Arqueologia in Cinema Norte-Americano



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ARQUEOLOGIA NO CINEMA NORTE-AMERICANO: O ARQUEÓLOGO-HERÓI E A “CAÇA AO TESOURO” *
ARCHAEOLOGY IN THE NORTH AMERICAN CINEMA: THE ARCHAEOLOGIST HERO AND THE “HUNTING TO THE TREASURE”
Margarida do Amaral Silva **

m.amaral.amaral@gmail.com




Resumo: temas relacionados ao trabalho arqueológico são constantemente abordados no cinema norte-americano, que utiliza a figura de alguns personagens, de modo arquétipo, associando-os à profissão de arqueólogo. Por isso, o presente estudo, lançando mão de exemplos práticos – os filmes hollywoodianos – tende a dimensionar abordagens sobre as relações ressignificadas entre Arqueologia/arqueólogo e o Cinema, considerando, em especial, as premissas sócio-culturais implícitas em tal conteúdo informacional.

Palavras-chave: Arqueologia, cinema norte-americano, filmes ‘hollywoodanos’, arqueólogo-herói, “caçadores de tesouro”.

A disposição do termo Arqueologia emparelhada à palavra Cinema implica na necessidade de discutir o uso daquele termo como temática para composição de alguns enredos, particularmente, dos filmes norte-americanos que, via de regra, ao explorarem questões associadas ao trabalho do arqueólogo encarnado pela figura mítica do herói ou caçador de tesouros – tendem a confirmar, conforme considerou Andrade (2002, p. 69), que “a imagem vive a dicotomia entre o fantástico e o real”.

O cinema, em especial o hollywoodiano1, tem se apropriado do habitus2 arqueológico, desfigurando-o e/ou reiventando-o, como forma de referir-se ao arqueólogo através do que Bazin (1991, p. 30) definiu como “mito do realismo integral”, uma vez que a realização cinematográfica reproduz “uma recriação do mundo à sua imagem, uma sobre a qual não pesaria a hipoteca da liberdade da interpretação do artista, nem a irreversibilidade do tempo”.

Arqueologia e Cinema, como um misto, designam frutos da (re)criação cinematográfica alicerçada no fascínio humano pela imagem em movimento (o filme3), que enreda o espectador, pois, conforme disse Aumont (1993, p. 77), “as imagens são feitas para serem vistas”, e tal fato amplia inclusive as definições que se possa vir a ter de espectador4.

Por outro lado, a arqueologia representada nas telas designa ao “caçador(a) de tesouros” um caráter de ser fantástico que vence perigos e supera limites forjados pelo imaginação humana, com base no eterno ideário de superação e conquista dos tesouros amparados pelos patrimônios culturais dos “outros”. É provável que a noção de patrimônio que, conforme expõe Gonçalves (2005, p. 18), ao “se confundir com a de propriedade”, designe também à visão de ressonância5 patrimonial expressa pelo filme “etnográfico”6 e/ou pelos filmes nos quais a figura do arqueólogo-herói se constitua como objeto central.

A distorcida apropriação de bens e/ou patrimônios arqueológicos, veiculada pelas ações do “mocinho-arqueólogo-herói”, direciona o espectador ao mundo imaginário no qual os sonhos7 se realizam em meio, por exemplo, à “caçada aos tesouros arqueológicos perdidos”. Em suma, é perceptível que está centrado na ficção8 um dos caminhos mais curtos para a emoção e o deslumbramento, porque “no cinema” viver o irreal é extremante possível.

Assim, o cineasta (salvo raríssimas exceções), ou por uma questão de visão de mundo, ou por querer atingir o “grande público”, acaba contando a história segundo um estilo heróico. No caso dos norte-americanos, de modo restrito, o cinema dificilmente rompe com a idéia do herói. Assim, as abordagens hollywoodianas relacionadas aos temas de cunho arqueológico em geral apresentam alegorias de ações exploratórias que geram o resgate/apropriação de bens com alto valor comercial, em contraposição ao valor histórico destes, desconsiderando que os objetos, sítios e/ou patrimônios são constitutivos de uma dada identidade cultural (que se imortalizou na matéria) e, ainda, que estes se caracterizam como “salvaguardas” da memória de sociedades humanas (que devem ser conservadas para que não se percam no tempo e de maneira que reportem ao passado).

