As Cinco Linguagens do Amor


A Quarta Linguagem do Amor: Formas de Servir



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7. A Quarta Linguagem do Amor: Formas de Servir


Antes de nos despedirmos de Jim e Janice, reexamine­mos a resposta dele à minha pergunta:

— Você se sente amado por Janice?

— Eu sempre me senti amado por ela, Dr. Chapman. Janice é a melhor dona de casa do mundo! Cozinha como ninguém. Minhas roupas estão sempre limpas e passadas. Ela é ótima para lidar com as crianças. Sei que ela me ama.

A primeira linguagem do amor de Jim é o que eu cha­mo de “Formas de Servir”, ou seja, aquilo que você sabe que seu cônjuge gostaria que você fizesse. É procurar agraciar realizando coisas que ele (ela) aprecia, expressando amor através de diversas “Formas de Servir”.

Estas formas podem ser as mais variadas possíveis, tais como preparar uma boa refeição, pôr uma mesa bem arru­mada, lavar a louça, passar o aspirador, arrumar a cômoda, limpar o pente, tirar os cabelos da pia, remover as manchinhas brancas do espelho (aquelas causadas por pasta de den­te), tirar os insetos mortos do vidro do carro, levar o lixo para fora, trocar a fralda do bebê, pintar o quarto, aspirar a estan­te, manter o carro em boas condições de uso, limpar a gara­gem, cortar a grama, tirar o mato do jardim, retirar as folhas mortas, aspirar a persiana, levar o cachorro para passear, dar comida para o gato, trocar a água do aquário — todas for­mas de serviço. Para que sejam realizadas é necessário pen­sar, planejar e executar (dispêndio de força e energia). Se fei­tas com o espírito certo e positivo, são incontestáveis expres­sões de amor.

Jesus Cristo deu uma ilustração simples, porém pro­funda, ao expressar amor através de uma forma de serviço quando lavou os pés dos discípulos1. Em uma cultura onde as pessoas usavam sandálias e caminhavam por estradas poeirentas, era costume os servos da casa lavar os pés dos convidados que chegavam. Depois daquela simples expres­são de amor, o Filho de Deus encorajou seus discípulos a seguirem seu exemplo.

Anteriormente, Jesus dissera que, em seu Reino, os que desejavam ser grandes deveriam ser servos um dos outros. Na maioria das sociedades existentes, o maior reina sobre o menor, mas Cristo disse que os que quisessem ser grandes, deveriam servir aos outros. O apóstolo Paulo resumiu essa filosofia ao dizer: “Sirvam uns aos outros, em amor”.2

Pude observar o impacto de “Formas de Servir” em uma pequena cidade no Estado da Carolina do Norte, chamada China Grove. Ela fica na parte central daquela região, origi­nalmente estabelecida junto às árvores chamadas “Chinaberry” (Fruta da China), perto da lendária Mayberry, Andy Griffith, distante uma hora e meia do Monte Pilot. Na época em que esta história aconteceu, China Grove era uma cidade têxtil, com uma população de 1.500 habitantes. Devido a meus estudos de antropologia, psicologia e teologia, estive fora daquela localidade durante mais de dez anos. Eu realizava uma das duas visitas anuais, que costumava fazer, para man­ter contato com minhas raízes.

A maioria das pessoas que eu conhecia, com exceção do Dr. Shin, o médico local, e Dr. Smith, o dentista, trabalhava no moinho. Havia, naturalmente, o pregador Blackburn, dirigente da congregação evangélica local. Para a maioria das pessoas que moravam em China Grove, a vida centralizava-se no trabalho e na igreja. A conversa no moinho era sobre a última decisão do superintendente e como ela afetara, parti­cularmente, seu próprio trabalho. Os cultos focalizavam principalmente as antecipadas alegrias do céu. Naquele pri­mitivo local americano, descobri a linguagem do amor nú­mero quatro.

Estava em pé debaixo de uma árvore Chinaberry, após o culto de domingo, quando Mark e Mary aproximaram-se de mim. Não reconheci nenhum deles. Deduzi que haviam nas­cido enquanto estivera fora. Apresentando-se, Mark disse:

Pelo que entendi, o senhor ministra estudo sobre aconselhamento conjugai, não é verdade?

Sorri e lhes respondi:

— Sim, estou começando. Ele então me interrogou:

— É possível um casamento dar certo, se o casal discor­da em tudo?

Era uma daquelas perguntas teóricas a qual eu sabia que tinha um fundo pessoal.

Desconsiderei a conotação teórica da pergunta e fiz-lhe uma interrogação pessoal:

— Há quanto tempo vocês estão casados?

— Há dois anos. E não concordamos em nada!

— Dê-me algum exemplo:

— Bem, para começar, Mary não gosta que eu vá caçar. Trabalho a semana inteira no moinho e, quando chegam os sá­bados, gosto de infiltrar-me na floresta. Não são todos os sába­dos, mas somente quando a temporada de caça está aberta.

Mary, que estivera calada até então, disse:

— Quando a estação de caça não está aberta ele vai pescar. E não é verdade que ele caça somente nos sábados. Ele sai do trabalho para ir caçar.

— Uma, ou duas vezes por ano, tiro dois ou três dias de licença e, juntamente com outros colegas, vamos caçar nas montanhas. Não vejo mal algum nisso!

— Em que mais vocês discordam? perguntei:

— Bem, ela quer que eu vá à igreja o tempo todo. Não me importo de ir aos cultos aos domingos de manhã, mas, à noite, prefiro descansar. Tudo bem que ela queira ir, mas não acho que eu precise estar lá também.

