Caderno 1 a graçA, deus, jesus, o espírito ir. Giovanni Bigotto termo de apresentaçÃO



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O verdadeiro Basílio não se entende senão na fé, nessa amizade e intimidade com Deus que ele teve por graça e por ascetismo bem pessoal. Nessa fé e nessa amizade sempre se esforçou por introduzir os Irmãos, vendo aí a verdadeira resposta aos problemas destes tempos atormentados do mundo, da Igreja e da Congregação. Facilmente pensamos no Concílio, menos facilmente lembramos 1968: a revolta dos jovens, o mundo político desestabilizado, as Universidades ocupadas, a revolução cultural na China, tão bem flertada pela juventude ocidental, o surgimento da Teologia da Morte de Deus e da Liberação com sacerdotes empunhando o fuzil e o maqui... e o poderio americano humilhado no Vietnã. Era um mundo em ebulição e um mundo de trevas, mas sobre o qual a fé anunciava a Basílio a aurora.6 Levava realmente no coração a expectativa da aurora e repetia muitas vezes: “É preciso ajudar a aurora a nascer!”.
Grande número de atitudes de Basílio só se explicam por esse amor que brota na fé e a consolida. É a fé que o leva a aconselhar aos Irmãos que, de repente, descobrem que a Vida Religiosa é bem mais do que aquilo que viveram, de apoiar-se em Deus, único capaz de operar toda a sorte de primaveras. É a fé que o leva a sugerir, como primeiro meio de renovação séria, que se procure encontrar um bom diretor espiritual.7 É a fé que o leva a dizer que o Irmão que se abstém regularmente da oração é melhor que mude de vida, assim como aquele que não consegue guardar a virgindade. É a fé que o leva a descobrir que, em certas Províncias, o verdadeiro problema dominante é a fraqueza da oração e, portanto, insiste nesse ponto a tempo e a contra tempo, dando conselhos práticos sugeridos pela experiência e o bom senso que a fé proporciona. É a fé que o leva a dizer que, num mundo que se seculariza cada vez mais, a única maneira de resistir é tornar-se um fermento mais forte, tornar-se mais Igreja e não perder seu fermento e deixar-se mundanizar.8 Refletindo sobre o caso de Angola, quando o país estava em séria fase marxista, e desejando uma formação marista séria, ele aponta desde as primeiras linhas, num plano que contém 10 páginas de objetivos: uma forte formação religiosa: FÉ e ORAÇÃO.9 Essas duas palavras nós as encontramos em letras maiúsculas; isso traduz bem o pensamento de Basílio. Quanto maiores os desafios, mais fortes devem ser a fé e a oração. Aos Irmãos da Província Norte (Espanha), disse: “Irmãos,... atentai que o fundamento teológico de nossa justificação e de nossa vida cristã não são os esforços gigantescos que alguém pode fazer para tornar-se bom, santo, para amar a Deus, para responder a Deus. Tudo isso seria prometéico. Como no-lo diz o caso de Santo Agostinho: quantas vezes ele tentou levantar-se para Deus, mas o peso de sua carne mostrou-lhe que todos os seus esforços eram inúteis; foi somente quando ele caiu de joelhos diante da salvação misericordiosa do Senhor que Agostinho foi elevado até Deus e chegou a realizar o que desejava. O fundamento de nossa fé não é o fato de sermos bons, mas porque Deus é bom; não é o fato de amarmos, mas porque somos amados por amor eficaz e infalível. Nesse sentido podemos acreditar no Glória: “Paz aos homens por Ele amados!”.10 Os arquivos mostram que Basílio teve uma correspondência muito densa e amigável com os Irmãos de Angola e de Moçambique: dois países que passavam pela provação do marxismo, pela guerra civil e por grande penúria de meios de subsistência. É como se seu coração de pai lhe dissesse que aqueles Irmãos tinham mais necessidade de atenção e presença. Ele teria desejado visitá-los após seu segundo mandato; escolhera esses dois países porque queria ser missionário e, sobretudo, porque a situação lá era muito difícil.11

