Caderno 1 a graçA, deus, jesus, o espírito ir. Giovanni Bigotto termo de apresentaçÃO



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4.3. Jesus e nós somos um
Aqui nos encontramos diante de uma das linhas-forças da fé do Irmão Basílio; ele o confessa, às vezes com expressões tão raras e surpreendentes que elas não podem passar despercebidas. Escreve ele: “Cada um carrega em si um mistério: Jesus Cristo é eu, e eu sou Jesus Cristo, no mais profundo sentido da palavra".44 Isso já não e um belo achado literário nem uma audácia teológica, mas a profissão de uma fé profunda, vivida, cujas expressões encontramos nas conferências feitas no Canadá, em 1970, como prova o texto 4, no final do capítulo: “Não se deve esquecer que a Vida Religiosa não é outra coisa do que a vida evangélica de Jesus Cristo derramada em nossos corações e trabalhada constantemente pelo Espírito Santo”.45 Não é, certamente, nenhum cristão comum que poderia afirmar isso, mas aquele que, como Paulo, chegou ao ponto de poder dizer: “Não sou mais eu que vivo; é Cristo que vive em mim!”. Pensando que Jesus, pela morte e ressurreição, perde suas condições físicas de ação na humanidade e que, para agir, precisa de outras humanidades que se oferecem a ele, Basílio escreve esta oração: “Senhor, tu não podes mais contar com a humanidade física de Jesus. Mas eis em mim, para teu Verbo, outra humanidade integral, não apenas um corpo, pés, mãos, cabeça, mas o livre arbítrio, uma psicologia, um coração que te suplica inundá-lo de teu Espírito... E, realmente, o Verbo que fez viver Jesus-homem de maneira divina, habitando agora em nós em novos Cristos, quer fazer com homens obedientes, os revolucionários da história”. Já na Prática sobre a Oração, ele havia formulado esta idéia: “O cristianismo é uma vida interpessoal na unidade... Eu e Jesus somos dois, mas somos também um, porque Jesus e eu somos Igreja”.46 Em muitas passagens, Basílio diz que os verdadeiros cristãos “são vividos por Cristo”, que o Batismo realmente acolhido faz com que a vida de Cristo suba em todo o nosso eu, invadindo-o em todos os seus instintos mais espontâneos, porque é a infusão do mesmo Espírito do Filho. Ele se pergunta: ”O que é um cristão?”. Não o que ‘é praticante’, mas aquele em quem a vida de Jesus se derrama, que é vivido por Jesus, pelo Espírito de Jesus. Ora, se vive com o Espírito de Jesus, é na medida em que o Batismo sobe nele como mar que invade o coração, a cabeça, os critérios de julgamento, a consciência”.47 É então que nós também somos filhos no Filho. E nesse caso nossa oração é de fato a voz de Cristo que se dirige ao Pai: “Quando um homem reza e sua vida é verdadeiramente cristã, é Cristo, primogênito do seio de Maria, quem reza nesse homem; sua oração não é senão a vida do Cristo que se exprime em palavras”.48 Já na sua primeira Circular havia afirmado: “Confraternizando com o único que é Filho, com Jesus que esgota a paternidade do Pai, configurados a Jesus pelo Espírito, podemos invocar e clamar: ‘Abba, Pai’, do íntimo do nosso coração”. E ele insiste: “ Não se trata apenas de se saber chamados por um Tu transcendente, mas saber-se irmãos de Jesus, configurados a Ele pelo Espírito e, com sua força, poder clamar: ‘Abba, Pai!’”.49




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