Mary novamente replicou:

— Você também não quer que eu vá! Faz escândalo cada vez que eu passo pela porta em direção à igreja.

Sabia que aquela conversa não deveria continuar ali, embaixo daquela árvore e em frente à igreja. Como um jo­vem aspirante a conselheiro, achei que me metia em algo muito complicado para mim, mas como tinha sido treinado para fazer perguntas e ouvir, continuei:

— Em que mais vocês discordam? Dessa vez, Mary respondeu:

— Ele quer que eu fique em casa o dia inteiro e faça todo o serviço doméstico. Fica simplesmente maluco se eu visito minha mãe, ou saio para fazer compras ou qualquer outra coisa.

Ele imediatamente interrompeu:

— Eu não me importo que ela visite sua mãe. No entan­to, quando chego em casa, gosto de achar tudo em ordem. Há semanas em que ela não arruma nem a cama durante três ou quatro dias e nos outros, quando chego, ela nem ao menos começou o jantar. Trabalho duro e gostaria de alimen­tar-me logo ao chegar. Além disso, a casa está sempre na maior bagunça! Há brinquedos do bebê espalhados por todo lugar, e ele está sempre sujo. Não gosto de sujeira. Acho que ela se sentiria feliz se vivesse em um chiqueiro. Não somos ricos e moramos em uma pequena casa do moinho; mas pelo menos ela poderia ser limpa!

Mary então perguntou:

— O que o senhor acha de ele me dar uma ajuda em casa? Ele age como se os esposos não precisassem jamais aju­dar. Tudo o que ele quer é trabalhar e caçar. Espera que eu faça todo o resto. Por ele, eu teria até de lavar o carro!

Com o propósito de achar que seria melhor eu procu­rar alguma forma de ajudar e não de buscar mais problemas, perguntei a ele:

— Mark, quando namoravam, antes de se casarem, você já ia caçar todos os sábados?

— Na maioria deles. Mas eu sempre chegava em casa a tempo de vê-la no sábado à noite. Ainda tinha a oportunida­de de lavar meu carro, antes de encontrá-la. Eu não gostava de sair com minha caminhonete suja.

— Mary, quantos anos você tinha quando se casou? Eu perguntei.

— Dezoito. Nós nos casamos assim que eu terminei o colegial. Mark formou-se um ano antes de mim, e já traba­lhava.

— No último ano do colegial, Mark via você constante­mente?

— Sim, ele me visitava quase todas as noites. Chegava à tarde e muitas vezes ficava para jantar com toda a família. Costumava ajudar-me nas tarefas da casa e depois nos sen­távamos e conversávamos até a hora do jantar.

— Mary, o que vocês dois faziam depois do jantar? Ela olhou em minha direção com um sorriso sem graça e disse:

— Bem, o que os namorados costumam fazer... Mas, se eu tivesse algum trabalho escolar, ele sempre me ajudava. Algumas vezes estudávamos horas juntos. Certa vez eu fui encarregada de montar um projeto de Natal para a classe que se formaria. Ele me ajudou todas as tardes, durante três semanas. Ele foi sensacional!

“Mudei de marcha” e engatei a terceira na área das dis­córdias.

— Mark, quando os dois namoravam, você costumava ir com Mary à igreja aos domingos à noite?

— Sim, eu ia. Se não fosse, não tinha como vê-la no domingo à noite. O pai dela era superexigente.

— E ele nunca reclamou disso! Mary acrescentou. De fato, ele parecia gostar de ir. Até nos ajudou na programação de Natal! Quando terminamos o primeiro projeto, começa­mos a preparar o palco para a peça natalina. Ficamos umas duas semanas envolvidos naquilo. Ele é muito talentoso para pintar e montar cenários.

Achei que começava a enxergar alguma luz no fim do túnel, mas temia que Mark e Mary não a vissem. Virei-me, então para ela e perguntei:

— Quando você namorava Mark, o que a convenceu de que ele a amava? O que fez com que ele fosse diferente dos outros rapazes que você conhecia?

— Foi a forma de como ele me ajudava a fazer as coi­sas. Ele tinha tanto entusiasmo em colaborar! Nenhum dos outros rapazes demonstrou esse tipo de interesse, mas pare­cia realmente natural em Mark. Ele chegava até a me ajudar a lavar a louça quando ia jantar em minha casa. Ele era a pessoa mais maravilhosa que eu já tinha conhecido. Mas foi só a gente casar, e tudo mudou! Ele não fez mais nada!

Dirigindo-me novamente para Mark, perguntei:

— Em sua opinião, por que você acha que fazia todas aquelas coisas para ela e com ela, antes de casarem?

— Na época, para mim era natural fazê-las. É o que se espera que alguém nos faça, se esse alguém gosta de nós.

— E por que você acha que parou de ajudá-la depois do casamento? Perguntei.

— Eu acho que pensei ser como era em minha família. Meu pai trabalha e minha mãe toma conta da casa. Nunca o vi aspirar o pó, lavar louça ou fazer qualquer outro serviço do­méstico. Em virtude de minha mãe não trabalhar fora, ela man­tinha a casa sempre limpa, cozinhava, lavava e passava. Acho que simplesmente pensei que deveria agir como meu pai.

Torcendo para que ele raciocinasse como eu, perguntei:

— Mark, um minuto atrás o que você ouviu Mary res­ponder, quando perguntei o que a fez sentir-se amada por você durante o namoro?

Ele respondeu:

— O fato de eu ajudá-la a fazer as coisas e realizá-las ao lado dela.




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