As Cinco Linguagens do Amor



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O Presente da Presença


Existe um tipo de presente que é intangível e muitas vezes fala mais alto do que qualquer outro que você possa ter nas mãos. Eu o chamo de presente da sua presença, ou presente de si mesmo. Estar ao lado de seu cônjuge quando este precisa de você fala mais alto do que aquele cuja primei­ra linguagem é receber presentes. Jan disse-me certa vez:

— Meu marido Donald gosta mais de futebol do que de mim!

E eu então lhe perguntei:

— Por que você diz isso?

— No dia em que nosso filho nasceu, ele foi jogar bola. Eu fiquei a tarde toda sozinha, deitada em um leito da ma­ternidade, enquanto ele se divertia com os colegas o tempo todo. Fiquei arrasada. Aquele era um dos momentos mais preciosos de nossas vidas. Queria que o desfrutássemos jun­tos. Desejava que ele estivesse ali comigo. Mas Don abando­nou-me e foi jogar!

Aquele marido poderia ter mandado dúzias de rosas para a esposa, mas elas de forma alguma falariam tão alto quanto se ele estivesse no hospital, ao lado da esposa. Posso afirmar que Jan ficou profundamente magoada com aquela experiência. O “bebê” tem agora 15 anos e ela ainda fala do ocorrido com todas as emoções presentes, como se tivesse acontecido no dia anterior. Procurei sondá-la com a seguinte pergunta:

— Você baseou sua conclusão, de que Don aprecia mais a futebol do que a você, naquela experiência?

— Não só, mas também. No dia do funeral de minha mãe, ele também foi jogar bola.

— Mas ele foi ao funeral?

— Foi. Mas assim que a cerimônia terminou, ele foi di­reto jogar. Eu não podia acreditar. Meus irmãos levaram-me para casa, pois meu marido tinha ido jogar futebol!

Mais tarde tive a oportunidade de perguntar a Don so­bre essas duas situações. Ele sabia exatamente do que eu fa­lava:

— É, eu sabia que ela falaria ao senhor sobre isso. Eu estava lá durante todo o trabalho de parto e também quando o bebê nasceu. Tirei fotos. Eu estava muito feliz e não via a hora de contar para os meus colegas do time a boa notícia. Mais tarde, quando voltei ao hospital, “minha bola murchou”! Ela estava furiosa comigo. Eu não podia acreditar que era ela quem me dizia todas aquelas coisas horrorosas! Achei que ela ficaria orgulhosa por eu ter prazer em querer dar a boa notícia ao time...



A presença do (a) esposo (a) em

tempo de crise é o maior

presente que se pode dar

a um cônjuge cuja primeira

linguagem do amor

seja “Receber Presentes”.

Ele prosseguiu:

— E quando a mãe dela morreu? Provavelmente não lhe contou que eu tirei uma semana de férias antes que mi­nha sogra morresse e fiquei o tempo todo entre o hospital e a casa dela, fazendo reparos e ajudando no que era preciso. Após sua morte, terminando o funeral, achei que tinha feito tudo o que podia. Eu precisava de um descanso. Gosto mui­to de futebol e sabia que um joguinho ajudar-me-ia a relaxar e a aliviar um pouco a tensão dos últimos dias. Achei que ela compreenderia isso. Fiz tudo o que achei ser importante para ela, mas não foi suficiente. Ela nunca esquecerá e sempre jo­gará na minha cara aqueles dois dias. Ela diz que eu gosto mais de futebol do que dela. Isso é ridículo!

Don era um marido sincero que falhou em compreen­der a tremenda importância de sua presença. A permanên­cia dele era mais importante para ela do que qualquer outra coisa. A presença do (a) esposo (a) em tempos de crise é o maior presente que se pode dar a um cônjuge cuja primeira linguagem do amor seja “Receber Presentes”. A presença fí­sica torna-se o símbolo do amor. Retire esta presença e a per­cepção desta virtude evapora-se. Durante o aconselhamento, Don e Jan trataram das feridas e dos ressentimentos do pas­sado. Ela conseguiu perdoá-lo e ele pôde compreender por­que sua presença era tão importante para ela.

