As controvérsias na atuaçÃo do professor-psicopedagogo e do psicólogo escolar



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AS CONTROVÉRSIAS NA ATUAÇÃO DO PROFESSOR-PSICOPEDAGOGO E DO PSICÓLOGO ESCOLAR

POTTKER, Caroline Andrea



Caroline_pottker@hotmail.com

Universidade Estadual de Maringá – (UEM)

LEONARDO, Nilza Sanches Tessaro (orientador)

Nilza_sanches@yahoo.com

Universidade Estadual de Maringá – (UEM)


Introdução
A relação entre Psicologia e Psicopedagogia inicia-se na década de 1970, quando foram criados no Brasil os primeiros cursos de especialização em Psicopedagogia. Para Fagali (2007), esses cursos tinham uma herança conceitual médico-pedagógica, sendo voltados especialmente a complementar a formação do psicólogo e do educador. Muitos estudiosos da Psicopedagogia (RUBINSTEIN, 1996; BOSSA, 2000), afirmaram que ela surgiu da necessidade de dar conta dos problemas de aprendizagem que estavam instalados nas escolas brasileiras, os quais acarretavam muitas histórias de insucesso escolar por parte dos alunos.

Diante da realidade educacional brasileira, marcada pelo fracasso escolar, muitos pedagogos e psicólogos buscaram na Psicopedagogia conhecimentos que lhes possibilitassem compreender sua prática e conhecer o processo de aprendizagem e os problemas dele decorrentes. Naquele momento da história houve a necessidade de psicólogos e pedagogos se aprofundarem em temas da Psicologia e da Pedagogia que, junto com temas de outras áreas, compunham os conhecimentos oriundos da Psicopedagogia. De acordo com Scoz e Mendes (1987), pedagogos e psicólogos foram buscar conhecimentos na Psicopedagogia, pois com o desmembramento das faculdades de Educação, nas graduações de Pedagogia e Psicologia, em torno de 1970, os currículos desses cursos ficaram esvaziados.

Nessa época começaram a surgir os consultórios psicopedagógicos, nos quais atuavam os “pedagogos terapeutas” (FAGALI, 2007, p. 23). Numa perspectiva eminentemente clínica, primavam por realizar “diagnósticos de caráter cognitivo, afetivo, pedagógico ou psicomotor, propondo uma série de atendimentos e acompanhamentos individuais da criança e do adolescente” (SOUZA, 2010, p. 63).

Assim, enquanto a Psicopedagogia começava a ganhar espaço no cenário escolar, a Psicologia e a Pedagogia estavam estremecidas. Segundo Waeny e Azevedo (2009), a Psicologia passou a receber duras críticas da Pedagogia, devido à maneira como utilizava os testes e às suas consequências para os educandos (sua interpretação).

Nesta direção, Almeida (1999) enfatiza que a atuação profissional do psicólogo foi reduzida e assimilada a outras práticas sociais e pedagógicas desenvolvidas na escola, perdendo assim, o psicólogo, a sua identidade profissional:
“O psicólogo na escola e fora dela, perdeu o espaço para o psicopedagogo, pois dar atenção e atender as crianças com dificuldades no aprendizado lhe imputaria o julgamento de estar “focando apenas o indivíduo”, não importando o fato de que, nas nossas escolas e salas de aula, se encontram inúmeras crianças que demandavam orientação e ajuda psicológica” (ALMEIDA, 1999, p. 84).
Com isso, muitos psicólogos que atuavam nas instituições escolares, acabaram entrando numa crise de identidade profissional, pois foram sofrendo uma perda significativa do seu espaço de atuação. Sobre estes aspectos, Souza (2010) expõe que o espaço deixado pela Psicologia no momento de sua autocrítica foi sendo paulatinamente ocupado por outras explicações que, também eram de cunho adaptacionista, mas respondiam diretamente as demandas dos professores e dos gestores escolares, principalmente às advindas da Psicopedagogia.

E em nossa experiência profissional como Psicóloga de um município do Oeste do Paraná, verificamos que os psicopedagogos estão compondo o quadro de funcionários das escolas públicas municipais, atuando principalmente com crianças com problemas de escolarização, especificamente ocupando um cargo denominado de professor-psicopedagogo1. Este cargo foi criado a partir do Projeto de Psicopedagogia elaborado pela Secretaria Municipal de Educação deste município. O cargo de professor-psicopedagogo é ocupado por professores com especialização em Psicopedagogia, os quais já faziam parte do quadro de funcionários das escolas municipais e foram afastados das salas de aula para atender os alunos com dificuldades de aprendizagem. Com isto alguns questionamentos surgiram tais como: que intervenções estariam estes profissionais desenvolvendo na escola? Estes profissionais estariam realizando atividades que competiriam ao psicólogo escolar? E com a intenção de responder a estes questionamentos é que este estudo foi proposto.






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