As Cinco Linguagens do Amor


O que Acontece com o Amor Após o Casamento?



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1. O que Acontece com o Amor Após o Casamento?


Estávamos por volta de uns 12 mil metros de altitude, em algum lugar entre Buffalo e Dallas, quando o meu com­panheiro de viagem colocou a revista que lia na bolsa de seu banco, olhou em minha direção e perguntou:

— Que tipo de trabalho você faz?

— Sou conselheiro conjugai e dou seminários na área de família — respondi.

Ele me disse então que há muito tempo gostaria de fa­zer uma pergunta para um conselheiro conjugai, e aprovei­taria para formulá-la a mim, naquela hora. E perguntou:

— O que acontece com o amor após o casamento? Desistindo de tentar tirar um cochilo, perguntei-lhe:

— O que exatamente você quer dizer?

— Bem, já me casei três vezes e em cada uma delas tudo era muito bonito até o enlace matrimonial. Em algum lugar, depois do sim, as coisas mudavam. Todo amor que eu ima­ginava que tinha por elas, e todo amor que elas pareciam ter por mim, evaporavam-se. Posso dizer que sou uma pessoa inteligente. Sou um empresário bem-sucedido nos meus ne­gócios, mas não consigo entender o porquê dessa situação.

Continuamos, então, a conversar:

— Quanto tempo você ficou casado?

— O primeiro casamento durou cerca de dez anos. O segundo, três, e o último, seis anos.

— O amor evaporou-se imediatamente após o casamen­to, ou foi uma perda gradual?

— Bem, o segundo casamento já não deu certo desde o começo. Não entendi o que aconteceu. Pensei que nós real­mente nos amávamos! No entanto, a lua-de-mel foi um de­sastre e depois disso jamais nos recuperamos. Tivemos um período de seis meses de namoro, um romance arrebatador. Estávamos realmente entusiasmados. Mas... foi só nos casar­mos, para que nossa vida virasse uma batalha sem trégua. No primeiro casamento, tivemos uns três ou quatro anos bons, antes que o primeiro filho nascesse. Daí em diante ela deu toda sua atenção para a criança e parecia que não preci­sava mais de mim!

— Você disse isso a ela?

— Disse sim! Mas ela respondeu que eu estava maluco e não compreendia o que era ser uma babá 24 horas por dia. Reclamou, inclusive, que eu deveria ser mais compreensivo e ajudá-la mais. Eu tentei, mas parecia que não fazia diferen­ça alguma. Daquela época em diante afastamo-nos ainda mais. Depois de certo tempo não havia mais amor, só indife­rença. Concordamos que o nosso casamento se acabara.

— E seu último casamento?

— O meu último casamento? Eu realmente pensei que ele seria diferente! Já estava divorciado há três anos. Namo­rei 24 meses com minha esposa. Achei que realmente sabía­mos o que fazíamos e pela primeira vez na vida senti que realmente amava alguém. Pensei que ela me amasse de ver­dade!

Ele prosseguiu:

— Acredito que jamais mudei depois do casamento. Con­tinuei a dizer-lhe que a amava, da mesma forma que fazia antes de nos casarmos. Declarava o quanto ela era bonita e como estava orgulhoso de ser seu marido. Porém... apenas alguns meses após o casamento ela começou a reclamar. No início era de coisas pequenas, tais como o fato de eu não levar o lixo para fora ou não guardar minhas roupas. Depois, come­çou a agredir o meu caráter, ao dizer-me que não podia confi­ar em mim e acusou-me de ser-lhe infiel. Tornou-se totalmen­te negativista. Antes de nos casarmos ela nunca fora pessimis­ta; pelo contrário, era uma das pessoas mais otimistas que já conheci. E essa foi uma das características que mais me atraiu nela. Ela jamais reclamava de alguma coisa. Tudo que eu fazia era maravilhoso. Bastou casarmo-nos, para que de repente eu não fizesse mais nada certo! Então gradativamente perdi meu amor por ela e fiquei magoado. Era óbvio que ela não me ama­va mais. Concordamos que não havia mais motivo para conti­nuarmos juntos e nos separamos.

Ele fez uma pausa e continuou:

— Isso foi há um ano. Minha pergunta, então, é: O que acontece com o amor após o casamento? Minha experiência é algo comum? É por isso que temos tantos divórcios? Não dá para acreditar que isso tenha acontecido três vezes comi­go! E aqueles que não se separam? Eles aprendem a viver com o vazio em seus corações, ou o amor permanece vivo em algum casamento? Se isso sucede, como é que acontece?

As perguntas feitas por meu companheiro de vôo são as mesmas realizadas hoje em dia por milhares de pessoas, sejam casadas ou divorciadas. Algumas são dirigidas a ami­gos, outras a conselheiros, a pastores, e outras apenas a si mesmos. Algumas respostas são dadas em vocabulário téc­nico de psicologia, e são simplesmente incompreensíveis. Outras vezes são levadas para o lado do humor. A maioria das piadas e frases contém alguma verdade, mas, de forma geral, é como oferecer aspirina a uma pessoa com câncer.

O desejo de ter-se um amor romântico no casamento está profundamente enraizado em nossa formação psicoló­gica. A maioria das revistas populares possui pelo menos um artigo sobre como manter o amor vivo no casamento. Há uma infinidade de livros escritos sobre o mesmo tema. Tele­visão e rádio abordam esse assunto em programas e entre­vistas. Manter o amor aceso em nossos casamentos é um as­sunto muito sério.

Mesmo com tantos livros, revistas e ajuda disponível, por que aparentemente tão poucos casais parecem ter desco­berto o segredo de manter vivo o amor após o casamento? Por que um casal que assiste a um curso de comunicação e ouve as maravilhosas idéias de como melhorar o diálogo, volta para casa e não consegue colocar em prática os exercí­cios aprendidos? O que acontece, se depois de lermos um artigo do tipo “100 Formas de Expressar Amor a Seu Cônju­ge” e colocarmos em prática umas três formas, que nos pare­cem mais adequadas, nosso cônjuge ainda assim não reco­nhece nosso esforço? — Desistimos das outras 97 formas e retornamos ao cotidiano de nossas vidas.




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