As Cinco Linguagens do Amor



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11. O Amor Faz a Diferença


O amor não é a nossa única necessidade emocional. Psi­cólogos têm observado que entre nossas carências básicas encontram-se a segurança, a autovalorização e o significado. O amor, no entanto, relaciona-se com todas elas.

Se me sinto amado (a) por meu cônjuge, consigo rela­xar, pois confio que seu amor não me fará mal algum. Acho-me seguro (a) em sua presença. Posso enfrentar muitas in­certezas em meu emprego e ter inimigos em outras áreas de minha vida, mas sinto segurança em relação a meu cônjuge.

Meu senso de autovalorização é alimentado pelo fato de saber que meu cônjuge me ama. O amor que ele me dedi­ca aumenta minha auto-estima.

A necessidade de significado é a força emocional por trás da maior parte de nossos atos. A existência humana é pautada pelo desejo de sucesso. Queremos que nossas vidas valham a pena. Temos nossas próprias idéias de onde en­contrar esse significado e trabalhamos duro para atingir nos­sos alvos. Ser amado (a) por nosso cônjuge aumenta nosso senso de significado. Concluímos: “Se alguém me ama, en­tão devo significar algo para essa pessoa”.



Tenho significado porque sou a obra-prima da criação. Possuo a habilidade de pensar em termos abstratos, comu­nicar meus pensamentos por meio de palavras e tomar deci­sões. Através da palavra escrita ou gravada, posso benefici­ar-me com os pensamentos daqueles que me precederam. Sou enriquecido pelas experiências de outros, mesmo que tenham vivido em épocas e culturas diferentes. Com a mor­te de meus familiares e amigos, experimento o fato de que há uma existência além do material. Concluo que, em todas as culturas, as pessoas acreditam no mundo espiritual. Meu coração afirma que isso é verdade, mesmo que minha men­te, treinada em observação científica, levante questio­namentos a esse respeito.

Tenho significado. A vida possui um sentido. Existe um propósito mais alto. Quero acreditar nisso, mas não consigo encontrar esse significado até que alguém expresse amor por mim. Quando meu cônjuge, de forma amorosa, investe tem­po, energia e esforço em minha pessoa, acredito que tenho significado. Sem amor, passo a vida inteira na busca do sig­nificado, da autovalorização e da segurança. Porém, quando experimento o amor, ele impacta positivamente todas estas necessidades. Torno-me então livre para desenvolver meu potencial. Sinto-me mais seguro em minha auto-estima e posso canalizar meus esforços para outra direção ao invés de ficar obcecado com minhas próprias necessidades. O amor verdadeiro sempre resulta em libertação.

No contexto do casamento, se não nos sentimos ama­dos, as diferenças tornam-se ampliadas. Observamos um ao outro como ameaça à própria felicidade. Lutamos por autova­lorização e significado e o casamento torna-se mais um cam­po de batalha do que um porto seguro.

O amor não oferece resposta para tudo, mas cria um clima de segurança no qual podemos buscar soluções para as questões que nos aborrecem. Na convicção do amor os casais podem conversar sobre diferenças sem condenação.

Conflitos podem ser resolvidos. Duas pessoas diferentes podem aprender a viver juntas em harmonia. Descobrimos como fazer surgir o melhor de cada um. Podemos chamar a isso tudo de recompensas do amor.

A decisão de amar seu cônjuge encerra um tremendo potencial. Aprender a primeira linguagem do amor dele transforma este potencial em realidade. O amor realmente “faz o mundo girar”. Pelo menos, isso é afirmado no que diz respeito a Jean e Norman.

Eles viajaram três horas para chegar em meu escritó­rio. Era óbvio que Norman estava contrariado. Jean “torcera seu braço” com a ameaça de deixá-lo. (Não sou a favor e nem recomendo esta atitude, mas as pessoas não podem sa­ber disso antes que nos encontremos.) Estavam casados há trinta e cinco anos e nunca haviam tido um aconselhamento conjugai.

Jean iniciou a conversa.