Muitas páginas de Basílio sobre a Oração, sobre a Obediência, são luminosas e revelam sua familiaridade com Deus. Algumas são propostas no final desta reflexão: o contato direto com o homem de Deus convence mais fortemente. Elas são confirmadas por testemunhos de sacerdotes e de Irmãos que tiveram a sorte de viver com Basílio. Para não desvalorizar esses depoimentos, alguns são dados por inteiro na conclusão do capítulo. Mas é certo que a oração é o tema que mais abordou nas conferências e nos retiros que pregou, e estes foram muito numerosos: havia se reservado, sobretudo, como Superior-Geral, a animação da Congregação. O Ir. José Manuel Gómez Ramírez, que foi Provincial da Colômbia,12 ficou marcado pelo retiro sobre a oração, que Basílio pregou na Província; e ele próprio foi enviado pelo Irmão Basílio a Troussures, para aprender a rezar com o Padre Caffarel. Muitos Irmãos podem testemunhar também por terem estado em Troussures ou em Spello onde Carlo Carreto organizava retiros, ou em Loppiano, nos Focolares. O objetivo era sempre o mesmo: mergulhar os Irmãos na intimidade com Deus, oxigená-los espiritualmente.

A enquete feita entre os 600 Irmãos da Província Norte, em 1972, deu os seguintes resultados quanto à direção espiritual: 83% acham que e essencial e 17%, não. Mas à pergunta se a praticam, as respostas são invertidas: 18% seguem a direção espiritual; 82%, não. E Basílio a concluir: “Espécie de imbecis,13 se vocês estão convencidos de que a direção espiritual é importante e essencial, por que então os percentuais se invertem? Salvo exceções, a direção espiritual é realmente necessária, extremamente proveitosa... Termino contando-lhes esta experiência. Não me digam que não se pode garantir a direção espiritual. Duvido que um de vocês tenha vida mais movimentada que a minha. Antes de ser Superior-Geral, eu já havia trabalhado em 10 países e, depois do Escolasticado, nunca deixei de ter a direção espiritual, com o mesmo diretor, por 25 anos. E, se hoje posso deixá-la, numa vida totalmente tomada pelo trabalho em proporções desarrazoadas, posso dizer-lhes que esse homem realmente me ajudou a prever e a me formar durante 25 anos. E, então, eu lhes digo: se realmente quiserem levar a sério seu crescimento no Cristo, escolham um homem que tenha andado nos caminhos de Cristo, que entende muito a respeito do Cristo e que esteja disposto a ajudá-los a encontrar progressivamente o Cristo em suas vidas”.14
No percurso para melhor conhecer Basílio como homem de Deus, vamos nos deter na experiência que tudo mudou nele, depois na natureza das relações que ele viveu com Deus, com Jesus, com o Espírito Santo. Como Irmãos Maristas, descobriremos o olhar penetrante e afetuoso que ele tinha para com a Santíssima Virgem Maria e o Fundador. Um grande espaço será reservado a Basílio, o homem da oração. Esta abrirá as portas do amor e da sabedoria próprias de todo familiar de Deus (Basílio diria de todo profeta). A visão que tinha da Vida Consagrada e dos votos enriquecerá nossa compreensão da pobreza, da castidade e da obediência e fará surgir em nós mais entusiasmo para vivermos nosso próprio dom ao Senhor.
O conjunto do trabalho é ordenado em função da vivência do primeiro e segundo mandamentos: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração... e o teu próximo como a ti mesmo!’.

O primeiro mandamento inspira a primeira parte; o segundo, a segunda parte. Mas são dois amores que sempre vão juntos. Teremos freqüentemente ocasião de escutar Basílio a no-lo relembrar. Nossa conclusão será: Basílio encontrou Deus que se revela a ele como Amor; ficou abrasado disso e deixou Deus ser na sua vida um longo serviço de amor.







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