Atletas e a cibercultura: olhar sobre as redes sociais



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ATLETAS E A CIBERCULTURA: OLHAR SOBRE AS REDES SOCIAIS ONLINE1
Renato Henrique Verzani2; Kauan Galvão Morão3, Guilherme Bagni4, Afonso Antonio Machado5, Adriane Beatriz de Souza Serapião6.
Introdução
A cibercultura é uma realidade que precisa ser devidamente abordada nos mais diversos contextos, como no caso do esportivo. Este tipo de discussão viabiliza uma utilização que acabe sendo vantajosa para os envolvidos, não criando as chances de surgirem problemas que trazem diversos prejuízos, sendo que, no caso deste ambiente, podem ter desdobramentos que reflitam na performance.

Este contexto esportivo possui um grande número de fatores que incidem diretamente, como ações de marketing, envolvimento de jornalistas, empresários, torcedores, familiares, patrocinadores, dentre diversos outros, devido ao grande apelo midiático que faz parte deste cenário, atingindo muitas pessoas. Esta questão cobra o envolvimento das mais diversas áreas do conhecimento no trato com as equipes, mas que nem sempre conta com a atenção necessária das equipes quanto a todas áreas que deveriam participar ativamente.

Este é o caso da psicologia do esporte, por exemplo, que deveria ser um dos principais pilares envolvendo a preparação dos atletas, até mesmo pela infinidade de situações a que estão expostos e convergem diretamente sobre os mesmos, necessitando assim de ser trabalhada da mesma maneira como os aspectos físicos, técnicos e táticos, visto que caso não esteja adequada alguma questão psicológica, como a ansiedade e o estresse, possivelmente haverá decréscimos no rendimento esportivo, mesmo que os outros pilares tenham sido devidamente trabalhados.

O que acontece normalmente, de acordo com Weinberg e Gould (2008), é que os profissionais acabam por deixar de lado aspectos como o psicológico por diversos fatores, como a falta de conhecimento, avaliações equivocadas no planejamento, considerando que não há tempo para este tipo de trabalho ou por considerar que as habilidades psicológicas não podem ser ensinadas. Há então um comodismo dos profissionais que estão normalmente mais próximos dos atletas, relutando em sair da zona de conforto e buscar conhecimentos que agreguem às chances de sucesso.

Toda esta questão que foi problematizada até então é justificada pelo fato do futebol, no Brasil, ser considerado um esporte muito representativo, bem como considerando o potencial em escala mundial desta modalidade. Assim sendo, precisamos observar que um atleta que disputa campeonatos em alto nível neste país possivelmente tenha enfrentado os mais diversos tipos de problemas e dificuldades para chegar no clube em que está e, por toda visibilidade que esta situação proporciona, necessita de cuidados adicionais.

Swann, Moran e Piggott (2015) também destacam a importância de uma modalidade como o futebol em um país com o Brasil, ressaltando as diferenças que um atleta de alto nível neste contexto enfrenta em relação aos outros esportes devido ao fato desta modalidade possuir ampla concorrência para chegar em uma equipe de alto nível, por ser a modalidade com maior destaque não apenas nacional, como mundial, levando um maior número de pessoas a disputarem um espaço nas grandes equipes e dificultando os caminhos para o sucesso.

Este tipo de fator conduz a uma cobrança bastante elevada em relação ao rendimento destes atletas, visto que principalmente em equipes de maior visibilidade, estes atletas acabam sendo julgados em todos os momentos, dentro e fora de campo, cobrando assim mais cuidados no cotidiano para evitar problemas que podem ou não estar diretamente relacionados à prática esportiva, visto que estão sendo constantemente vigiados, inclusive nos momentos extracampo.

