As Cinco Linguagens do Amor



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Ao final do primeiro ano,

Patsy estava desesperada.

Patsy fez amizade com diversas senhoras que mora­vam no mesmo condomínio onde ela residia. Quando sabia que Pete trabalharia até mais tarde, fazia compras com suas amigas ao invés de ir direto para casa após o trabalho. Algu­mas vezes ela ainda estava ausente quando ele chegava. Aquilo o aborrecia muito e ele passou a acusá-la de negli­gência e irresponsabilidade. Patsy respondia:

— Parece o roto falando do rasgado! Quem é o irrespon­sável? Você não se dá ao luxo nem de me telefonar para avisar a que hora chegará em casa... Como eu posso esperá-lo, se nem ao menos sei quando virá?! E, quando chega, fica o tempo todo colado naquela droga de computador. Você não precisa de uma esposa; tudo o que necessita é de um computador.

Pete, então, respondeu em um tom de voz mais alto:

— Eu pre-ci-so de u-ma es-po-sa. Será que você não entende? O ponto é exatamente esse. Eu pre-ci-so de u-ma es-po-sa!

Mas Patsy não conseguia entender. Ela estava muito confusa. Em sua busca por respostas foi a uma biblioteca pública e leu vários livros sobre casamento. Ela pensava: “O casamento não pode ser desse jeito! Eu tenho que achar uma resposta para a nossa situação”. Quando ele ia para o com­putador, ela pegava firme no livro. Durante várias noites lia direto até meia-noite. Pete, ao se deitar, percebia o que ela fazia e lá vinham comentários sarcásticos, do tipo:

— Se você tivesse lido todos esses livros quando estava na faculdade, teria tirado A em todas as matérias!

Patsy respondia:

— Só que eu não estou na faculdade. Encontro-me ca­sada e, no momento, ficaria muito satisfeita com um “C”!

Pete então ia para a cama sem abrir mais a boca; ape­nas a olhava.

Ao final do primeiro ano, Patsy estava desesperada. Ela já falara com Pete sobre isso, mas dessa vez comunicou-lhe calmamente:

— Vou procurar um conselheiro conjugai. Você gosta­ria de ir comigo?

Pete então respondeu:

— Não preciso de um conselheiro conjugai. Não tenho tempo para isso e nem posso pagar uma consulta!

— Então, eu vou sozinha — disse Patsy.

— Tudo bem, é você mesmo quem precisa de conselhos.

A conversa terminou. Patsy sentiu-se totalmente aban­donada e sozinha, mas na semana seguinte ela marcou uma consulta com um conselheiro conjugai. Após três semanas aquele psicólogo entrou em contato com Pete e perguntou se ele poderia conversar com ele sobre suas perspectivas a res­peito do casamento. Pete concordou e o processo de cura começou. Seis meses depois eles deixavam o consultório do conselheiro com o casamento renovado.

Eu, então, perguntei a Pete e Patsy:

— O que foi que vocês aprenderam no aconselhamento que favoreceu essa virada em seu casamento?

Pete então respondeu:

— Em resumo, Dr. Chapman, aprendemos a falar a pri­meira linguagem do amor um do outro. O conselheiro não usou esse vocabulário, mas quando o senhor falou hoje em seu seminário, as luzes se acenderam. Minha mente voltou à época de nosso aconselhamento e percebi que foi exatamen­te isso que aconteceu conosco. Nós finalmente aprendemos a falar a linguagem do amor um do outro.

Eu então perguntei:

— E qual é sua linguagem do amor, Pete?

— “Toque Físico” —, ele respondeu sem titubear.

— Sem a menor sombra de dúvida! Acrescentou Patsy. Voltei-me então para ela:

— E qual a sua linguagem do amor, Patsy?

— “Qualidade de Tempo”, Dr. Chapman. Era isso que eu pedia quando ele gastava todo aquele tempo com o tra­balho e o computador.

— Como você descobriu que o “Toque Físico” era a lin­guagem do amor de Pete?

— Levou um tempo. Pouco a pouco, essa característica começou a surgir durante as sessões de aconselhamento. No começo, acho que Pete nem se apercebeu.

