Bullying enquanto elemento socializador juvenil1 Jamile Guimarães


APRESENTAÇÃO DE UM CASO EMBLEMÁTICO



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APRESENTAÇÃO DE UM CASO EMBLEMÁTICO

Nas escolas observadas, a hierarquia social é definida pela atratividade e aparência encarnadas por meninas “gentis” e “doces”. O caso ora narrado ocorreu na escola de São Paulo. Elena, de 13 anos, 8º ano, se destaca socialmente na escola por ser bonita e meiga. Os meninos a consideravam a garota ideal para ser namorada. A sua popularidade entre os meninos advém do desejo que desperta neles. No entanto, ela é malvista e isolada pelas meninas, que se colocam como rivais na competição heterossexual.

Elena foi definida pela maioria das garotas da escola como “funkeira”, “que só fala de homem”, “fofoqueira”, “cada dia tá namorando com um diferente”. Desde que começou a namorar com Ernesto, constantemente esteve envolvida em casos em fofocas, brigas e discussões. Quando em uma conversa no recreio lhe perguntei se havia algo que a incomodava na situação de conflitos em que estava envolvida, disse: “chato... eu só tenho duas amigas, elas [as demais colegas da escola] não gostam de mim, não falam comigo”.

Ela é alvo de intimidação e manipulação social de um grupo de meninas rivais, Adriana, Marcela e Lucília, de 14 anos, todas da mesma turma. Adriana tinha sido ficante do então namorado de Elena, o Ernesto (um garoto popular, considerado muito bonito e cobiçado pelas meninas), e Marcela a acusava de ter ficado com um menino enquanto ela ainda estava com ele. Marcela e Adriana não eram amigas próximas até terem vivido essas situações de competição contra uma rival em comum. No cenário social escolar, as duas eram consideradas “umas atiradas sem importância”, como afirmou um garoto da turma delas.

Este grupo, indiretamente, tramou vários disse-me-disse de que Elena havia chamado outras meninas de ‘puta’. Esse tipo de boato foi utilizado em diversos momentos, com o fito de provocar confrontos físicos, ameaças de agressão e o isolamento paulatino de Elena das garotas da escola. Esse processo de exclusão ainda teve Marcela coagindo uma amiga em comum para que terminasse a amizade com Elena. Igualmente, foram feitas algumas intimidações diretas: o grupo a seguiu até a sua casa durante alguns dias e na escola a ameaçavam de agressão física.

Por fim, Adriana pediu que uma amiga contasse a Elena que Ernesto a estava traindo com ela. Elena ficou com raiva e resolveu ficar com um amigo dele para se vingar. Adriana contou a história a Ernesto que flagrou Elena ficando com o amigo. O objetivo de Adriana era que Ernesto terminasse o namoro com Elena. Uma fofoca sobre o ocorrido foi contada para a sala toda: tinha clara intenção de humilhar e rebaixar Elena moralmente. A intimidação só cessou quando Ernesto voltou a ficar com Adriana.



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