Caderno 1 a graçA, deus, jesus, o espírito ir. Giovanni Bigotto termo de apresentaçÃO



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Ir. Giovanni Maria Bigotto

Um agradecimento especial aos Irs. Alain Delorme e Louis Richard por terem relido e aperfeiçoado o texto.



1

UM ANTEGOSTO

Basílio é, primeiramente, homem de Deus, seduzido por Deus. Como Marcelino, ele é arrebatado pelo amor gratuito que Deus lhe tem. No testemunho que deixou na revista espanhola Religiosos de hoy, em que conta a graça que tivera, ele dizia: “Não há dúvida de que o papel principal cabe a Deus... Produziu-se uma mudança completa na minha vida: as atividades e o entusiasmo por tudo o que me havia arrebatado até então mudaram de rumo... Meu centro de interesse deslocou-se para a vida de oração, e não me era difícil consagrar horas inteiras à oração pessoal. A Eucaristia diária tornou-se-me uma necessidade”. À revista J.M.V. ele confidenciou: “Na escuta atenta da palavra de Deus se trava um diálogo de intimidade que faz nascer o desejo veemente de proclamar, pela vida, que Deus é a plenitude do amor... Nasce uma exigência de busca apaixonada da vontade de Deus numa comunhão eclesial generosa... Quando uma vez se empenhou sua existência no terreno do amor, não há mais marcha à ré... Quem conheceu a fascinação do amor de Deus sabe que não se pertence mais. A alma, de fato, não pede, ela se dá...”.1 Na Circular sobre a Obediência, ele tem esta afirmação surpreendente: “Todos trazemos em nós um profundo mistério: é que Jesus é eu e eu sou Jesus”.2 Somente os que vivem isso é que podem dizê-lo.

Dessa Circular pedimos emprestado outro texto central e revelador: “A essência, o coração, o tudo do cristianismo é o amor; amor que brota um pouco no Antigo Testamento, mas que ressoa em plenitude em Jesus Cristo. Esse amor do Pai vai culminar numa aliança total – aliança em Jesus, aliança no Espírito Santo – para fazer-nos entrar no coração do amor. Todas as virtudes cristãs devem, pois, ser consideradas como amor e a partir do amor”.3

Esses textos esclarecem o fundo do coração de Basílio e nos revelam a força motriz de sua vida apostólica: necessidade de se doar sem limites, mesmo que a vela se consuma pelas duas pontas. Então compreendemos por que, após suas noitadas de trabalho, ele chega nos primeiros clarões da aurora e se retira à capela para uma hora de adoração. Então compreendemos também por que, quando em 1985, lhe concedem um ano sabático, ele vai consagrar um mês de retiro para rezar conforme a espiritualidade do Carmelo, depois outro tempo para fazer os 30 dias de Santo Inácio, seguidos de curso sobre a Lectio Divina e, enfim, uma viagem à Terra Santa. É essa paixão por Deus que explica o grande número de retiros que deu por toda a parte no Instituto sobre a Oração, suas Circulares sobre a Oração, sobre a criatividade na oração da comunidade, sua Meditação em voz alta diante dos Irmãos Provinciais, sua Circular sobre a Oração. Sabia que fogo ardia nele e queria que todos os Irmãos fossem abrasados por esse fogo.


É esse amor que forjou nele o apóstolo: um homem que se doou sem limites, semeando entusiasmo por toda a parte entre os Irmãos e entre seus colaboradores na Família Marista, nos ex-alunos, no meio dos jovens noviços que o rodeavam e estimavam; no meio dos Superiores Maiores que nele encontravam luz, coragem e paz. Basílio era otimista por natureza, mas era-o muito mais por sua experiência de Deus que mantinha sempre acesa em seu coração a flama da esperança e da confiança. A mensagem que deixa aos Irmãos Capitulares de 1993 é verdadeiro grito de esperança: “Não desanimem, tenham muita confiança...”.4 A um Irmão do Equador que lhe pergunta “Que conselho de renovação o senhor daria aos Irmãos preocupados com o apostolado marista?”, ele responde: “A vida de apostolado sem vida interior acima da média pode converter-se em ativismo puramente humano”.
Eis em que Basílio queria que nossa vida marista se fixasse antes de tudo: em Deus. A última mensagem que envia a seus amigos mais íntimos, a alguns dias da sua morte, segue esta lógica: “Ponho tudo nas mãos de Jesus Cristo, nas mãos do Pai e nelas sinto-me em paz profunda, na ação de graças e no louvor total. Sei que não há mãos melhores que as de Deus e é nelas que me coloquei”.5



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