O filme, para Andrade (2002, p. 60), faz-se “um testemunho e um documentário da realidade vivida, tornando-se um instrumento poderoso para a memória coletiva”. E o evidente caráter estereotipado9 da visão do arqueólogo e sua missão, pelo cinema norte-americano, mesmo quando não se trata de um arqueólogo profissional por definição, recriam representações de maneira que os espectadores definam, tendo por base a memória coletiva, personagens como o Indiana Jones – um herói e caçador de tesouros – como um portador da imagem real de configuração do arqueólogo.

Convém ressaltar que o patrimônio cultural (tanto material como imaterial), ao alicerçar o contexto dos filmes norte-americanos, remonta-se como uma expressão de “marcas de distinção”, uma vez que a transformação destes em mercadoria ou puro fetiche10, os restringiu a meros produtos e objetos “coisificados” ou “fetichizados”, ao invés denotá-los como “complexas redes de práticas e significados [...] capazes de suscitar indagações sobre questões e temáticas relativas ao patrimônio cultural diante das engrenagens da sociedade contemporânea” (VELOSO, 2007, p. 229).

Portanto, a imagem distorcida do trabalho arqueológico - através da apresentação de personagens fílmicos geralmente pouco comprometidos com os reais objetivos acadêmico-científicos da atividade arqueológica de campo e de pesquisa – delega à arte cinematográfica hollywoodiana, mais uma vez, o papel da (re)criação de uma realidade fictícia amparada tão somente na riqueza estética e no apelo popular.

Neste texto, tal fato se evidencia a seguir, quando serão tomadas algumas obras tidas como referências no que se refere à abordagem do tema “arqueologia”, no cinema, de modo a se analisar o fenômeno de veiculação de idéias estereotipadas pelas telas hollywoodianas. Assim, será utilizada como instrumento, para reflexões iniciais, uma trilogia marcante na história do cinema norte-americano, composta pelos três primeiros filmes nos quais figura o arqueólogo Indiana Jones, sendo estes: “Os Caçadores da Arca Perdida” (1981), “O Templo da Perdição” (1984) e “A Última Cruzada” (1989). Portanto, a relevância de tais filmes se deve ao fato de conseguirem lançar no contexto cinematográfico uma visão da arqueologia que se tornou extremante popular, e tem sua receita de sucesso seguida pelo cinema até os dias atuais, de maneira que gerou inclusive o lançamento, neste ano, do quarto filme da série Indiana Jones, intitulado “O Reino da Caveira de Cristal”.

Por conseguinte, a exemplo da temática abordada pelos filmes supracitados, considerar-se-ão os seguintes filmes: As Minas do Rei Salomão (1985/2006), A Múmia (1999) e O Retorno da Múmia (2001), Lara Croft – Tomb Raider (2001), Lara Croft – Tomb Raider/A origem da vida (2003), O Tesouro Perdido (2004), O Guardião – em busca da lança sagrada (2004) e O Guardião – retorno às minas do Rei Salomão (2006). Neste contexto, os filmes infantis também são expoentes da abordagem temática da “caça ao tesouro” por meio de expedições fantásticas veiculadas por Atlantis: O Reino Perdido (2001), Atlantis – O retorno de Milo (2003), Planeta do Tesouro (2002) e o Caminho para o Eldorado (2000).

Tal quadro tende a formatar uma base reflexiva amparada, a princípio, nas seguintes premissas: primeiro, a de que o “filme de ficção tende a escolher como tema algo sobre o qual já existe um ‘discurso comum’, fingindo submeter-se à realidade, enquanto só tende a tornar sua ficção verossímil” (BAZIN, 1995, p. 106); e, em seguida, a idéia de que o patrimônio, “como uma propriedade herdada”, restringe-o a “ser constituído como a sensação de compartilhar valores, de pertencimento, em uma interpretação que minimiza a diversidade de interesses sociais e, ainda mais, os conflitos e contradições” (FUNARI; CARVALHO, 2005, p. 36).






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