Se a presença de seu cônjuge é muito importante para você, eu o (a) incentivo a expressar-lhe isso. Não espere que ele (ela) leia sua mente. E se porventura ouvir a expressão: “Gostaria muito que você estivesse lá comigo amanhã (hoje à noite, esta tarde, etc.)”; por favor, leve esse pedido a sério. Talvez, de seu ponto de vista, sua presença não seja tão im­portante, mas se você não atender a esta solicitação, poderá comunicar uma mensagem negativa. Um determinado es­poso me disse certa vez:

— Quando minha mãe morreu, o supervisor de minha esposa lhe disse que ela poderia se ausentar do emprego durante duas horas e depois desse período deveria voltar ao trabalho. Ela, então, disse-lhe que seu esposo precisava do apoio dela; por isso, não voltaria mais naquele dia.

O supervisor então lhe disse:

— Se você não voltar, poderá perder seu emprego. Minha esposa então replicou:

— Meu esposo é mais importante do que meu trabalho.

— Ela passou aquele dia comigo. De alguma forma, naquela oportunidade eu me senti mais amado por ela do que nunca antes. Jamais esqueci aquele seu ato. E sabe o que aconteceu? Ela não perdeu o emprego. Seu supervisor foi mandado embora e ela assumiu o posto que era dele.

Aquela esposa falara a linguagem do amor de seu ma­rido e ele jamais esqueceu disso.

Quase toda literatura existente sobre o amor indica que em seu âmago encontra-se o espírito da entrega voluntária. Todas as cinco linguagens do amor desafiam-nos a doarmos nós mesmos a nossos cônjuges; no entanto, para alguns, re­ceber presentes, símbolos visíveis do amor, é o que fala mais alto. A maior ilustração dessa verdade veio de Chicago, onde conheci Jim e Janice.

Eles participaram de meu seminário sobre casamento e ficaram encarregados de me levar, na tarde de sábado, ao Aeroporto O’Hare. Tínhamos umas três horas antes de meu embarque e eles perguntaram se eu gostaria de ir a um res­taurante. Como estava com fome, concordei alegremente. E naquela tarde, tive muito mais do que uma refeição grátis.

Jim e Janice cresceram em fazendas da região de Illinois. Mudaram para Chicago logo após se casarem. Ela me contou um fato ocorrido quinze anos depois do feliz matrimônio e dos três filhos. Ela começou a falar assim que nos sentamos:

— Dr. Chapman, o motivo de trazê-lo até o aeroporto foi para partilharmos com o senhor um milagre.

Alguma coisa nesta palavra faz-me recuar, principal­mente quando não conheço a pessoa que a usa. “O que será que vem por aí?”, pensei. Ocultando esses pensamentos para mim mesmo, dediquei toda minha atenção a ela. Eu não sa­bia, mas estava prestes a levar um choque.

— Dr. Chapman, Deus usou o senhor para fazer um milagre em nosso casamento.

Nossa, como me senti culpado! Um minuto atrás eu questionava o uso da palavra milagre, e agora, Janice dizia que eu era o veículo daquele milagre. Passei, então, a ouvir com mais interesse. Janice continuou:

— Há três anos assistimos, pela primeira vez, um se­minário do senhor aqui mesmo em Chicago. Eu estava de­sesperada. Pensava seriamente em deixar Jim e já havia dito isso a ele. Nosso casamento estava vazio há muito tempo. Eu já tinha desistido. Durante anos eu dizia a Jim que preci­sava de seu amor, mas ele não esboçava nenhuma reação. Eu amava as crianças e sabia que elas me adoravam também, mas não sentia nenhum amor da parte de Jim. Para ser sin­cera, naquela época eu praticamente o detestava. Ele era uma pessoa absolutamente metódica. Fazia tudo por hábito. Era tão previsível quanto um relógio e ninguém conseguia alte­rar aquela rotina.