— Dr. Chapman, gostaria que o senhor soubesse de duas coisas. Em primeiro lugar, não temos problemas financeiros. Li uma revista que afirmava ser o dinheiro o maior problema no casamento. Este, porém, não é o nosso caso. Nós dois trabalhamos a vida toda, a casa está paga e os carros também. Realmente não temos dificuldades financeiras. Em se­gundo lugar, o senhor precisa saber que nós não brigamos. Ouço sempre meus amigos dizer das brigas que tiveram. Nós nunca discutimos. Não consigo nem me lembrar da última
vez em que tivemos uma discussão. Nós dois concordamos que brigas não levam a nada, então não brigamos.

Como conselheiro, apreciei o fato de Jean jogar um pou­co de luz para começarmos. Sabia que ela iria direto ao pon­to. Ela demonstrou que agiria assim logo em suas primeiras palavras. Queria ter certeza de que não nos ateríamos ao que não fosse necessário, pois seu objetivo era utilizar o horário que tinha de forma sábia.

Ela continuou:

— O problema é o seguinte: sinto que meu marido não me ama. A vida tornou-se rotineira para nós. Levantamos pela manhã e vamos ao trabalho. De tarde, dedico-me aos meus afazeres e ele aos dele. Costumamos jantar juntos, mas não conversamos. Ele assiste televisão enquanto comemos. Após o jantar refugia-se no porão e dorme em frente à TV, até que o acordo e digo-lhe que já é hora de ir para a cama. Essa é nossa vida cinco dias por semana. Aos sábados ele joga golfe na parte da manhã, trabalha no jardim às tardes e, às noites, saímos para jantar com um casal de amigos. Ele dialoga com eles, mas quando entramos no carro para retornar à nossa casa, a conversa simplesmente termina. Quando chegamos, ele dorme em frente à TV até a hora de ir para a cama. Aos domingos pela manhã vamos à igreja. Nós vamos à igreja toda manhã de domingo. Ela enfatizou e prosseguiu:

— Depois, almoçamos fora com alguns amigos. Ao chegarmos em casa, ele dorme em frente à televisão a tarde toda. À noite vamos à igreja; depois voltamos para o lar, comemos pipoca e vamos para a cama. Fazemos isso todas as semanas. E é só isso. Somos como dois colegas que moram na mesma casa. Não há nada de especial entre a gente. Não sinto, de forma alguma, que ele me ame. Não há calor, não há emoção. E só vazio, só morte. Não sei se consigo mais continuar desse jeito.

Aquela altura, Jean chorava. Dei-lhe um lenço de pa­pel e olhei para Norman. Suas primeiras palavras foram:

— Não consigo entendê-la! Tenho feito tudo o que pos­so para demonstrar que a amo, especialmente nos últimos dois ou três anos, quando ela começou a reclamar mais. Nada parece agradá-la. Não importa o que eu faça pois ela conti­nua a reclamar que não se sente amada. Não sei mais o que fazer!

Era nítido que Norman estava frustrado e muito irrita­do. Então eu lhe perguntei:

O que você tem feito para demonstrar seu amor por


Jean?

Bem, para começar, eu chego em casa antes dela e


todas as noites adianto o jantar. Para falar a verdade, quatro vezes por semana, eu tenho o jantar quase pronto quando ela chega à nossa residência. Na quinta noite da semana, sa­ímos para comer fora. Depois do jantar, três vezes por sema­na lavo a louça. Em uma das quatro noites tenho uma reu­nião, mas por três noites lavo toda a louça. Limpo a casa toda porque ela tem problema de coluna. Faço todo o traba­lho de jardinagem porque ela é alérgica ao pólen das flores. Retiro a roupa da secadora e em seguida dobro-a.

E ele prosseguiu a dizer todas as outras coisas que fa­zia por Jean. Quando terminou de falar, pensei: Esse homem realiza tudo em casa, e o que sobra para a esposa fazer? Não sobrava quase nada para ela!

Norman continuou:

— Faço todas estas coisas para demonstrar meu amor por ela e ainda a ouço lhe dizer a mesma coisa que me afir­ma há uns dois ou três anos: não se sente amada por mim. Não sei mais o que fazer por ela!

Quando me virei novamente para Jean, ela disse:

— Tudo bem dele fazer todas essas coisas. Mas eu que­ro que ele se sente no sofá e converse comigo! Nós nunca dialogamos. Há trinta anos que nós não conversamos. Ele está sempre ocupado em lavar a roupa, limpar a casa, cortar a grama. Ele está sempre ocupado em alguma coisa. Quero que ele se sente ao meu lado e dê-me um pouco de seu tem­po, olhe para mim, fale comigo sobre nós e nossas vidas.

