As Cinco Linguagens do Amor



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Conversa de Qualidade


Como as palavras de afirmação, a linguagem da “Quali­dade de Tempo” também possui vários dialetos. Um dos mais utilizados é o da conversa de qualidade. Afirmo com isso a exis­tência de um diálogo acolhedor onde duas pessoas comparti­lham experiências, pensamentos, emoções e desejos, de forma amigável, e em um contexto sem interrupções. A maioria das pessoas que reclamam que seus cônjuges não conversam, rara­mente não toma parte em algum diálogo mais íntimo. Se afir­mam isso é porque nada falam, de forma literal. Querem dizer que se a primeira linguagem do amor de seu cônjuge for “Qua­lidade de Tempo”, esse tipo de diálogo é importantíssimo para sua parte emocional, no que diz respeito a sentir-se amado.

Conversa de qualidade é bem diferente da primeira lin­guagem do amor. Palavras de afirmação focalizam o que afir­mamos, ao passo que conversa de qualidade focaliza o que ouvimos. Se externo meu amor por você através da “Quali­dade de Tempo” e gastamos esse tempo juntos, significa que este propósito estará em fazer você vir à tona, ouvir atenta­mente o que pretende dizer. Farei perguntas, não por obriga­ção, mas com o desejo genuíno de entender seus pensamen­tos, sentimentos e desejos.

Conheci Patrick quando ele tinha 43 anos e estava ca­sado há dezessete. Lembro-me bem dele porque suas pri­meiras palavras foram dramáticas. Ele se sentou na cadeira de couro de meu escritório e após uma breve apresentação inclinou-se para frente e disse tomado de grande emoção:

— Dr. Chapman, tenho sido um idiota, um perfeito idiota! Perguntei-lhe:

— O que o fez chegar a essa conclusão?

— Tenho 17 anos de casado e, de repente, minha mu­lher me deixou. Só agora pude perceber como sou idiota!

Ao ouvir suas palavras, mantive minha pergunta inicial:

— De que forma você acha que tem sido um idiota?

— Deixe-me explicar. Minha esposa chegou em casa após um dia de trabalho e contou-me que estava passando por al­guns problemas em seu emprego. Eu a ouvi e disse-lhe o que ela deveria fazer. (Eu sempre lhe dei conselhos.) Então afirmei que ela mesma precisava confrontar aquela situação, pois os problemas não costumam sumir facilmente, e ela deveria con­versar com as pessoas envolvidas ou o supervisor de seu de­partamento. Seria necessário que ela enfrentasse aquela situa­ção. No dia seguinte, porém, ela chegou do serviço e falou dos mesmos problemas. Eu então perguntei se ela fizera o que eu sugerira no dia anterior. Ela sacudiu a cabeça e disse que não. Repeti, naquele momento, o mesmo conselho. Disse-lhe que aquela era a forma correta de lidar com a situação. No dia se­guinte ela chegou em casa e apresentou novamente os mesmos problemas. Mais uma vez eu lhe perguntei se fizera o que eu propusera. Mais uma vez ela sacudiu a cabeça e disse que não. Após umas três ou quatro noites fiquei muito bravo e disse-lhe que não contasse mais comigo enquanto não fizes­se o que eu lhe recomendara. Ela não precisava viver sob aquela pressão, pois resolveria seu problema se simplesmente fizesse o que eu lhe falara. Na próxima vez em que ela veio me falar sobre aquele problema, eu lhe disse:

— Não quero mais ouvir sobre isso. Já lhe falei várias vezes o que fazer. Se você não quer ouvir meus conselhos, também não desejo mais ouvir falar sobre este assunto!



Muitos de nós somos treinados a

analisar problemas a fim de dar-lhes

soluções. Esquecemos que o casamento

é um relacionamento, e não um

projeto a ser terminado ou

um problema a ser resolvido.