Ela continuou:

— Durante muitos anos, tentei ser uma boa esposa. Eu cozinhava, lavava, passava... Colocava em prática tudo o que uma boa esposa deveria realizar. Fazia sexo porque sabia que era importante para ele. Porém, não havia jeito de me sentir amada por Jim. Sentia-me como se ele tivesse deixado de se interessar por mim após o casamento e simplesmente não me valorizava mais. Sentia-me usada e desvalorizada.

— Quando falei com Jim sobre meus sentimentos, ele simplesmente riu e disse que nós tínhamos um casamento tão bom quanto qualquer outro da vizinhança. Ele não con­seguia entender porque eu estava tão infeliz. Lembrou-me então que as contas estavam pagas, tínhamos uma bela casa, um carro novo, e eu podia me dar ao luxo de escolher traba­lhar fora ou em casa, e deveria estar alegre ao invés de recla­mar o tempo todo. Ele nem ao menos tentou compreender meus sentimentos, o que me fez sentir totalmente rejeitada. E foi assim que três anos atrás chegamos ao seu seminário.

Ela suspirou e prosseguiu:

— Até então, nunca havíamos participado de nenhum estudo sobre o casamento. Eu não sabia o que me esperava e, sinceramente, minhas expectativas eram negativas. Achei que nunca, nada nem ninguém mudaria Jim. Durante e de­pois do seminário, ele quase não falou. Aparentemente de­monstrou gostar do assunto. Inclusive, achou o senhor mui­to engraçado. Mas não comentou comigo sobre nenhuma das idéias do seminário. Não esperava mesmo que o fizesse e tampouco lhe perguntei coisa alguma. Como já disse, eu já desistira de esperar alguma mudança. Como o senhor bem sabe, o seminário terminou no sábado à tarde. Naquele dia à noite e no domingo, as coisas foram como de costume. Po­rém, na segunda-feira à tarde, ele chegou do serviço e trou­xe-me uma rosa.

Fez uma nova pausa, para respirar fundo e prosseguiu:

— Onde você arrumou isso? — eu perguntei. Ele res­pondeu:

— Comprei de um vendedor de flores. Achei que você gostaria de ganhar uma rosa.

— Eu comecei a chorar e agradeci comovida. Logo des­cobri que ele comprara a rosa de um vendedor em alguma esquina. De fato eu havia visto um naquele dia. Mas isso não importava, pois o que valia é que ele me trouxera aquela rosa. Na terça-feira à tarde ele me ligou do escritório e perguntou-me o que eu achava se ele trouxesse uma pizza para jantar­mos. Ele pensou que eu apreciaria não cozinhar naquela noite.

Disse-lhe que achava a idéia ótima e ele trouxe aquele lan­che para casa. Nós curtimos muito aquela pizza. As crianças também gostaram muito e agradeceram-lhe por tê-la trazi­do. Dei-lhe um abraço e manifestei minha sincera aprecia­ção por tudo.

Fez uma pequena pausa e prosseguiu:

— Ao chegar em casa na quarta-feira à noite trouxe para cada um de nossos filhos um pacote de biscoitos e uma plantinha para mim. Disse que a rosa logo morreria e achava que eu gostaria de algo que durasse mais tempo. Eu pensei que tivesse alucinações! Não podia acreditar que Jim fizesse aque­las coisas e nem o porquê delas. Na quinta-feira após o jan­tar ele me deu um cartão onde escrevera que, apesar de não saber dizer seu amor por mim, gostaria que eu soubesse o quanto eu significava para ele. Novamente chorei e sem re­lutância abracei-o e beijei-o. Nessa hora ele falou: “Por que não arrumamos uma babá para ficar em casa no sábado à noite e vamos nós dois jantar fora?” Meio fora de órbita res­pondi que seria maravilhoso. Na sexta-feira à noite, ao vir para casa, parou em uma loja de doce e trouxe para cada um de nós um pacotinho com nossos doces preferidos. De novo ele nos fez surpresa e disse que aquela era nossa sobremesa.

Janice parou novamente para dar um profundo suspi­ro e prosseguiu:

— No sábado à noite, eu estava em “alfa”. Não tinha idéia do que tinha acontecido a Jim, nem se aquilo duraria muito tempo. Só sabia que adorava cada minuto. Após nos­so jantar naquele sábado, disse-lhe que não entendia aquela sua atitude e pedi que ele me contasse o que acontecera.

