Caderno 1 a graçA, deus, jesus, o espírito ir. Giovanni Bigotto termo de apresentaçÃO



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2.2. A reviravolta da graça
Mas eis que Basílio vai viver um momento de graça muito forte, um pouco semelhante ao de Paulo no caminho de Damasco ou à noite de fogo de Pascal. Os místicos conhecem esses momentos em que tudo se decide em favor de Deus. Basílio reconhece de bom grado que o papel principal cabe a Deus e que, dora em diante , tudo vai orientá-lo cada vez mais clara e fortemente para a doação de si, ou melhor, a “seguir o Cristo e viver vida de amizade com Ele, o mais próximo possível do Evangelho”.
“Mas Deus sabe chegar ao coração quando lhe apraz. Foi o que me aconteceu: de repente tive em mim uma iluminação inexplicável... Era o sentimento de que me era possível viver uma vida totalmente orientada para um ideal que eu teria de partilhar com esse grupo humano que eu estimava muito e que via firme e coerente. Foram-me suficientes dois ou três minutos de reflexão, e a decisão foi irrevogável. Devo confessar que o impulso interior era intenso e a força de atração muito forte, sem que eu perdesse a serenidade nem o equilíbrio mais perfeito. A emoção não diminuiu em nada a clarividência de meu espírito crítico. A força de Deus, em absoluto, não me alienou; pelo contrário, ela me sustentou para me ajudar a ser o que Deus havia projetado para mim nos seus desígnios insondáveis”.
A mudança vai operar-se na vida: “As atividades e o entusiasmo anteriores mudam de direção. O centro se deslocou para uma vida de piedade, e não me era difícil consagrar horas inteiras à oração pessoal; a eucaristia cotidiana tornou-se-me uma necessidade”.
Na família, o pai tentou dissuadi-lo, e outras pessoas lhe propuseram maneiras diferentes de se doar a Deus. Mas tudo ruía contra a luz interior que nele criava certeza. Dificuldades não lhe faltarão durante a vida, sobretudo como Superior-Geral, mas Basílio reconhece que Deus sempre lhe conservou essa luz interior sem que sobreviesse a mínima dúvida.
É essa iluminação interior que vai fazer a unidade de sua vida. Terá ele encontrado, na Universidade, professores muito críticos em relação a toda verdade religiosa, em relação a Deus, a Cristo e à Igreja? Para Basílio isso fica no nível puramente intelectual. A Igreja, após o Concílio Vaticano II, conhece momentos tormentosos. Ele guarda o equilíbrio interior e integra facilmente o passado e o presente: “Isso me permitiu ser filho legítimo do passado, perfeitamente enraizado no presente e bem aberto ao futuro!”. E mais adiante reconhece: “Vivi o Concílio sem rupturas, como uma transição normal. Os grandes eixos do Concílio eram-me conaturais...”. Ele volta a essa graça quando lembra o que um de seus formadores lhe dizia em francês: “Há muito azul no teu céu”15, reconhecendo que esse “azul na vida” vem “do Pai das Luzes.. e, absolutamente, de sua natureza’.
Contudo a graça espera a colaboração humana. Basílio o reconhece: “A Vida Religiosa não se concebe sem renúncia e sem cruz”. Teve de lutar “contra a tendência à glutonaria, travar luta contra seus defeitos, encetar um caminho de maturidade na vida social para bem se relacionar com os outros e tornar-se pedra de construção e não de demolição no edifício da vida comunitária familiar. Toda essa luta iria criar maior liberdade interior”. Na Circular sobre a Obediência, ele volta a essa colaboração do homem com a graça: “Deus dá-se a nós como dom e como graça e espera nossa resposta. Nossa resposta é empenhar nossa liberdade para abraçar sua vontade que é nosso bem, nossa felicidade, nosso futuro. Assim nós lhe ajudamos a realizar seus planos sobre nós para nossa alegria e nossa fecundidade".16




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