Ele prosseguiu o seu relato:

— Eu me retirei e dirigi-me ao meu trabalho. Como fui idiota! Agora percebo que, quando ela me falava sobre suas lutas no trabalho, não desejava meus conselhos. Ela queria solidariedade. Desejava que eu a ouvisse, desse-lhe atenção, e dissesse-lhe que entendia a dor, a pressão e a tensão pelas quais passava. Ela queria ouvir que eu a amava e estava ao seu lado. Ela não desejava conselhos, porém a minha compreensão. Mas eu jamais tentei entendê-la. Estava muito afastado dela ao con­ceder-lhe apenas conselhos. Que louco fui eu! E agora ela foi embora. Por que a gente não percebe estas coisas quando estamos passando por elas? Eu estava completamente cego para o que acontecia. Só agora percebo como falhei com ela.

A esposa de Patrick suplicava por uma conversa de qualidade. Emocionalmente, ela esperava que ele lhe desse ouvidos ao ouvir sua dor e frustração. Patrick, porém, não focalizava sua atenção em ouvir, mas em falar. Ele escutava somente o suficiente para perceber o problema e formular uma saída. Ele não a ouvia o tempo necessário para compre­ender sua súplica por apoio e compreensão.

Nós somos como Patrick. Somos treinados para tomar conhecimento dos problemas e dar soluções. Esquecemos que o casamento é um relacionamento, não um projeto a ser ter­minado ou um problema a ser resolvido. Uma convivência a dois implica em simpatia, em ouvir com a intenção de enten­der o que o outro cônjuge pensa, sente e deseja. Devemos tam­bém estar dispostos a aconselhar, mas somente quando solici­tados e jamais de forma arrogante. A maioria de nós não sabe ouvir. Somos mais eficientes em pensar e falar. Aprender a ouvir pode ser tão difícil quanto estudar uma língua estran­geira. Porém, se quisermos comunicar o amor, precisamos aprender. Isso é especialmente importante, se a primeira lin­guagem de seu cônjuge for “Qualidade de Tempo” e se o dia­leto dele for conversa de qualidade. Felizmente, há muitos li­vros e artigos escritos sobre a arte de ouvir. Não repetirei o que já foi escrito em vários outros trechos, mas gostaria de dar algumas dicas que podem ajudar bastante:

1. Procure olhar nos olhos de seu cônjuge quando ele lhe fa­lar alguma coisa. Essa atitude ajuda sua mente a não di­vagar e comunica que ele realmente recebe sua total atenção.

2. Não faça outra coisa enquanto ouve seu cônjuge. Lembre-se: “Qualidade de Tempo” é dedicar ao que lhe fala sua total atenção. Se você porventura assistir TV, ler ou prati­car qualquer outra atividade pela qual esteja muito en­volvido, e não puder desviar a atenção imediatamente, diga isso a seu cônjuge: “Sei que você quer falar comigo agora, e estou interessado em ouvir-lhe. Só que gostaria de con­ceder-lhe mais atenção, e no momento não é possível. Se você me conceder dez minutos para eu terminar o que estou fazendo, sentaremos juntos e então ouvirei o que você tem a dizer.” A maioria dos (as) esposos (as) deverá aten­der a uma solicitação dessas.

3. “Escute” o sentimento. Pergunte a você mesmo o tipo de emoção que seu cônjuge sente no momento. Quando achar que descobriu, confirme. Por exemplo: “Tenho a impres­são que você está desapontado por eu ter esquecido de...” Essa é uma oportunidade para você certificar-se de seus sentimentos. Também comunica que ouve com atenção o que lhe é dito.

4. Observe a linguagem corporal. Punhos cerrados, mãos trê­mulas, lágrimas, cenho franzido e expressão dos olhos for­necem pistas do que seu cônjuge sente. Algumas vezes, a linguagem verbal diz uma coisa, enquanto a corporal afir­ma outra. Solicite um esclarecimento a fim de poder con­firmar seus reais sentimentos.

5. Recuse interrupções. Pesquisas recentes indicam que, em média, as pessoas ouvem apenas 17 segundos antes de interromperem para inserir na conversa as próprias idéi­as. Se eu lhe dedicar minha total atenção enquanto você fala, evitarei defender-me a fim de fazer-lhe acusações ou mesmo, dogmaticamente, evidenciar minha posição. Meu objetivo é perceber seus sentimentos e pensamentos. O alvo não é autodefender-me ou permitir que você ganhe uma discussão; a intenção é compreendê-lo (a).





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