Arte e saúde mental: uma experiência com a metodologia participativa da Educação Popular Art and mental health: an experience with the participatory methodology of Popular Education Arte y salud mental



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Palabras-llave: Reforma Psiquiátrica. Psicología Social Comunitaria. Educación Popular. Lenguaje audiovisual.


Não cabe temer ou esperar, mas buscar novas armas.

(Gilles Deleuze)


Introdução
A Reforma Psiquiátrica brasileira, implementada como política pública a partir da promulgação da Lei nº 10.216/2001, possibilitou a reestruturação da assistência psiquiátrica no Brasil e criou novos dispositivos de atenção à saúde mental, os chamados serviços substitutivos (Brito, Dimenstein, Severo, Cabral & Alverga 2009), que atuam numa perspectiva integralizadora que envolve o exercício da cidadania e a integração do usuário na comunidade. A atuação nos serviços substitutivos, dentre os quais destacamos o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), está fundamentada numa lógica contrária ao modelo manicomial.

Nessa perspectiva, o profissional é convidado a pensar e a repensar sua prática e construir novas estratégias para habilitar os usuários (Venturini, 2010), criando alternativas de intervenção que promovam ações terapêuticas que resgatem a cidadania e a autonomia dos sujeitos submetidos a fortes processos de cronificação dentro de instituições psiquiátricas.

A Reforma Psiquiátrica configura-se como um processo permanente de construção, de reflexões e de transformações que ocorrem em diferentes campos: teórico-conceitual; técnico-assistencial; político-jurídico e sociocultural (Amarante, 1995). Esse contexto demanda a participação de usuários, familiares, trabalhadores de saúde e da comunidade. No processo de desconstrução do aparato manicomial, a participação é um espaço de construção coletiva do protagonismo, pois requer o deslocamento de um lugar de passividade, marcado pela dominação e pela tutela, para a “constituição de um sujeito político, que debate o tratamento e sua instituição, conhece seus direitos, participa e interfere no campo político” (Rodrigues, Carvalho & Ximenes 2011, p. 745).

Neste artigo, relatamos uma experiência de estágio em Psicologia Social Comunitária, desenvolvida com um grupo de usuários de um Centro de Atenção Psicossocial, localizado na cidade de Campina Grande-PB. O principal objetivo desse estágio foi de estimular a autonomia social e a reflexão crítica dos usuários, privilegiando o seu protagonismo por meio da promoção de atividades que valorizassem suas potencialidades e incentivassem sua participação mais ativa e criativa. Assim, foram promovidos espaços de escuta e de problematização da realidade para se produzirem “novos modos de subjetivação, pressupondo práticas de cuidado diversas das predominantes do modelo asilar” (Dimenstein, 2009, p. 19). Essa proposta teve como referencial teórico-metodológico a Psicologia Social Comunitária em diálogo com a Educação Popular.

A consolidação da proposta da Psicologia Social Comunitária, como espaço teórico e prático, remete-nos à década de 1980. Conforme Freitas (1996), essa perspectiva, fundamentada teoricamente na Psicologia Social, prioriza o trabalho com grupos e o fomento ao desenvolvimento de uma consciência crítica e identidade social e individual, guiando-se por preceitos “eticamente humanos” (p. 73). No que se refere à intervenção, objetiva promover mudanças na estrutura de uma comunidade e reconhecer o papel ativo dos grupos sociais (Álvaro & Garrido, 2006). Privilegia-se a construção de saberes a partir da interação entre o psicólogo e as pessoas da comunidade (Montero, 2004, citado por Ansara & Dantas, 2010; Campos, 1996; Ximenes, Paula & Barros, 2009). Portanto, a atuação desse profissional deve estar pautada na facilitação de um processo em que, por meio de metodologias participativas, são levantadas temáticas para discussão para que os sujeitos possam refletir sobre seus problemas e interesses e articulá-los às questões da própria comunidade.

São consideradas metodologias participativas as ferramentas que possibilitam o diálogo, a criação de espaços para troca de ideias, a construção coletiva do conhecimento e a mobilização política. Nesse sentido, os princípios teóricos e metodológicos da Educação Popular constituem uma via que potencializa as condições de participação e amplia “o deslocamento do campo pessoal para o político e do local para o histórico e para o cultural” (Melo Neto, s/d, p. 3).

Diante disso, cabe ressaltar a contribuição da Educação Popular para o desenvolvimento das práticas de psicologia em comunidade, no tocante ao fomento de formas coletivas de aprendizado, promovendo o desenvolvimento da capacidade de análise crítica sobre a realidade e o aperfeiçoamento das estratégias de luta e de enfrentamento (Góis, 2005; Vasconcelos, 2004).

Assim, a proposta de estágio desenvolvida no CAPS respeitou os seguintes princípios: o da Reforma Psiquiátrica, que defende que se centre o foco na condição humana, social, política e cultural da pessoa em sofrimento psíquico; o da Psicologia Social e Comunitária e o da Educação Popular, que defendem o exercício da autonomia e da criatividade dos grupos sociais e compreendem o homem como ser ativo, dotado de sua história e capaz de fazer transformações por meio da participação. Essa última é compreendida, aqui, como um ato interativo entre diversos atores sociais, que envolve a construção coletiva de conhecimento e intervenção em uma realidade, por intermédio do processo de reflexão-ação. Essa concepção acerca da participação constitui os princípios norteadores da Educação Popular e a referência como metodologia participativa (Melo Neto, s/d).

A seguir, faremos um relato sobre a experiência de estágio desenvolvida na referida instituição com o objetivo de refletir sobre as contribuições da articulação entre Arte, Saúde Mental e Educação Popular no contexto da Reforma Psiquiátrica.


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