Este ambiente de vigilância, por sua vez, ganhou ainda mais representatividade com as novas possibilidades tecnológicas que viabilizam maior conectividade e acesso às informações por torcedores e jornalistas, por exemplo, que têm grande interesse em saber cada vez mais sobre a vida dos jogadores e comparar com os rendimentos, caso os mesmos não estejam dentro dos parâmetros que consideram adequados ou mesmo quando percebem que algum fator, no caso dos jornalistas, pode obter grande repercussão e virar uma notícia que será amplamente visualizada, o que consequentemente pode levar os torcedores a também entrarem no embalo dos julgamentos realizados e criar problemas aos jogadores.

No caso de torcedores, esta relação de cobrança é bastante elevada por ter ligação direta com a paixão dos mesmos com os clubes e por exigirem sempre resultados positivos e ótimas atuações, o que é humanamente impossível, pois é comum haver oscilações no rendimento. Os jornalistas, por sua vez, também utilizam essas ferramentas para se aproximarem dos torcedores que possuem este forte envolvimento e divulgar notícias que aumentam ainda mais o interesse e mantêm altas visualizações nas páginas das empresas que trabalham, fazendo girar assim a informação de modo que pode atingir cada vez mais pessoas pelo potencial de alcance das redes sociais online, por exemplo, que vêm sendo cada vez mais utilizadas pela população em geral.

O potencial de alcance que as redes sociais online possuem já é bastante elevado e, ainda sim, precisamos considerar a possibilidade de que as pessoas costumam acessar diversas destas cotidianamente. Alcântara (2013) ressalta esta questão afirmando que permanecemos constantemente conectados, utilizando diversos perfis e contas de e-mail, desencadeando em trocas de informações em altas velocidades.

Sendo assim, Rebustini (2012) afirma que este tipo de envolvimento com uma alta utilização destas ferramentas faz com que as informações que circulam se espalhem rapidamente, pois ela pode ser compartilhada por uma pessoa e pelos amigos dela, e assim por diante, transformando esta situação no que o autor chama de efeito cascata no ciberespaço, demonstrando assim o quanto o impacto destas mídias é imediato. Pensando então em um atleta que já está constantemente em evidência, os cuidados precisam ser ainda maiores, evitando desta maneira com que publicações equivocadas ganhem ampla repercussão.

Para Linhares (2013), as diversas mudanças que vêm ocorrendo ultimamente decorrentes do processo de globalização nos conduzem à redução das distâncias e quebras em limites que envolvem as nações, utilizando as tecnologias para potencializar as trocas de informações com uma fluidez destacável, que transpassa barreiras como o próprio espaço e tempo.

A inexistência de grandes barreiras ou filtros envolvendo as informações que estão circulando proporcionam uma grande facilidade no contato com as mesmas, tendo então a internet um papel fundamental na alta velocidade de envio e possibilitando o acesso nos mais diversos lugares, por qualquer sujeito (LINHARES, 2013). Nem sempre este tipo de constatação está muito claro, apesar de ser muito importante de ser debatida por todos que estão participando destas interações no ciberespaço.

Segundo Baldanza (2006), estas mudanças alteram questões como a da sociabilidade, pois os contatos viabilizados pela internet promovem uma intensificação da comunicação e criam um contato mais representativo neste ambiente virtual no cotidiano das pessoas. Esta não é a primeira grande mudança, pois temos o exemplo da própria escrita, que tornou possível uma comunicação de qualidade, mesmo sem a presença do corpo físico no mesmo ambiente, o que foi um grande marco, denominado comunicação mediada.

Um dos grandes destaques que temos nas interações proporcionadas pela internet, por sua vez, é uma comunicação de grande alcance e alta velocidade, com a possibilidade de ocorrer de maneira síncrona ou assíncrona, isto é, acontecendo de maneira instantânea ou mesmo por mensagens que serão vistas e respondidas posteriormente, o que também é um atrativo desta comunicação e aumenta as possibilidades de contato entre as pessoas.

Com isso, Castells (2007) e Zanetti (2013) destacam que as mudanças que convergiram em trocas entre as novas tecnologias que passaram a ser criadas a partir da década de 70, a cultura e a sociedade culminaram no que é chamado de cibercultura. Há então, por meio da evolução da internet e dos aparelhos cada vez mais tecnológicos que facilitam a conectividade, uma grande troca entre comunidades.

