AvaliaçÕes externas: prova brasil e projeto senna



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Algumas considerações
Como ainda estamos em processo de elaboração de nossa pesquisa não podemos apontar conclusões precisas. No entanto, alguns elementos, relevantes para o entendimento destas políticas de avaliação, podem ser indicados.

Quando analisamos a pedagogia das competências, observamos que ela fundamenta-se nos princípios de que toda a aprendizagem que o aluno constrói sozinho tem mais valor do que aquilo que é ensinado. Sendo assim, deve ser considerado que o aluno tem um percurso próprio de aprender, não devendo “simplesmente|” assimilar os conhecimentos que já estão socialmente validados, pelo contrário, ele deverá aprender apenas aquilo é atrativo para que ele possa agir (DUARTE, 2001).

Evidentemente, as avaliações não tem fugido a estes princípios. Por isso, avaliações como a Prova Brasil, não buscam avaliar conceitos científicos clássicos, mas competências básicas, que não exigem dos alunos a memorização, valorizando a inteligência fluída. Alterações, estas, que ocorreram em 1997 por meio de processos de formulação de Matrizes de Referência elaboradas pelo SAEB, juntamente com grupos de pesquisadores, que objetivaram inserir novas metodologias nas avaliações externas.

Ao nos aprofundarmos, no entendimento deste processo, vemos que a pedagogia das competências se afina com o modelo de empregabilidade necessária às cadeias produtivas. No mundo do trabalho, ao trabalhador resta a execução de ações de ordem prática, separadas do planejamento, tendo em vista que recursos tecnológicos como pen drives, Cds, celulares, computadores, assim como a robótica tem capacidades para substituir o homem e sua memória, com eficiência. Wood (2011) problematiza esta questão da seguinte forma:


As evidencias sugerem que o capital não tem maior probabilidade de gravitar em torno de uma força de trabalho altamente qualificada do que de outra mais barata. De fato, o crescimento atual do desemprego na Alemanha, o modelo de uma economia bem treinada, deve ser suficiente para lançar dúvidas sobre a solução pelo treinamento; e lá exatamente na indústria de alta tecnologia, há sinais de uma tendência a se deslocar as fábricas européias para a Ásia, deixando uma força de trabalho qualificada, mas ‘inflexível’ para locais onde os custos do trabalho, inclusive pensões e planos de saúde, são menores, e onde há uma ‘cultura’ menos avessa a longas e insalubres jornadas de trabalho, a turnos ininterruptos e a condições de trabalho geralmente piores (WOOD, 2011, p. 245).
Por isso, ao que nos parece estas duas avaliações, sintetizam um movimento em que de um lado é preciso garantir minimamente uma formação básica de cálculo e leitura, isso explicaria a existência da Prova Brasil. Sabemos que para viver em uma sociedade urbana e capitalista, as pessoas tem que se apropriar mesmo que rudimentarmente da linguagem escrita e numérica, para trabalhar, transitar nas cidades, consumir, etc.

Por outro lado, avaliações como a elaborada pelo projeto SENNA, contribuirão para educar moralmente a população, educar o “caráter”, moldando um tipo de personalidade, que sirva tanto para o mercado de trabalho, que exige um perfil de profissional comunicativo, responsável, controlado emocionalmente, em resumo, um sujeito submisso e produtivo aos designíos do capital. O projeto SENNA, expressa uma realidade, onde é preciso educar, o empregado flexível, porque vive constantemente com medo, ansioso, pelas incertezas de ser demitido e ficar sem meios de garantir sua existência.

Mas, também se busca educar o desempregado, expulso do mundo do trabalho que deve ter equilíbrio emocional para aceitar sua condição, como uma responsabilidade sua, e deve criar estratégias para sair dessa situação, agindo de maneira resiliente, ou seja, de forma positiva. Entretanto, cerceado do entendimento da dinâmica da sociedade capitalista, que o expele do trabalho e o faz mão-de-obra supérflua.

A escola, nesta proposta política serve para formar ambos, empregado e desempregado, forjando neles, sentimentos de docilidade, para que não se revoltem e aceitem passivamente a exploração, a miserabilidade, evitando conflitos.

No contexto político, vemos que o projeto SENNA, não é algo consolidado, mas está passando por um processo de ajustes, de adaptações para tornar-se talvez em um futuro próximo uma avaliação com a abrangência da Prova Brasil.

Suas proposições, em síntese, nos evidenciam que em tempos de perda dos direitos trabalhistas, como estes que vivemos, a exemplo das políticas de terceirização no Brasil, é preciso educar a humanidade para adaptar-se a processos de deterioração da própria humanidade. Neste contexto, visto como “imutável e natural” indagamos se não seria preciso educar nossas crianças para serem “escrupulosas”? Ensiná-las a trabalhar e se esforçar, sem esperar recompensas?





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