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Biopolítica e práticas destinadas às famílias e aos jovens



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2.9. Biopolítica e práticas destinadas às famílias e aos jovens

Como ressalta Spink (2010), é nesse contexto político que podemos compreender o aparecimento de uma nova preocupação com a sorte e a saúde da população como objetivo de governo: um de seus efeitos principais será a importância com a qual a Medicina passará a ser revestida, no século XVIII, através do “[...] cruzamento de uma nova economia ‘analítica’ da assistência com a emergência de uma nova ‘polícia’ geral da saúde [...]” (FOUCAULT, 1989, p.198). Um alargamento referente ao problema geral da saúde se estabelece, na medida em que o aparecimento de uma polícia médica com suas obrigações e serviços, rivaliza com as práticas de socorro, pautadas na caridade, formatando uma espécie de nosopolítica.

Essa política de saúde, incipiente no século XVIII e bem mais delineada no século XIX, passou a desenvolver táticas e estratégias de controle biológico e de sujeição. Destacamos duas estratégias básicas para a sua implementação: a primeira concerne ao privilégio dado à infância, na perspectiva do governo, e à consequente medicalização da família. Trata-se de garantir a sobrevivência, mas também de gerir cada fase da vida. A segunda característica revela a importância atribuída à higiene pública e à Medicina como instrumento de controle social:

[...] a medicina que se delineia nessa perspectiva higienista tem um tríplice objetivo: fazer desaparecer os surtos epidêmicos, baixar as taxas de mortalidade aumentar a duração média de vida. E para isso são necessários mecanismos de controle que extrapolam o âmbito das regras de vida que cada um adota. (SPINK, 2010, p.30).


Nesse sentido, preocupações com a despopulação (PERROT apud SPINK, 2010), em função das altas taxas de mortalidade infantil e materna, no século XIX, em países europeus como a França e a Inglaterra, devido aos primeiros e precários conglomerados urbanos (FOUCAULT, 1989), levaram ao exacerbamento de medidas preventivas de mortalidade infantil, de proteção da saúde do feto e das crianças.

Uma vasta literatura considerada científica sobre cuidados médicos relativos às crianças proliferou, durante o século XVIII, e alcançou o seu apogeu no último terço do século XIX. A formalização desses saberes é instituída com o aparecimento da obstetrícia como disciplina médica, na passagem para o século XX. No mesmo período, saberes vizinhos e importantes para a medicalização da família e desenvolvimento de uma higiene pública, ganharam fôlego e o status de cientificidade e, portanto, de conhecimentos verdadeiros e necessários para a boa condução e bem-estar social, entre os quais a Psicologia, a Pedagogia, a Psiquiatria, a Puericultura e os novos paradigmas do Direito Penal.

Agindo em várias frontes de ação, os médicos e demais especialistas em questão contribuíram para a produção dos dispositivos necessários para a medicalização das famílias e a normalização da infância. O trabalho nas clínicas, a ocupação de lugares estratégicos em instâncias políticas e legisladoras e práticas educacionais maciças destinadas às mães, por meios de livros, panfletos, jornais, revistas e campanhas diretas foram suas principais estratégias.

Essas ações visavam à disseminação e a uma extrema valorização dos saberes médicos, em detrimento dos conhecimentos populares sobre questões referentes aos processos de procriação e de criação dos infantes. “Na era da ciência, passou a ser inadequado deixar a reprodução para a Natureza [...]” (SPINK, 2010, p.33). Para tanto, os especialistas principiaram a trabalhar com o preceito de que os cuidados com as crianças necessitavam de conhecimentos a serem aprendidos, pois não eram instintivos. Uma boa maternidade seria questão de uma boa educação, através de conhecimentos aprendidos: a criança e os jovens necessitariam de direcionamentos específicos produzidos pelos especialistas para seu “bom desenvolvimento”.







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