As possíveis relaçÕes entre moralidade e violência nas escolas na visão dos professores


VIOLÊNCIA NA ESCOLA E PSICOLOGIA DA MORALIDADE HUMANA: POSSIBILIDADES DE LEITURA



Baixar 192,06 Kb.
Página3/5
Encontro04.12.2019
Tamanho192,06 Kb.
1   2   3   4   5
VIOLÊNCIA NA ESCOLA E PSICOLOGIA DA MORALIDADE HUMANA: POSSIBILIDADES DE LEITURA

Correlacionando a violência com a moralidade, La Taille (2009) nos explica o que é a violência e nos oferece uma definição. Para este autor, a violência pode ser entendida como o uso de força excessiva com a intenção de coibir outra pessoa. Mas ele entende que, mesmo o uso de força para coagir sendo caracterizado como violento, dependendo das circunstâncias, pode ser legitimado. Como exemplo, uma mãe pode obrigar o filho a comer frutas, o ato em si é violento, mas sua finalidade é nutrir seu filho, ou seja, é uma intenção boa por trás do ato que pode ser classificado até como violento. Desta forma, essa atitude é considerada moral.

A respeito do juízo moral e a violência, inspirado em Kohlberg, Blasi (apud LA TAILLE, 2009) fez um estudo que procurou corroborar que indivíduos violentos possuem um juízo moral baixo, ou melhor, um juízo que corresponde ao estágio pré-convencional.

Apesar deste estudo de Blasi ser coerente, não se pode generalizar que todas as pessoas violentas possuem um juiz moral inferior. Como exemplo, muitos adolescentes classificados como delinquentes possuem características próprias do estágio convencional, este que é natural da grande parte da população. Uma das melhores possibilidades de se pensar a respeito das condutas violentas e o juízo moral é refletir não sobre o juízo moral e se este está ou não desenvolvido nos sujeitos violentos, e sim observar quais orientações sobre as condutas moralmente aceitas na sociedade tiveram esses sujeitos em sua vida.

Para La Taille (2009), a violência é caracterizada como o abuso do outro, sem uma finalidade que justifique essa atitude. Dessa forma, a violência nas escolas, nas suas mais diversificadas formas, tem como peculiaridade a falta de consideração do agressor ao oprimido pelo ato violento, seja ele direta ou indiretamente. Uma das maneiras mais comuns de violência nas escolas é o denominado bullying.

Ainda de acordo com La Taille (2009), em muitos momentos, sobretudo no ambiente escolar, a incivilidade e a violência caminham juntas. Definindo o conceito de incivilidade, compreende-se, primeiramente, o que é civilidade. Este último pode ser classificado como sinônimo de polidez, ou melhor, um conjunto de formalidades constituídas pelos cidadãos em prol de uma relação de respeito mútuo, cortês, delicado. Desta forma, podemos considerar que todo ato que sai dessa civilidade, ou seja, a incivilidade pode ser considerada como um ato violento.



Segundo Michaud (1989), as incivilidades são verdadeiras armas contra o bem-estar nas relações entre os indivíduos, gerando desconforto, insegurança e medo. Acrescenta-se, ainda, a impossibilidade de confiar nas pessoas, pois esse “outro” me parece um estranho. A maior consequência está presente nas constantes incivilidades que destroem a capacidade do indivíduo de se relacionar, ou seja, quanto mais alguém sofre dessas práticas agressivas, mais ficará desconfiado e distante da sociabilidade.

Sendo assim, La Taille (2009) enfatiza que, estudos sobre delinquência, falta de limites, incivilidade e indisciplina devem ser tratados pela psicologia moral. Esta última não seria somente utilizada para a criação de programas e ações de uma educação moral, mas também para auxiliar na compreensão do fenômeno da violência, pois este se encontra muito presente nos dias atuais no cotidiano escolar.

Para La Taille (2009), podemos pensar também sobre algumas peças capitais do desenvolvimento moral, em especial na dimensão afetiva moral, e sua influência ou não nas condutas violentas. Como alguns exemplos, o autor situa a falta de relações na infância com figuras de autoridade, e essa falta pode gerar indiferença no indivíduo e aumentar a probabilidade deste ser violento posteriormente. A falta de desenvolvimento da simpatia, esta que faz parte do desenvolvimento moral na tenra infância, também leva à violência, já que a compaixão pelo outro se perde. Falta de gratidão e generosidade leva o indivíduo a se tornar frio e, deste modo, suas relações sociais ficam frágeis e marcadas pelo desprezo ao outro; sobressai a indiferença aos demais.

Podemos relacionar esse pensamento de La Taille (2009) com as constantes faltas de valores e confiança transmitidas pelas escolas na contemporaneidade (Levisky, 2009). Articulando essas ideias com a realidade escolar, muitas vezes, observamos que a conduta violenta nas escolas também é fruto das constantes lacunas dessa instituição, como: a falta de sentido pedagógico, levando os alunos a perderem a fé e a não dar credibilidade ao ensino; a falta de vínculos afetivos e de confiança entre professores e alunos; a perda de autoridade escolar ou o exagero nas sanções estabelecidas para combater a indisciplina, levando os alunos a se indignarem diante dos abusos escolares e, muitas vezes, usam o desrespeito e a agressividade para manifestar sua revolta; a falta de preparo dos profissionais da escola para lidar com seus alunos, não respeitando suas diferenças e singularidades; entre outros exemplos que poderíamos mencionar.




Compartilhe com seus amigos:
1   2   3   4   5


©psicod.org 2019
enviar mensagem

    Página principal