As Cinco Linguagens do Amor


A Segunda Linguagem do Amor: Qualidade de Tempo



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5. A Segunda Linguagem do Amor: Qualidade de Tempo


Era o meu dever perceber qual a primeira linguagem do amor de Betty Jo, logo no início, pelo que ela me disse naquela noite de primavera quando os visitei em Little Rock:

“Bill é um bom provedor, mas não gasta tempo algum comigo! Do que me servem a casa, o carro novo e as demais coisas se não os “curtimos” juntos?”

O que ela desejava? Ter um tempo de qualidade com seu marido. Ela queria que ele focalizasse nela a sua atenção, que lhe dedicasse mais tempo e pudessem realizar algumas atividades juntos.

Quando digo “Qualidade de Tempo” desejo afirmar que você deve dedicar a alguém sua inteira atenção, sem dividi-la. Não significa sentar no sofá e assistir televisão. Quando o tempo é gasto dessa forma, quem recebe a atenção são as estações de TV, e não o cônjuge. O que pretendo afirmar é algo como sentar-se ao sofá com a televisão desligada, olhar um para o outro e conversar, no processo de dedicação mu­tua. É dar um passeio juntos, só os dois. É ambos saírem para comer fora, é um olhar nos olhos do outro e conversar. Você já percebeu que, nos restaurantes, é perfeitamente possível notar a diferença entre um casal de namorados e um de casa­dos? Os namorados miram-se nos olhos e “batem papo”. Os casados sentam-se à mesa e olham ao redor do restaurante. Pode-se dizer que foram ali apenas para comer!

Quando me sento ao sofá com minha esposa e dedico-lhe vinte minutos de minha inteira atenção e ela faz o mes­mo por mim, concedemos um ao outro vinte minutos de nossa existência. Nunca mais teremos aquele tempo nova­mente! Entregamos ali parte de nossas vidas um ao outro. Esse é um poderoso comunicador do amor emocional.

Um único remédio não pode curar todas as enfermidades existentes. Em meu aconselhamento para Bill e Betty Jo, cometi um erro muito sério, pois afirmei que palavras de afirmação teriam o mesmo significado para os dois. Esperava com isso que, se cada um deles desse ao outro uma afirmação verbal, o clima emocional mudaria e ambos sentir-se-iam amados. Isso funcionou para Bill. Seus sentimentos em relação a Betty Jo tor­naram-se mais positivos. Ela passou a apreciar mais o trabalho duro que ele desempenhava. Porém, o mesmo não ocorreu com Betty Jo, porque “Palavras de Afirmação” não era sua primeira linguagem do amor, mas sim a qualidade de tempo.

Peguei novamente o telefone, liguei para Bill e agrade­ci-lhe o esforço feito nos últimos dois meses. Disse-lhe que ele fizera um bom trabalho ao dizer palavras de afirmação para Betty Jo e ela as ouvira. Ele me disse:

— Mas Dr. Chapman, ela ainda continua triste. Acho que as coisas não melhoraram muito para ela!

E eu lhe respondi:

— Você tem razão, Bill. E acho que sei o porquê. O pro­blema é que sugeri a linguagem do amor errada!

Bill não tinha a menor noção do que eu estava falando. Expliquei-lhe então que os motivos que levam uma pessoa a experimentar o amor emocional por outra não são necessari­amente os mesmos.

Ele concordou comigo que a sua linguagem do amor era

realmente “Palavras de Afirmação”. Contou-me então que desde menino isso era importante para ele e estava contente ouvir Betty Jo expressar apreciação pelas coisas que ele fazia. Expliquei, então, que a linguagem de Betty Jo não era “Pala­vras de Afirmação”, mas sim qualidade de tempo. Passei-lhe também o conceito de dedicar atenção integral ao cônjuge, dizendo-lhe que não deveria ouvi-la enquanto lia jornal ou assistia televisão, mas sim olhá-la nos olhos e dedicar-lhe toda a atenção; fazer com o cônjuge algo que ele aprecia, e ser real­mente sincero nessa atividade. Ele então me disse: “Algo como ir com ela a um concerto...” As luzes começavam a brilhar em Little Rock.

— Dr. Chapman, ela sempre reclamou disso! Nós não temos atividades em comum. Realmente não gasto sequer um momento com ela. Betty Jo lembra-me o tempo todo que antes de nos casarmos, costumávamos passear e tínhamos várias atividades juntos, mas agora vivo ocupado demais. Essa é realmente sua linguagem do amor, sem sombra de dúvida. Mas... Dr. Chapman, o que eu posso fazer, se meu trabalho realmente exige muito de mim!?

