Biografia de Jacob Levi Moreno



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PSICODRAMA

O psicodrama, emprega a acção dramática guiada para examinar problemas ou acontecimentos levantados por um indivíduo (psicodrama) ou por um grupo (sociodrama). Pode também ser definido como a ciência que explora a “verdade” por métodos dramáticos.


O método psicodramático está concebido de tal modo que pode explorar e tratar o comportamento imediato em todas as suas dimensões. Este método usa, principalmente, cinco instrumentos – o palco, o sujeito ou paciente, o director, o staff de assistentes terapêuticos ou egos auxiliares, e o público.
O primeiro instrumento é o palco, este proporciona ao paciente um espaço vivencial que é flexível e multidimensional ao máximo. Realidade e fantasia não estão em conflito; pelo contrário, ambas são funções dentro de uma esfera mais vasta.
O segundo instrumento é o sujeito ou paciente. É solicitado a ser ele mesmo no palco, a retractar o seu próprio mundo privado. É instruído para ser ele mesmo, não um actor. Ele tem de actuar livremente, à medida que as coisas lhe chegam à mente, é por isso que tem de lhe ser concedida liberdade de expressão, espontaneidade.
O terceiro instrumento é o director. Ele tem três funções: produtor, terapeuta e analista. Como produtor tem de estar alerta para converter toda e qualquer pista que o sujeito ofereça em acção dramática, para conjugar a linha de produção com a linha vital do sujeito e nunca deixar que a produção perca contacto com o público. Como terapeuta, atacar e chocar o sujeito é, por vezes, tão permissível quanto rir. Como analista, poderá complementar a sua própria interpretação mediante respostas provenientes de informantes no público.
O quarto instrumento é um staff de egos auxiliares. Estes egos auxiliares ou actores terapêuticos têm um duplo significado. São extensões do director, exploratórias e terapêuticas, mas são também extensões do paciente, retractando as personae reais ou imaginadas do seu drama vital. As funções do ego auxiliar são triplas: a função do actor, retractando papeis requeridos pelo mundo do paciente; a função do agente terapêutico, guiando o sujeito, a função do investigador social.
O quinto instrumento é o público. Este reveste-se de uma dupla finalidade: pode servir para ajudar o paciente ou, sendo ele próprio ajudado pelo sujeito no palco, converte-se então em paciente.
O psicodrama procura, com a colaboração do paciente, transferir a mente “para fora” do indivíduo e objectivá-la dentro de um universo tangível e controlável. A sua finalidade é tornar directamente visível, observável e mensurável o comportamento total.
O psicodrama foi introduzido nos Estados Unidos em 1925 e, desde então, vários métodos clínicos foram desenvolvidos: o psicodrama terapêutico, o sociodrama, o axiodrama, o desempenho de papeis (role playing), o psicodrama analítico e várias modificações dos mesmos.
Um psicodrama pode ser produzido em qualquer lugar, onde quer que os pacientes estejam, no entanto, o mais vantajoso é um espaço terapêutico especialmente adaptado, contendo um palco.
O psicodrama está centrado no protagonista (no problema privado do protagonista) ou centrado no grupo (no problema do grupo). Em geral, é importante que o tema, privado ou colectivo, seja um problema verdadeiramente sentido pelos participantes. Os participantes devem representar as suas experiências espontaneamente, embora a repetição de um tema possa revestir-se, com frequência, de vantagens terapêuticas.

No psicodrama, a espontaneidade opera não só na dimensão das palavras mas em todas as outras dimensões de expressão, como a actuação, a interacção, a fala, a dança, o canto e o desenho.


Numa sessão de psicodrama classicamente estruturado, existem três fases distintas (componentes estruturais) :

1.º O aquecimento : o tem do grupo é identificado e a protagonista é seleccionada;

2.º A acção : o problema é dramatizado e o protagonista explora novos métodos de os resolver;

3.º O compartilhar : membros do grupo são convidados a expressar a sua ligação com o trabalho dos protagonistas.


O Psicodrama concede aos participantes um meio ambiente seguro e de auxílio em que possa praticar novas práticas, papéis e comportamentos mais eficazes.
Segundo Blatner, (1988, p.1) : “O psicodrama é um método de psicoterapia na qual os pacientes representam os acontecimentos relevantes da sua vida em vez de simplesmente falar sobre eles. Isto implica explorar na acção; não só os acontecimentos históricos, mas, o que é mais importante, as dimensões do conhecimento psicológicos não abordados habitualmente nas representações dramáticas convencionais: os pensamentos não verbalizados, os encontros com os que não estão presentes, representações de fantasias sobre os que os outros podem estar a sentir ou a pensar, um futuro possível, imaginado e muitos outros aspectos dos fenómenos da experiência humana. O psicodrama é usado habitualemte num contexto grupal e pode ser um método muito útil para catalizar o processo grupal (e, por sua vez, ser catalizado pela dinâmica grupal), não deve ser considerado como uma forma de terapia especificamente grupal. Pode ser usado, como sucede em França, com vários co-terapeutas treinados e um só paciente. Também pode usar-se o psicodrama com familias ou inclusivé, de uma forma modificada, em terapias individuais.”
Por outras palavras, o psicodrama é uma forma de psicoterapia (ou recurso psicoterapêutico) que consiste na representação (dramatização) por parte do paciente , de acontecimentos passados ou futuros, reais ou imaginários, externos ou internos, experimentados ao máximo, como se tivessem sucedido no presente.
Nestas representações utilizam-se diversas técnicas dramáticas, guiadas por certos princípios e regras, e destinadas, segundo o requerido pelo processo, a um ou mais dos seguintes objectivos principais:


  • Dar.-se conta dos próprios pensamentos, sentimentos, motivações, conductas e relações;

  • Melhorar a compreensão das situações, dos pontos de vista das outras pessoas e da nossa imagem ou acção sobre elas;

  • Investigar e descobrir a possibilidade e a própria capacidade de novas e mais opções funcionais de conducta (novas respostas);

  • Ensaiar, aprender ou preparar-se para actuar as conductas ou respostas que se encontrarem mais convenientes.





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