Aula 1 a pedagogia: cientificidade, teorias e concepçÕES



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AULA 1
A PEDAGOGIA: CIENTIFICIDADE, TEORIAS E CONCEPÇÕES
Há uma inadequação cada vez maior, profunda e grave entre os nossos conhecimentos disjuntos, partidos, compartilhados entre disciplinas e, de outra parte,

realidades ou problemas cada vez mais polidisciplinares, transversais,

multidimensionais, transnacionais, globais, planetários.

Edgar Morin
Prezado aluno, neste módulo vamos discutir um pouco sobre as Ciências da Educação, também chamada de Pedagogia, as questões do reconhecimento do campo de estudos e cientificidade implicada ao mesmo. Chegamos ao objeto de estudo e discutimos um pouco as teorias e concepções, em constante discussão no campo da cientificidade, na tentativa de esclarecer e acompanhar o desenvolvimento do e sobre o conhecimento educativo em fundamentações sólidas e coerentes com a ação de educar. Vale ressaltar a questão da nomenclatura sobre essa área de conhecimento que vai se desenhando conforme a evolução do pensamento pedagógico e do reconhecimento deste conhecimento como sendo científico.

Vislumbra-se hoje uma ciência pedagógica que nos remete a considerar os contextos de formação de uma cosmovisão, a qual especialistas em diferentes áreas do conhecimento comungam que é a pós-modernidade. As discussões mais teóricas sobre as concepções e bases científicas de identificação se realmente pertencemos a uma condição pós-moderna (Bauman, 1998; Santos, 1998; Kuhn, 1998; Morin, 2001; Lyotard, 2000) ou se pertencemos a uma condição de modernidade (Chartier, 2001) em continuidade, não é objeto de estudo no momento, mas a concepção desenvolvida nas aulas e textos se pautam na concepção de pós-modernidade, em evidência as referências do conhecimento epistemológico, científico e teórico sobre a teoria pedagógica: educação, pedagogia e a docência.

A ciência da educação possui um significado particular perante seu caráter epistemológico ser considerado frágil. Considerar uma ciência da educação – pedagogia -, advinda das práticas educativas significa considerar que a pedagogia não é um conjunto de enunciados advindos de outras ciências ou de uma dada filosofia. Trata-se de entender a pedagogia sob o viés da cientificidade, ou seja, quando se coloca o problema de saber da qualificação científica estamos nos referindo aos problemas da identificação do que é específico da ciência que confere-lhe a distinção daquilo que não é ciência. O conhecimento científico é distinguido dos demais conhecimentos por duas características essenciais; o primado da teoria e a existência de um método consciente, explicitado e constantemente aberto a revisão e crítica (Canário, 2005). Estas características imprimem que na ciência nada é “dado” mas “construído”, firma o caráter conjetural e provisório dos fatos a serem refutados (Popper apud Canário, 2005). Para Bachelar (1984) o conhecimento científico não existe sem um questionamento. A sobrevivência do conhecimento científico está em se levantar os problemas e construir as suas respostas provisórias por meio da sistemática e do controle das informações empíricas. Assim, os problemas não estão presentes por si próprios mas orientados e construídos pelos questionamentos orientando novos conhecimentos. Nessa dinâmica o método possibilita o pensamento e a explicação permanente e contínua do fato abrindo espaço para a simultaneidade de inferências teóricas externas, sujeitos a uma análise criteriosa e ao debate junto a comunidade científica. Podemos perceber, então, que quando o conhecimento é exposto a uma dada comunidade de investigadores essa comunidade estabelece em consenso coletivo que esse possui um caráter científico-teórico, conclui-se que o critério único de cientificidade não existe. Esse princípio confere às ciências sociais e da educação a sua institucionalização (Canário, 2005). Assim, ciência no momento em que se apresenta como uma variável histórica concede á ciência da educação esta regra. As ciências da educação apresenta a mesma dinâmica de caráter histórico como todos os demais domínios científicos. Nos séculos XIX e XX os sistemas educativos na esfera dos estados-nação passa pelo processo de institucionalização de seu campo de conhecimento específico: a produção dos conhecimentos dos fenômenos educativos, que é concomitante ao surgimento de campos profissionais no nível universitário que se consolida com a expansão escolar da década de 60 (Canário,2005).

Para Canário (2005) três dimensões referenciais determinam a cientificidade das ciências da educação e precisam ser esclarecidas: a dimensão das fronteiras da educação, a dimensão da identidade e a dimensão da pertinência.