Pedi-lhe, então, que me falasse sobre seu serviço. Por dez minutos ele me contou a história de como subira os de­graus de sua firma, de quão arduamente trabalhara para isso e orgulhava-se de seus feitos. Falou-me também de seus pla­nos para o futuro e que, pelos seus cálculos, dentro de cinco anos chegaria ao posto que sonhava.

Perguntei-lhe então:

— Você quer chegar lá sozinho, ou deseja a companhia de Betty Jo e de seus filhos?

— Quero que eles estejam comigo. É por isso que sofro tanto quando ela reclama do tempo que gasto no serviço. Realizo o que faço por nós. Quero que ela participe disso, mas Betty insiste em reagir negativamente.

— Você começa a entender o porquê dela ser tão negativa Bill? A linguagem do amor de Betty Jo é “Qualidade de Tem­po”. Você lhe dedica tão pouco tempo que o “tanque do amor” dela está vazio. Ela não sente segurança em seu amor. Por isso, em sua mente, ela rejeita o que o afasta dela, ou seja, seu traba­lho. Ela realmente não odeia sua profissão. Ela detesta o fato de sentir tão pouco amor de sua parte. Só há uma solução para isso, Bill, e o preço é alto. Você terá de arrumar um tempo para gastar com Betty Jo. Você precisa amá-la na linguagem dela.

— O senhor está certo, Dr. Chapman. Como devo co­meçar?

— Você ainda tem o caderno onde anotou as caracterís­ticas positivas de Betty Jo?

— Tenho, está bem aqui.

— Ótimo. Faça uma outra lista. O quê, em sua opinião, Betty Jo gostaria de realizar em sua companhia? Procure lem­brar-se de coisas que ela já mencionou ao longo dos anos.

E a lista de Bill ficou assim:

• Pegar nosso carro novo e irmos para as montanhas passar uma semana (às vezes com as crianças, ou somente nós dois);

• Encontrá-la para almoçar (em um bom restaurante ou, al­gumas vezes, até no McDonald’s);

• Contratar uma babá para cuidar das crianças e juntos jan­tarmos fora (só nós dois);

• Todas as vezes que eu chegar em casa à noite, sentar e con­tar a ela sobre meu dia e ouvir o que ela tem a dizer sobre o dela (ela não gosta que eu veja televisão ou leia quando conversamos);

• Gastar um tempo com os filhos, e discutir a vida escolar deles;

• Gastar um tempo só brincando com as crianças;

• Fazer em um determinado sábado um piquenique com ela e as crianças e não reclamar das formigas e nem das moscas;

• Tirar férias com a família, pelo menos uma vez por ano;

• Sair para conversarmos, enquanto caminhamos (mas sem andar na frente dela).

Ao terminar a lista, Bill disse:

— São essas as coisas das quais me recordo, que ela fala ao longo de todos estes anos.

— Você já sabe o que eu vou sugerir-lhe, não é, Bill?

— Colocar essa lista em prática, não é? — respondeu ele.

— É isso mesmo. Um tópico da lista por semana, durante os próximos dois meses. Como você vai arrumar tempo? Dê um jeito. Você é um homem inteligente e não estaria onde está se não soubesse tomar decisões importantes. Você possui a habilidade para planejar sua vida e incluir Betty Jo em seus planos.

— Está certo. Vou dar um jeito.

— Outra coisa, Bill. Tal projeto não implica na diminui­ção de seus alvos. Significa que, quando você chegar ao topo, Betty Jo e seus filhos estarão lá com você.



O aspecto central da “Qualidade

de Tempo” é estar próximo.

Não quero dizer simples proximidade...

O estar junto tem a ver

com o focalizar a atenção.

— E isso o que eu mais desejo! Esteja eu no topo ou não, quero que ela seja feliz e pretendo desfrutar a vida ao seu lado e das crianças.

E os anos se passaram... Bill e Betty Jo chegaram ao topo, apesar de um pequeno revés na vida, graças à linguagem do amor. O mais importante, porém, é que alcançaram a vitória juntos. Os filhos já deixaram o ninho e eles concordam que vi­vem os melhores anos de suas vidas. Bill tornou-se um sincero apreciador de concertos e Betty Jo aumentou a lista dos tópicos que aprecia no esposo. Ele não se cansa de ir ao teatro. Come­çou recentemente sua própria companhia e está novamente próximo ao topo. Seu trabalho já não é uma ameaça para Betty Jo. Ela está animada e encoraja-o bastante. Ela sabe que está em primeiro lugar na vida do marido. Seu “tanque do amor” está cheio, e se começar a esvaziar, ela sabe que uma simples solici­tação sua fará com que Bill conceda-lhe atenção irrestrita.




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