Jean mais uma vez chorou. Era óbvio para mim que sua primeira linguagem do amor era “Qualidade de Tempo”. Ela clamava por atenção. Queria ser tratada como gen­te, não como um objeto. Todo o trabalho de Norman não su­pria sua necessidade emocional. Mais tarde, quando conver­sei com ele, descobri que também não se sentia amado, mas simplesmente não falava sobre isso. Disse-me:

— Se você já está casado há 35 anos, tem suas contas pagas, não brigam um com o outro, o que mais pode esperar?

Ele estava neste ponto, quando lhe perguntei:

— Que tipo de mulher seria ideal para você? Se fosse possível ter uma esposa perfeita, como ela deveria proceder?

Ele, pela primeira vez, olhou-me nos olhos e perguntou:

— O senhor quer mesmo saber?

Respondi-lhe que sim. Ele então sentou-se no sofá, cru­zou seus braços e disse:

— Tenho sonhado sobre isso. A esposa perfeita seria aquela que às tardes fizesse o jantar para mim, enquanto eu trabalhasse no jardim, chamasse-me e dissesse que o jantar estava na mesa. Após o jantar, ela lavaria a louça. Eu, possi­velmente a ajudaria, mas arrumar a cozinha seria responsa­bilidade dela. Ela também pregaria os botões de minhas ca­misas quando eles caíssem.

Jean não conseguiu mais se conter. Virou-se para o marido e disse:

— Não acredito no que ouço. Você me disse que gosta­va de cozinhar!

Norman então respondeu:

— Eu não me importo de cozinhar. Ele apenas pergun­tou como seria para mim a esposa ideal.



Percebi, também, sem que fossem necessários mais da­dos, a primeira linguagem do amor de Norman — “Formas de Servir”. Por que você acha que ele fazia todas aquelas coisas para Jean? Porque aquela era a sua linguagem do amor. Em sua mente, aquela era a forma de se demonstrar amor a uma pessoa: através das várias “Formas de Servir”. O pro­blema era que “Formas de Servir” não era a primeira lingua­gem de amor de Jean. Não tinha, para ela, o significado emo­cional que existiria para ele, se ela utilizasse para com ele “Formas de Servir”.

Quando a luz brilhou na mente de Norman, a primeira coisa que ele disse foi:

— Por que ninguém me falou sobre isso trinta anos
atrás? Eu teria me sentado no sofá ao lado dela durante quinze minutos, todas as noites, ao invés de fazer todas aquelas coi­sas.

Ele, então, virou-se para Jean e disse:

— Pela primeira vez em minha vida, entendo o seu so­frimento quando fala que não dialogamos. Eu não conseguia entender isso. Na minha forma de enxergar as coisas, nós conversávamos. Eu sempre perguntava se você dormira bem, e achava que aquilo era uma diálogo. Mas agora compreen­do tudo. Você quer que sentemos no sofá por uns quinze minutos às noites, olhemos um para o outro e conversemos. Só agora entendo o que você desejava dizer, e porque isso é tão importante. E sua linguagem do amor emocional, e va­mos começar hoje à noite mesmo. Vou lhe dedicar quinze minutos naquele sofá, pelo resto de minha vida. Você pode contar com isso!

Jean virou-se para Norman e disse:



— Seria maravilhoso, e também não me importo de fa­zer o jantar para você. Vai ficar pronto um pouco mais tarde, porque chego do serviço depois de você, mas não me impor­to em cozinhar. E vou adorar pregar seus botões. Você nunca os deixa soltos o tempo suficiente para que eu possa pregá-los... Também vou lavar a louça pelo resto de minha vida, se isso faz com que você se sinta amado.

Jean e Norman voltaram para casa e começaram a amar-se na linguagem certa um do outro. Em menos de dois me­ses, achavam-se em uma segunda lua-de-mel. Eles me liga­ram das Bahamas para contar sobre a mudança radical que o casamento deles passara.

É possível o amor emocional renascer em um casamen­to? Pode apostar! A chave é aprender a primeira linguagem do amor de seu cônjuge e decidir utilizá-la.


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