Contudo, precisamos ter atenção para o fato de que a tecnologia não está direcionando os rumos da cultura, mas sim que esta seria uma cultura que atualmente conta com grande presença das tecnologias ou aparatos tecnológicos (CASTELLS, 2007; ZANETTI, 2013). Isto é, temos que faz parte do cotidiano das pessoas utilizar estas novas possibilidades para trocadas de informação e para a socialização virtual.

Desta maneira, precisamos também ter bem clara a ideia de que a interação no ciberespaço é um processo irreversível (ALCÂNTARA, 2013). Um cuidado importante diz respeito ao julgamento realizado referente às novas tecnologias, uma vez que elas não são as responsáveis pelas situações negativas que surgem, mas sim a utilização inadequada das mesmas, devido a questões como falhas em valores morais ou na formação das pessoas (DIAS; SANTOS; ERNESTO, 2012).

Com isso, levando em consideração que o esporte de alto rendimento precisa de uma ampla preparação que leva em consideração aspectos como os físicos, técnicos, táticos e psicológicos, constatamos que a utilização das redes sociais pode trazer alterações principalmente neste último aspecto citado, que acaba interferindo nos outros. Agresta e Brandão (2007) destacam que manejar adequadamente as questões psicológicas diferencia os vencedores dos outros atletas, reduzindo as chances de fracasso.

Para Brandão e Machado (2008), o envolvimento com a elite do esporte traz diversas vivências, que muitas vezes são intensas e exigem muito dos aspectos psicológicos dos atletas, pois é fundamental que mantenham o autocontrole referente as demandas que vão surgindo, pois estão sofrendo constantemente diversas pressões originadas de muitas pessoas (torcedores, jornalistas, familiares, dirigentes, dentre outros).

A utilização das redes sociais pelos atletas pode então levar a necessidade de olhares mais direcionados, pois como enfatizam Rebustini et al. (2012), este ambiente pode conduzir a uma vulnerabilidade muito grande. Isto ocorre devido ao grande fluxo de informações em uma velocidade muito alta, dificultando o controle sobre o que é postado, principalmente se houver um equívoco na postagem ou mesmo com relação as postagens de terceiros.

Com isso, já que esta nova realidade permite estarmos conectados o tempo todo e em diversos lugares, qualquer ação que ocorra não nos permite distanciamento, pois as tecnologias alteram as fronteiras e as limitações que eram comuns no ambiente físico (SFOGGIA; KOWACS, 2014). Para Alcântara (2013), isto torna o ambiente imprevisto e inseguro, principalmente para quem está em uma posição de maior exposição, pois esta acaba virando uma armadilha.

Esta possibilidade é potencializada, segundo Machado, Zanetti e Moioli (2011), porque a visibilidade proporcionada pelas redes abre espaço para a permissividade, fazendo com que seja viável que outras pessoas invadam nossas vidas. Sendo assim, qualquer mensagem postada por atletas nas redes sociais permite os mais diversos usos da mesma por outros usuários, tornando assim um grande perigo a utilização equivocada.

Portanto, a temática abordada é fundamental no contexto esportivo e pode abrir caminhos para reflexões que conduzam os profissionais a se aprofundarem neste tipo de relação, contribuindo para uma utilização adequada das redes sociais online e também para um amplo conhecimento das possibilidades de prejuízos que podem afetar o rendimento esportivo, para assim possuírem um ponto de partida em intervenções que facilitem o manejo adequado das questões psicológicas a partir de situações desagradáveis que já tenham ocorrido.

Com isso, o objetivo é avaliar a imersão dos atletas nas redes sociais e o quanto os mesmos se preocupam com o que é postado sobre eles, bem como se já vivenciaram problemas com jornalistas e/ou torcedores neste ambiente virtual e a frequência de ocorrência destes.




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