As atitudes e o desempenho em aritmética do ponto de vista da aprendizagem signifcativa



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AS ATITUDES E O DESEMPENHO EM ARITMÉTICA DO PONTO DE VISTA DA APRENDIZAGEM SIGNIFCATIVA.
MARCOS ANTONIO S. DE JESUS – UNISANTA – jesusmar@litoral.com.br

ATITUDES


No decorrer do desenvolvimento da Psicologia como Ciência, vêm sendo elaboradas algumas hipóteses, ou seja, algumas construções teóricas com o propósito de se compreender melhor e também medir aspectos do comportamento humano, chamados de constructos hipotéticos. Na Psicologia, constructo hipotético é um processo ou entidade que se supõe existir, mesmo não sendo possível observar ou inferir de forma direta. Portanto, atitude é um dos constructos hipotéticos elaborados por psicólogos pesquisadores, que se dedicam a estudar fatores que influenciam o comportamento humano. Para se conceituar atitude se devem considerar as propriedades que são atribuídas a ela, por se tratar de um constructo hipotético.

Ao se tentar estudar a influência de atitudes no processo de ensino e aprendizagem deve-se ter clareza do que venha a ser atitude. Para Brito (1996), o conceito de atitude pode ser entendido como sinônimo de comportamento, num enfoque que venha a priorizar somente o aspecto observável, como equivalente à motivação e outros. Segundo a autora, atitude não pode ser compreendida como sinônimo de comportamento e também não pode ser confundida com ele.

Para Klausmeier e Goodwin (1977), o conceito de atitude, assim como outros conceitos, também possuem alguns atributos definidores. Conforme os autores, esses atributos podem ser apresentados da seguinte forma: a) a aprendibilidade que pode ser sem consciência ou intencional; b) a estabilidade poderá ser temporária ou permanente; c) o significado pode ser alto ou baixo; d) o conteúdo que tende a cognitivo alto ou baixo; e) a orientação que tem uma esquiva alta ou uma aproximação também alta.

Inúmeras são as definições apresentadas sobre atitudes, porém todos os teóricos que procuram formalizar um conceito de atitude mantiveram como fator comum a possibilidade de ser algo que influencie o comportamento. Desta forma, Brito (1996) definiu atitude como: “disposição pessoal, idiossincrática, presente em todos os indivíduos, dirigida a objetos, eventos ou pessoas, que assume diferente direção e intensidade de acordo com as experiências do indivíduo. Além disso, apresenta componentes do domínio afetivo, cognitivo e motor”. (Brito, 1996, p.11).).

O educador que realmente está interessado em oferecer uma aprendizagem significativa a seus alunos, não deve nunca desconsiderar o fator atitude como de extrema relevância. As atitudes, além de conteúdos específicos de ensino, impregnam todo o processo educacional, e ocupam um papel de destaque em todo ato de aprendizagem.

É importante ressaltar que os educadores matemáticos também devem ter uma atitude positiva em relação ao seu objeto de trabalho, especificamente em relação a todos os conteúdos. Professores com atitudes negativas criam, freqüentemente, uma dependência do aluno em relação a eles nos momentos de aprendizagem. Além disso, foi observado que professores com atitudes negativas dirigiam seus ensinamentos baseados em regras ou memorizações sem significado, não valorizando o raciocínio matemático. Ao contrário disso, professores com atitudes positivas em relação à matemática usam métodos instrucionais que promovem uma independência de seus alunos no que diz respeito ao hábito de estudar, (Karp, 1991). As atitudes podem ser modificadas ou deixar de existir devido a vários fatores, tais como: observação, imitação, reflexão, avaliação, e outros. Um professor pode ensinar atitudes ou modificá-las, (Klausmeier e Goodwin, 1977).

O presente estudo foi desenvolvido considerando a posição dos estudos (Ausubel et al., 1980; Brito, 1996; Klausmeier e Goodwin, 1977) sobre as atitudes, principalmente no que diz respeito à possibilidade de modificação. É evidente que não se deve deixar de considerar que a maturidade social e a intelectualidade são fatores que estão relacionados às atitudes de um sujeito, como indica o estudo (Aiken, 1963) realizado com 160 sujeitos do gênero feminino, no qual o autor afirmou que:
...high scores on the attitude scale, with mathematical ability statistically controlled, tend to be more socially an intellectually mature, more self-controlled, and place more value on theoretical matters than low scores on the scale. These findings suggest that attitude toward mathematics is related to a broad constellation of personality variables indicative of adjustment and interest. (Aiken, 1963, p.479).

