As Cinco Linguagens do Amor



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10. Amar é um Ato de Escolha


Como falaremos a linguagem do amor um do outro, quando nossos corações estão cheios de mágoa, raiva e res­sentimento por fracassos anteriores? A resposta a esta per­gunta encontra-se na essência de nossa humanidade. Somos criaturas que fazemos escolhas. Isso significa que temos a capacidade de tomar decisões erradas, o que todos nós já fizemos. Já criticamos pessoas e situações e magoamos mui­ta gente. Não nos orgulhamos dessas escolhas apesar de, no momento, termos justificativas para tê-las feito. Más atitu­des realizadas no passado não implica que devamos tornar a fazê-las no futuro. Ao invés disso, podemos dizer:

“Desculpe, eu sei que lhe magoei, mas quero mudar minha atitude. Desejo amá-la (o) em sua linguagem. Quero suprir suas necessidades.” Tenho visto casamentos que esta­vam à beira do divórcio serem resgatados após o casal tomar a decisão de se amarem na linguagem um do outro.

O amor não apaga o passado, mas altera o futuro. Quando escolhemos expressar nosso amor de forma mais ativa, e utilizamos para isso a primeira linguagem de nosso cônjuge, criamos um clima emocional que pode curar as fe­ridas dos conflitos e fracassos de nosso passado.

Brent estava em meu escritório. Parecia uma estátua sem sentimentos. Ele fora até lá, não por iniciativa própria, mas a meu pedido. Uma semana antes, sua esposa Becky sentara- se na mesma poltrona onde ele estava e chorara descontroladamente. Entre um soluço e outro ela conseguiu me con­tar que ele lhe dissera não mais a amar e tomara a decisão de ir embora. Ela estava arrasada.

Quando conseguiu se controlar, ela disse:

“Trabalhamos tanto nestes últimos três anos. Sei que não gastamos juntos o mesmo tempo que costumávamos, mas achei que batalhávamos com o mesmo objetivo em men­te. Não aceito que ele me diga estas coisas. Ele sempre foi muito bom e carinhoso. É um ótimo pai. Como é que ele pode fazer isso conosco?”

Ouvi enquanto ela descreveu seus doze anos de matri­mônio. A mesma história que já se repetiu tantas e tantas vezes. Tiveram um namoro muito “curtido” e casaram-se muito apaixonados. Experimentaram uma adaptação normal nos primeiros anos do casamento e também perseguiram o “sonho americano”. Após um determinado período, a nu­vem da paixão dissipou-se, mas eles não aprenderam o sufi­ciente para falar a primeira linguagem do amor um do ou­tro. Ela vivia, nos últimos anos, com o “tanque do amor” apenas pela metade, mas recebia expressões de amor sufici­entes, a fim de pensar que tudo estava bem. Porém, o “tan­que do amor” de Brent estava vazio.



Eu disse a Becky que conversaria com Brent. Liguei para ele e falei:

— Como você sabe, Becky esteve em meu consultório e contou-me o esforço que ela está fazendo para salvar o casa­mento de vocês. Gostaria de ajudá-la; mas para isso preciso saber o que você pensa a respeito.

Brent concordou sem a menor hesitação e agora encon­trava-se sentado à minha frente. Sua aparência externa era exatamente o oposto da de Becky. Ela havia chorado descontroladamente, mas ele estava inabalável. A impressão que eu tive dele é que havia chorado há semanas ou meses atrás e agora existia uma dor interior. A história que Brent contou confirmou minhas suspeitas.

— Eu simplesmente não a amo mais. E isso já ocorre há muito tempo. Não gostaria de magoá-la, mas não há mais proximidade entre nós. Nosso relacionamento esvaziou-se. Não tenho mais prazer com a companhia dela. Não tenho mais sentimento algum por ela.

Brent pensava e sentia o que centenas de maridos ima­ginam através dos anos: A famosa frase “não a amo mais”, slogan mental que tem fornecido liberdade emocional para que muitos esposos procurem envolver-se com outras mu­lheres. O mesmo ocorre com esposas que se utilizam da mes­ma desculpa.

Entendi Brent porque eu já passara por aquela situa­ção. Milhares de esposos e esposas também já enfrentaram isso: o vazio emocional; querem fazer a coisa certa, não dese­jam machucar alguém, mas, devido às carências emocionais, sentem-se compelidos a buscar o amor fora do matrimônio. Felizmente, ainda nos primeiros anos de casamento desco­bri a diferença entre “paixão” e “necessidade emocional” de sentir-se amado. A maior parte de nossa sociedade ainda não descobriu essa diferença. Os filmes, as novelas, as revistas e os livros românticos unificaram esses dois tipos de amor, para aumentar nossa confusão. No entanto, eles são completamen­te diferentes.

A experiência do apaixonar-se, estudada no capítulo três, está a nível dos instintos. Não é premeditada; simples­mente acontece em um contexto normal do relacionamento entre o macho e a fêmea. Pode ser fomentado ou abafado, mas não surge com base em uma escolha consciente. É de vivência curta (em geral dois anos ou menos), e parece ser­vir à humanidade com a mesma função da chamada para o acasalamento dos gansos selvagens.

A paixão supre, temporariamente, a carência emocional do amor. Passa-nos a sensação de que alguém se preocu­pa conosco, admira-nos e aprecia-nos. Nossas emoções enle­vam-se por pensarmos que ocupamos o primeiro lugar na vida de alguém e que ele, ou ela, está disposto a dedicar tem­po e energia exclusivamente ao nosso relacionamento. Por um curto período, ou por quanto tempo durar, nossa neces­sidade emocional por amor está suprida. Nosso “tanque” está cheio; podemos conquistar o mundo. Nada é impossível. Para muitos, essa é a primeira vez em que o “tanque” emocional fica cheio, e isso leva à euforia.




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