Arte e saúde mental: uma experiência com a metodologia participativa da Educação Popular Art and mental health: an experience with the participatory methodology of Popular Education Arte y salud mental



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Algumas reflexões teóricas
Trabalhar com o tema “loucura” incide numa série de desconstruções sociais a serem feitas, uma vez que estamos mais acostumados a tratar a questão tendo como foco a doença, e não, a “existência-sofrimento” desses sujeitos (Brito et al., 2009).

Conforme Vasconcelos (2004), a metodologia da Educação Popular em Saúde amplia estratégias de participação da população na compreensão das diversas dimensões da vida social implicadas no processo de adoecimento e de cura, criando condições para que os sujeitos se apropriem de sua saúde. Assim, é um terreno fértil para práticas que possibilitem às pessoas em sofrimento psíquico assumirem o lugar de sujeitos de seu processo de tratamento e protagonistas de sua história.

A Educação Popular pressupõe um exercício coletivo de valorização das experiências e da capacidade criativa de cada pessoa e reconhece que os sujeitos são construtores de seus conhecimentos e que essas construções partem, necessariamente, de suas vidas e da realidade em que estão inseridos, produzindo transformações e, consequentemente, a própria história (Freire; 1999; Vasconcelos, 2004).

De acordo com Rodrigues et al. (2011), as práticas em Saúde Mental precisam estar pautadas na ideia de que a participação das pessoas é uma importante ferramenta de expressão dos segmentos excluídos da sociedade, que dá voz aos anseios daqueles que, durante muito tempo, não tiveram lugar nela. A Educação Popular em Saúde assume o compromisso com o desenvolvimento da reflexão crítica sobre a realidade, na perspectiva de promover a participação popular, a interação entre a ciência e a vida das famílias e da sociedade e o fortalecimento dos serviços de saúde (Vasconcelos, 2004). Nesse sentido, o fomento a um ambiente dialógico entre os diferentes atores envolvidos no processo de Reforma Psiquiátrica propicia reflexões e transformações acerca das concepções do cuidado em Saúde Mental, no contexto dos serviços substitutivos, e no que concerne ao imaginário social sobre a loucura. A Educação Popular em Saúde, ao propor a construção de formas de aprendizado e investigação, por meio do reconhecimento e da valorização do saber do outro, da troca de informações e da problematização, é uma metodologia para a construção de outro conhecimento sobre a loucura.

Segundo Foucault (2005), a loucura foi silenciada e retirada de circulação e deu lugar a um monólogo da razão. As oficinas de produção audiovisual restabeleceram um diálogo com a loucura, com o estranho, com o desviante da norma. Ao captar a fala dos usuários, abre-se espaço para a emergência da voz, do discurso das pessoas em sofrimento psíquico e se estimulam a autonomia e o protagonismo social dos participantes desse grupo.

Na perspectiva da Educação Popular, os processos baseados no diálogo, como os que foram propiciados nesta experiência de estágio, assumem o pressuposto de que todas as pessoas são potencialmente capazes de protagonizar a própria história, por meio do desenvolvimento de uma consciência crítica, da ampliação da capacidade de reflexão e do exercício da participação (Brandão, 2001). Como afirma Campos (2000), abrir espaço para opiniões e troca de vivências é uma experiência que, além de fomentar a grupalidade, valoriza os saberes dos atores envolvidos, no que se refere à criação de estratégias coletivas de mudança.

Assim, da própria realidade marcada pela opressão, pode surgir “um poder capaz de produzir movimentos de resistência e afirmação da vida”. Formas marginais de trazer à tona os saberes e de produzir “resistência e alegria” (Figueiró, Costa Neto & Sousa, 2012, p. 64), pois
contar uma história pode vir a ser um movimento de desdobramento, deixando vir o “de dentro” para “fora”, libertando aquele que se refugia nos entres das envergaduras, agenciando no sujeito uma nova configuração do ser. Em sua pluralidade, infinitas vozes dialogam, disparando um novo processo, um devir de diferença; um sujeito mais livre enquanto movimento de devir, enquanto um processo de singularização, em entrelaçamento, junção e disjunção de si com os outros. (Mairesse& Fonseca, 2002, p.113, grifos das autoras)
A linguagem audiovisual é uma forma peculiar de contar histórias que se revelam e se escondem nas narrativas (Brasil, 2006). As pessoas que fazem parte de um processo de produção audiovisual se apropriam, criam, recriam e transformam suas próprias imagens em imagens do mundo. Ao exercitar sua capacidade de romper conceitos, realizar escolhas e tomar decisões, os usuários do CAPS exercitaram também seu potencial de empreender ações que possam intervir no mundo a sua volta (Freire, 1999). Por meio de uma relação dialógica, pautada no reconhecimento da existência de diferentes saberes, na construção compartilhada do conhecimento e na possibilidade de uma experiência educativa mútua, promovemos integração, reflexão e foram ampliados canais de interação cultural e negociações, como propõem Carvalho et al. (2001) e Vasconcelos (2004).

O trabalho coletivo e a troca de experiências, aliados ao processo de criação, têm desdobramentos que se ampliam para além da produção do documentário realizada a partir dessa experiência de estágio. Conforme Amarante, Freitas, Nabuco e Pande (2011), tem-se recorrido à arte para desmitificar e transformar a concepção criada sobre a loucura desde a origem da Psiquiatria. A experiência em questão, por intermédio do desenvolvimento de um projeto que envolve atividades artísticas como instrumento para a ampliação de potencialidades singulares e de acesso aos bens culturais, reverbera na produção da emancipação e da criação de “novas comunidades e outras sociabilidades” (Lima, 2011).



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