Pete então completou:

— É isso mesmo. Eu estava tão inseguro em minha auto- estima que levou um tempão até que eu identificasse e perce­besse que a ausência do toque de Patsy havia feito com que eu me afastasse dela. Eu nunca disse que precisava do toque dela. Em nossa época de namoro e noivado, eu sempre tomava a iniciativa de abraçar, beijar, andar de mãos dadas, e ela sem­pre foi receptiva. Isso fazia com que eu achasse que ela me amava. Após nosso casamento houve situações em que eu a procurei fisicamente e ela não correspondeu. Achei que ela estivesse muito cansada devido às suas responsabilidades no novo emprego. Eu não percebi, mas concluí isso pessoalmen­te. Senti-me como se ela não me achasse mais atraente. Então, decidi que não tomaria mais a iniciativa para não me sentir mais rejeitado. E esperei, para ver quanto tempo demoraria até que ela decidisse beijar-me, tocar-me ou demonstrar uma nova experiência sexual. Cheguei a esperar seis semanas por um toque. Aquilo foi insuportável. Eu me afastava para ficar longe da dor que apertava quando estava com ela. Sentia-me rejeitado, dispensado e mal-amado. Então Patsy acrescentou...

— Eu não tinha a menor idéia de que ele se sentia dessa forma. Sabia que não me procurava mais. Não nos abraçáva­mos, nem nos beijávamos como antes, mas achei que, desde que estávamos casados, isso não era mais tão importante para ele. Compreendia também que estava sob pressão no traba­lho. Não tinha, porém, a menor idéia que ele desejava que eu tomasse a iniciativa.

Fez uma pausa e prosseguiu:

— E foi exatamente como ele disse. Eu vivi semanas sem tocá-lo. Isso nem passava por minha mente. Eu prepa­rava as refeições, mantinha a casa limpa, colocava a roupa para lavar e tentava não atrapalhá-lo. Honestamente, eu não sabia o que mais poderia fazer. Não entendia o afastamento nem a falta de atenção dele. Não é que eu não apreciasse tocá-lo. E que para mim isso não era tão importante. Receber sua atenção, seu tempo é o que me fazia sentir amada. Não importava se nos beijássemos ou abraçássemos. Desde que ele me desse sua atenção, eu me sentia querida.

Respirou fundo e continuou:

— Levou um bocado de tempo até que localizássemos a raiz do problema e, ao descobrirmos que não supríamos a ne­cessidade de amor um do outro, demos uma virada em nosso relacionamento. Quando comecei a tomar a iniciativa de tocá-lo, foi impressionante o que aconteceu. Sua personalidade e seu ânimo mudaram drasticamente. Eu ganhei um novo marido. Quando ele se convenceu de que eu realmente o amava, então começou a ficar mais sensível às minhas necessidades.

— Ele ainda tem computador em casa? — perguntei.

— Tem sim. Mas raramente o usa e, quando o faz, está tudo bem porque eu sei que ele não está “casado” com o computador. Fazemos tantas coisas juntos, que se tornou fá­cil para mim dar-lhe a liberdade para usar o computador quando quiser.

Pete então disse:

— O que me deixou pasmo no seminário hoje foi a for­ma como sua palestra sobre as linguagens do amor repor­tou-me aos anos passados. O senhor disse em vinte minutos o que levamos seis meses para aprender.

— Bem, não importa a rapidez com que se aprende uma coisa, mas sim o quanto se desfruta dela. E, obviamente, vocês assimilaram isso muito bem.

Pete é uma das pessoas que possuem o “Toque Físico” como a primeira linguagem do amor. Emocionalmente, este tipo anseia que seu cônjuge o toque fisicamente. Um gostoso cafuné na cabeça ou nas costas, andar de mãos dadas, abra­ços apertados ou não, relações sexuais — tudo isto e outros “toques de amor” fazem parte das necessidades emocionais de quem possui o “Toque Físico” como sua primeira lingua­gem do amor.


Notas

1. Marcos 10.13

2. Marcos 10.14-16




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