a aparência musical e seu sentido corporificado nos são entendido, sobretudo por um esforço de abstração. Nesse sentido, com base na fundamentação teórica que é em suma a fenomenologia da percepção e outros textos do filósofo M. Merleau-Ponty, tomaremos a música e o sentido musical, de forma mais consistente, embora o filósofo pouca tenha se demorado na abordagem do tema. Desse modo, o objeto de pesquisa se faz primeiramente em uma tomada da música como ela pode ser experimentada através do processo corpóreo e perceptivo. Longe de estabelecer, algo próximo à discussão estabelecida pela Filosofia da Mente, o objetivo desta pesquisa consiste em, reafirmo, uma tomada da música como ela pode ser experimentado quanto experiência estética dentro do que podemos entender como o mais complexo nome de significação estética. Pretende-se, contudo nesta pesquisa, dentro das atuais possibilidades, estabelecer fundamentos para um procedimento fenomenológico de análise da música, no que se refere a percepção, e a prática da escuta, explorando os conceitos de sensação, percepção, expressão, corpo próprio, esquema corporal, campo fenomenal e mundo como fundamentos impulsionadores para uma discussão no âmbito da fenomenologia. E através do método fenomenológico tentar compreender a experiência estética proporcionada por meio da música. Por razão disto, o referencial teórico que será utilizado basicamente será no campo da fenomenologia e da estética, através principalmente de Maurice Merleau-Ponty, como já acima foi exposto, cujas pesquisas acerca da percepção são particularmente importantes para o desenvolvimento do nosso tema, fazendo do filósofo nossa referência central.

Mestrando: Luiz Felipe Magalhães de Melo

Orientador: Prof. Dr. Rafael Lopes Azize

Título: Linguagem e forma de vida em Wittgenstein
Nosso objeto é a noção de forma de vida (lebensform) presente nas Investigações Filosóficas (1953) de Ludwig Wittgenstein (1889-1951). Nosso objetivo é analisar a função ou o papel que a noção de forma de vida exerce nas IF de Wittgenstein, sobretudo, se essa noção poderia realmente ser compreendida como um fundamento extralinguístico de nossas práticas linguísticas sob o crivo das leituras transcendentalistas e naturalistas – além de outras leituras as quais julgamos suficientemente relevantes para nosso estudo – a fim de esclarecer quais os sentidos possíveis para este conceito que, por sua vagueza, rendeu tão variadas interpretações. Assim, em primeiro lugar, examinaremos nas IF as passagens em que a forma de vida é mencionada a fim de extrair de seu emprego direto, um possível significado para reflexão, mesmo que distintos entre si em cada um dos momentos de seu uso. Em segundo lugar, investigaremos outras passagens das IF que, embora pareçam secundárias, apresentem alguma relação com as formas de vida, principalmente, aqueles parágrafos nos quais são descritos e exemplificados os jogos de linguagem uma vez que este conceito diz respeito à junção entre linguagem e atividade, o que talvez nos permita elucidar as formas de vida por uma via alternativa, a saber, como uma forma de agir. Em terceiro lugar, pretendemos explorar menções à forma de vida em textos cuja redação foi posterior às IF a fim de indicar, por certo, algumas semelhanças, mas, principalmente, algumas diferenças que contribuiriam com o debate sobre se a noção de forma de vida exerce um papel central na demarcação de uma possível ruptura ou continuidade da filosofia tardia de Wittgenstein no que diz respeito ao problema da significação.

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