Caderno 1 a graçA, deus, jesus, o espírito ir. Giovanni Bigotto termo de apresentaçÃO



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2.5. A vida nada mais é que dom
A partir de então, Basílio considera tudo o que Deus lhe fez realizar e se dá conta de que seu campo de apostolado ultrapassou todas as previsões. De sua experiência com Deus ele conclui: “A Vida Religiosa não é uma abstração. É algo de concreto, uma realidade vivida. É uma história, um diálogo de amor entre Deus e mim. No que toca a Ele, nunca falta novidade na sua fidelidade. Minha vida, pelo contrário, é cheia de imperfeições e subterfúgios, embora, graças a ele, eu continue a caminhar e a retificar constantemente meu caminho”. Entretanto, ele guarda grande confiança naquele que o chamou; sabe que Ele é fiel. Escreveu: “Não fui eu quem teria formulado meu apelo a mim mesmo; antes, recebi-o como dom, e a mesma razão que me levou a responder no começo, continuará a levar-me até a morte”. Mais adiante, falando do tema da fidelidade, pensando no grande número de sacerdotes e religiosos que preferiram desistir, sua razão de permanecer fiel é a seguinte: “O que dá na vista logo é que o Cristo me chamou e escolheu no momento do chamado, e isso antes do meu engajamento. O que constitui minha vocação não é o meu engajamento, mas o chamado e a escolha de Deus. A infidelidade começa quando nos fechamos à ternura e ao amor de Deus...”.
Essa experiência profunda e a fidelidade que seguiu atravessam a vida de Basílio como uma grande luz. É nessa graça que Deus lhe concedeu que seu ideal se torna claro: Queimar sua vida por Cristo19 e até queimá-la nas duas pontas, isto é, numa vida extremamente doada. Ele no-lo fará compreender num outro depoimento em que fala dos profetas.20

“A profecia tem sua origem em Deus como fonte e se transmite ao homem quando este vive na sua intimidade. Essa relação se cria sobretudo na oração que desperta no homem a paixão pelo Reino. Na escuta atenta da palavra de Deus se trava um diálogo de intimidade que faz surgir o desejo veemente de proclamar, pela vida, que Deus é a plenitude do amor e que vale a pena perder tudo para possuí-Lo.

Do que precede nasce a exigência da procura apaixonada da vontade de Deus numa comunidade eclesial generosa e indispensável. O amor da verdade, o discernimento dos sinais dos tempos, fazem descobrir caminhos novos de ação evangélica numa lealdade sem fronteiras a respeito de Deus e do homem, arriscando até a própria existência.
O profeta sente queimar em seu coração a paixão pela glória de Deus e, uma vez que ele acolheu sua palavra, proclama-a por sua boca, por suas ações, por seu pensamento, por suas palavras, por seu contato com os outros, numa transparência que manifesta a autenticidade dos grandes ideais em favor do Reino, num heróico engajamento com todos.
Uma vez que se engajou sua existência no terreno do amor, não há mais marcha à ré. A vela está acesa nas duas pontas.
O tempo depende da intensidade com que é vivido, mas quando o amor irrompe no coração de uma vida, o tempo adquire a densidade eterna. O amor não nos foi dado para preencher vazios do coração, mas para lançar os homens a alturas inimagináveis de generosidade e doação de si mesmos”.21

No retiro que Basílio pregou em Logronho (Espanha), em 1972, fez esta reflexão extraordinária diante dos Irmãos: “E, indo mais a fundo na ordem da fé, é indiscutível que é preciso pagar o preço: o preço de crer em Jesus Cristo morto e ressuscitado. E bendito seja esse tributo, fonte de alegria. E é este o teu mérito: o fato de esperares na insegurança, o fato de esperares contra toda esperança... Quando anuncias Jesus Cristo ressuscitado, te comprometes com Ele, de sorte que, diante de qualquer dilema entre Jesus Cristo e outra coisa, tu te deixas esfolar antes de renunciar a Jesus Cristo. E que tudo se perca, até tua própria mãe, mas não Jesus Cristo”.22 No hospital de sua última doença, Basílio ditou para seus amigos uma carta, a última, em que lemos: “Hoje verifico a realização prática de uma verdade que me disse o Irmão Leônidas, já faz tempo: ‘Você queima sua vida dos dois lados; sua vela, pelas duas pontas’. E mandou-me grande página de uma revista em que havia uma espécie de candeia bastante grossa, com as duas pontas acesas. E eu lhe dei uma resposta, talvez meio insensata: ‘Esse foi sempre o meu ideal’”.23

Temos aqui o último depoimento oficial de Basílio, quando a vela termina de queimar, quando toda sua vida foi fidelidade de amor e doação. Eis-nos no fim do percurso, após vermos a luz surgir: uma empresa extraordinária de Deus e do Cristo cujo amor fiel torna fiel e generoso.

No final dessa experiência, que é que Basílio pensava de si mesmo e que percepção tinham dele seus Irmãos? Quando terminou seu segundo mandato e fez um balanço do trabalho realizado como Superior-Geral, disse aos Capitulares:que o escutavam: “Falando francamente, eu teria preferido ver um santo a governar o Instituto, neste período que tive de viver. Sim, um homem de Deus mais que um técnico...”. E seu biógrafo continua: “Certamente, os santos não se enxergam a si mesmos e não valorizam o trabalho que realizam; só se interessam pela vontade de Deus. Basílio não viu um santo governar o Instituto, mas muitos viram, sim; pode ser que alguns de nós tampouco o vissem. Realmente, é bem possível que um santo tenha governado o Instituto dos Irmãos Maristas durante 18 anos”.24





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