Educadores que pretendem modificar as atitudes de seus alunos devem considerar que há muitos fatores para isto ocorrer. Dentro do ambiente escolar, as atitudes de um determinado aluno podem ser diferentes conforme o momento e o espaço físico. Um certo aluno que apresente atitude positiva em relação à matemática poderá apresentar tendência a atitude negativa em relação à outra disciplina qualquer, ou até mesmo à matemática, num outro momento. Porém, cabe a cada um dos educadores envolvidos nesse processo de ensino-aprendizagem intervir com técnicas adequadas, visando que seus alunos melhorem as atitudes em relação à disciplina ministrada por ele.

Para Klausmeier e Goodwin (1977), pessoas que possuem uma atitude favorável em relação a alguma coisa, poderão se aproximar dela e defendê-la, mas se tem atitude desfavorável poderão evitá-la ou mesmo apresentar comportamento negativo em relação a ela. É claramente perceptível esse comportamento de alunos em sala de aula, manifesto de uma dada atitude. Quando, por exemplo, durante uma aula qualquer o acadêmico procura evitá-la, afirmando que não gosta ou não tem interesse, mas em outras aulas o mesmo acadêmico pode fazer questão de estar presente, com muita atenção e prontidão para o que lhe é transmitido. Nesse caso, ele tem interesse e provavelmente uma atitude positiva em relação ao que será apresentado.

De acordo com Ausubel et al. (1980), quando está ocorrendo uma aprendizagem por recepção significativa as atitudes do sujeito envolvido nesse processo poderão influenciar na emergência de significados, aumenta o esforço e atenção. Segundo esses autores, variáveis motivacionais e de atitudes não estão diretamente envolvidos no processo de interação cognitiva. Mas, elas podem energizar e acelerar esse processo durante a aprendizagem.

Para Ausubel et al. (1980), quando as atitudes dos indivíduos com relação ao material controvertido são favoráveis eles estão altamente motivados a aprender. Esses indivíduos apresentam esforços mais intensos e maior concentração, e os limiares perceptuais e cognitivos relevantes são reduzidos. Também, quando o componente cognitivo das atitudes em questão está bem estabelecido, os indivíduos possuirão idéias básicas claras, estáveis e relevantes para a incorporação do material novo.

A relação entre atitudes e desempenho certamente tem como conseqüência uma influência recíproca, ou seja, as atitudes afetam as atividades e estas afetam as atitudes. É comum encontrar pessoas que tenham passado ou estejam estudando no processo educacional formal se referirem à matemática como a disciplina escolar de que menos gostam. Porém, isto não quer dizer que, se for analisado de forma minuciosa, os estudantes de um modo geral de fato gostem menos, tenham aversão à matemática ou tenham uma atitude negativa em relação a esta disciplina.

O ser humano vive num mundo de crenças, atitudes e comportamentos. As crenças e atitudes são na maioria das vezes formadas socialmente e irão influenciar o comportamento de todos. No ambiente escolar não poderia ser diferente. O professor, assim como o aluno, está sujeito a manifestar um determinado comportamento, de acordo com sua atitude estabelecida a respeito de uma ciência ou apenas um conteúdo qualquer. Sobre esse aspecto, a crença que o professor tem sobre o desempenho em matemática de seus alunos, quando relacionados os gêneros, irá de certo modo direcionar sua verbalização a seus em ambos os gêneros.

Deve-se considerar que a complexidade do conhecimento matemático talvez seja um dos fatores que realmente influenciem no desenvolvimento de atitudes negativas, não se deixando de considerar a existência de outros elementos também influenciando esse desenvolvimento de atitudes desfavoráveis ao processo ensino-aprendizagem desta ciência, tais como: aspectos didáticos do professor, distribuição curricular de conteúdos, idade do aluno inadequada à aprendizagem de determinados tópicos, elementos motivacionais intrínsecos aos alunos e outros. Correa e Mac Lean (1999), comentaram que é atribuída a natureza complexa do conhecimento matemático: o desenvolvimento da ansiedade e de atitudes negativas por parte dos estudantes em relação à matemática.

As atitudes são influenciadas por diferentes componentes, cognitivos, afetivos e conotativos. O componente cognitivo está relacionado ao conhecimento que o sujeito tem a respeito do objeto e também as crenças sobre esse objeto, no caso, a matemática. Um aspecto que também deve ser considerado seria o grau atribuído à matemática a partir da 6ª série da 2ª fase do ensino fundamental, como elemento que poderá influenciar no desenvolvimento de atitudes menos favoráveis à aprendizagem de matemática. Autores como Brito (1996) sugerem que o ensino de álgebra introduzido neste período, talvez seja um desses fatores que, segundo a autora, não permitem que tenham o nível de abstração adequado para compreensão conceitual que tal conteúdo exige.




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