A Pedagogia, nos diz Mazzotti (2001), é uma teoria científica que parte da prática considerando a epistemologia quando não utilizamos as lógicas clássicas para compreender esta área de estudos e, inclusive, reconhecer a interdisciplinaridade dos conhecimentos e os limites de cada ciência e do que é próprio da pedagogia. Em primeiro lugar tomar a pedagogia como tecnologia é confundi-la com a Didática Geral ou com a Psicopedagogia, em segundo a pedagogia vista como ciência pode se confundir com as Ciências Sociais e, por último, vista como Filosofia Aplicada pode se traduzir em uma dada Filosofia educativa.

É neste momento que retomamos as dimensões das ciências da educação – pedagogia (Canário, 2005). No quê as Ciências da educação diferem das ciências sociais. Na dimensão das fronteiras da educação a ruptura e intervenção de Canário (2005) é demasiada interessante, pois demonstra o paradoxo da luta na dissociação das fronteiras na área das ciências humanas, ou seja, a tentativa de distinção e partilha entre as várias ciências sociais no momento em que incidem sobre a investigação em que se dá a unidade do real e o caráter total dos fenômenos sociais e se têm a tentativa de segmentar a realidade para poder estabelecer uma “reserva de caça” (Ferraroti, 1986). Canário (2005) vê esse movimento de identificação como um dos problemas na área das ciências sociais.

Braudel (1972) propõe uma imagem para visualizarmos esta problemática: supõe que se todas as ciências se interessassem por uma única e comum paisagem, seja do passado, presente ou futuro. E que desta paisagem teriam que definir,evidenciar e demonstrar. Neste contexto as ciências humanas teriam tantos observatórios pois cada um com suas especificidades de visões, argumentos e evidencias diferentes. Os recortes da paisagem são fragmentos de cada área não ajustáveis. Por acaso cada área não exige uma imagem de conjunto para poder tornar válida a função da imagem?

O fato das áreas possuírem suas especificidades do fenômeno social não implica que estejam isoladas no único nicho de conhecimentos. As fronteiras nas ciências sociais podem ser evidenciadas a partir da forma de divisão do trabalho condicionadas as circunstâncias históricas e sociais, porém ao mesmo tempo de caracterizam por serem plásticas não tendo nenhuma disciplina em si o monopólio de conceitos, de métodos e técnicas, assuntos e ou coleta e tratamento de dados empíricos (Canário, 2005).

O outro problema decisivo apresentado por Canário (2005) é quanto a abordagem da realidade social. Considera que em qualquer abordagem da realidade social é recortada em função da exaustividade do problema, isso ressalta mais a referência ao problema a estudar do que a reconhecer a interdisciplinaridade das fronteiras. O mais importante do que tentar definir e justificar as fronteiras disciplinares, é centrar esforços na construção de objetos científicos, metodologias, e modos próprios de cada investigação com base em um patrimônio teórico e conceitual voltado às várias ciências sociais, contribuindo significativamente e consciente para a transgressão das fronteiras disciplinares.

Para falar da identidade o campo de discussão sobre a epistemologia, os conceitos, a natureza e objeto de estudos da pedagogia encontram-se em ebulição, pois a luta travada no estabelecimento de políticas para a formação do profissional Pedagogo suscitou a visita às áreas mais sutis de fundação da concepção e da natureza das atividades deste profissional. Desta forma encontramos na legislação vigente um campo de questionamentos e reflexões sobre a profissão. Mas, a fragilidade encontrada no campo da educação é comum a outras ciências sociais, ou seja, sua investigação das problematizações das “práticas educativas” constituírem um campo de processos de “produção de verdades”. Hoje a ciência da educação possui um corpo de “verdades” tanto no que se refere à existência de uma comunidade investigadora com métodos próprios de olhar e inferir sobre os fenômenos educativos e registrar sua produção em rituais acadêmicos (revistas científicas, associações, congressos, entre outros), como também possui atividades próprias de investigação. Assim, a questão dos critérios de validade científica nas ciências da educação está posta como nos outros domínios das ciências sociais, ou seja, de se saber se há uma produção ou não de um saber, específico em ruptura com os domínios do senso comum enquadrando-se e respeitando as formas de rigor controláveis por uma comunidade de investigação (Charlot apud Canário, 1995).



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