Nesse momento, ela olhou para mim muito séria e disse:

— Dr. Chapman, quero que o senhor entenda exata­mente o que ocorreu. Este homem, depois que nos casamos, nunca mais me dera flor alguma. Jamais me dedicara um único cartão. Ele sempre dizia que comprá-los era um des­perdício de dinheiro porque você olhava uma vez para os mesmos e depois os jogava fora. Acredite ou não, só saímos para jantar uma única vez em cinco anos. Nunca adquiriu algo para as crianças e esperava que eu comprasse somente o extremamente essencial. Jamais trouxe uma pizza para jan­tarmos. Esperava encontrar a comida pronta todas as noites, ao chegar em casa. Estou, então, desejosa de dizer que o que aconteceu foi uma mudança radical de comportamento. Nesse momento, virei-me para Jim e perguntei:

— O que você respondeu quando, ainda no restauran­te, ela lhe perguntou o que acontecera?

— Disse a ela que, ao ouvir seu seminário sobre as lin­guagens do amor, compreendi que a linguagem dela era o “Receber Presentes’’. Nessa hora, também percebi que há muitos anos não lhe dava uma lembrança sequer. Para ser sincero, creio que não lhe ofereci algo desde nosso casamen­to. Lembro-me que quando namorávamos, costumava trazer-lhe flores e outros presentinhos, mas depois que nos ca­samos, achei que não deveria mais arcar com essa despesa. Contei-lhe então que decidira dar-lhe durante uma semana um presente por dia e observaria se aquilo causaria alguma mudança nela. Tenho de admitir que presenciei uma enor­me diferença em suas atitudes durante aquela semana.

Fez uma pequena pausa e prosseguiu:

— Disse-lhe também que confirmava ser verdadeiras as palavras que o senhor dissera, e aprender a linguagem certa do amor era a chave para que o cônjuge se sentisse amado. Pedi perdão por ter ficado tão endurecido todos aque­les anos, falhando tanto em suprir sua necessidade de sentir-se amada. Disse a ela que realmente a amava e apreciava todas as coisas que ela fazia por mim e pelas crianças. Disse-lhe também que, com a ajuda de Deus, iria me tornar um expert em presentear e iria me aprimorar nisso por toda mi­nha vida. Nessa hora, Janice me disse:

— Mas, Jim, você não pode continuar a me comprar presentes todos os dias pelo resto de nossas vidas. Não há orçamento que agüente isso! Eu lhe respondi:

— Pode ser que não dê para comprar todos os dias, mas pelo menos uma vez por semana, acho que sim. Isso soma 52 novos presentes por ano que você deixou de receber nos últimos cinco anos. E quem disse que terei de com­prar todos eles? Posso muito bem fazer alguns. Posso utili­zar a idéia do Dr. Chapman de, na primavera, apanhar uma flor do nosso jardim.

Janice então o interrompeu:

— Dr. Chapman, que eu me lembre, ele não falhou ne­nhuma semana já há três anos. Ele é um novo homem. O senhor não acredita como somos felizes! Nossos próprios fi­lhos têm nos chamado de pombinhos apaixonados. Meu “tan­que” tem transbordado de tão cheio!

Virei-me então para Jim e perguntei:

— E quanto a você, Jim, também se sente amado por Janice?

— Eu sempre me senti amado por ela, Dr. Chapman. Ela é a melhor dona de casa do mundo! Cozinha como nin­guém. Minhas roupas estão sempre limpas e passadas. Ela é ótima para lidar com as crianças. Sei que ela me ama.

Ele sorriu e continuou:

— Minha linguagem do amor está muito óbvia para o senhor, não é?

Concordei com ele. E também com ela, ao lembrar da palavra milagre utilizada ao início de nossa conversa.

Não é necessário que os presentes sejam caros e ofere­cidos semanalmente. Para algumas pessoas, o valor deles nada tem a ver com o preço, mas sim com o amor implícito.

No capítulo sete, deixaremos mais clara a linguagem do amor de Jim.




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