Aranha, Maria Lucia de Arruda. Filosofando, introdução à Filosofia



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ARANHA, Maria Lucia de Arruda. Filosofando, introdução à Filosofia. 2ª edição revista e atualizada. São Paulo: Editora Moderna, 1993.
CAPÍTULO 8 - O QUE É FILOSOFIA?
O que pretendo sob o título de Filosofia, como fim e campo das minhas elaborações, sei-o, naturalmente. E contudo não o sei... Qual o pensador para quem, na sua vida de filósofo, a filosofia deixou de ser um enigma?... Só os pensadores secundários que, na verdade, não se podem chamar filósofos, estão contentes com as suas definições. (Husserl)
A verdadeira filosofia é reaprender a ver o mundo. (Merleau-Ponty)
1 - Introdução
Lembremos a figura de Sócrates. Viveu em Atenas no século V a.C. Dizem que era um homem feio, mas, quando falava, era dono de estranho fascínio. Procurado pelos jovens, passava horas discutindo na praça pública. Interpelava os transeuntes, dizendo-se ignorante, e fazia perguntas aos que julgavam entender determinado assunto colocava o interlocutor em tal situação que não havia saída senão reconhecer a própria ignorância. Com isso Sócrates conseguiu rancorosos inimigos. Mas também alguns discípulos.

O interessante e que na segunda parte do seu método", que se seguia à destruição da ilusão do conhecimento, nem sempre se chegava de fato a uma conclusão efetiva. Sabemos disso não pelo próprio Sócrates, que nunca escreveu, mas por seus discípulos, sobretudo Platão e Xenofonte (ver o texto complementar II deste capítulo: "Ciência e missão de Sócrates"). Afinal, acusado de corromper a mocidade e desconhecer os deuses da Cidade, Sócrates foi condenado à morte. (Ver referências ao método de Sócrates ,na Primeira Parte do Capítulo 10 Teoria do conhecimento.)

A partir do que foi dito, podemos fazer algumas observações:


  • Sócrates não está em seu "gabinete" contemplando "o próprio umbigo", e sim na praça pública.




  • A relação estabelecida com as pessoas não é puramente intelectual nem alheia às emoções.







  • Guia-se pelo princípio de que nada sabe e, desta perplexidade primeira, inicia a interrogação e o questionamento do que é familiar.




  • Ao criticar o saber dogmático, não quer com isso dizer que ele próprio é detentor de um saber. Desperta as consciências adormecidas, mas não se considera um "farol" que ilumina; o caminho novo deve ser construído pela discussão, que é intersubjetiva, e pela busca criativa das soluções.




  • Portanto, Sócrates é "subversivo" porque "desnorteia", perturba a "ordem" do conhecer e do fazer e, portanto, deve morrer.

Se fizermos um paralelo entre Sócrates e a própria filosofia, chegaremos à conclusão de que o lugar da filosofia é na praça pública, daí a sua vocação política. Por ser alteradora da ordem, perturba, incomoda e é sempre "expulsa da cidade", mesmo quando as pessoas se riem do filósofo ou o consideram "inútil". Por via das dúvidas, o amordaçam, cortam o "mal" pela raiz e até retiram a filosofia dos cursos secundários... Mas há outras formas de "matar" a filosofia: quando a tornamos pensamento dogmático e discurso do poder, ou, ainda, quando cinicamente reabilitamos Sócrates morto, já que então se tornou inofensivo.






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